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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

Pobreza e um novo ano

29.12.18, MSA

Foto Cronica 89DI DEZ18 - Pobreza e um novo ano.jp

2018 está quase no fim. O Mundo chora os danos de vulcões e maremotos. A Europa atordoa-se em revoltas étnicas e dúvidas existenciais. Em Portugal, Costa e a geringonça já não sabem como disfarçar o tapete repleto de lixo escondido. E nos Açores? Nos Açores vive-se a felicidade suprema, num autismo político que celebra a falência do atual modelo de gestão regional. É uma espécie de foguetório, em que as canas são logo escondidas para ninguém sequer ver a sua cor, afinal o barulho e a animação já se espalharam. E é mesmo a folia que interessa, entre milhares de turistas e um naco de opções que não se entendem. Mas que s(er)ão apenas as melhores do país, do continente e do planeta. Nos Açores as coisas não se fazem por menos...

Nos últimos meses do ano que agora finda foi um corre-corre nas entranhas do poder regional. Dos fechos anunciados para um lote de empresas públicas - já sem necessidade prática, dado o bom tempo financeiro das ilhas de bruma -, à (in)conveniente fuga de informação sobre uma coisa lá da SATA, os episódios foram-se sucedendo e, pela primeira vez em dois anos do atual mandato, o todo poderoso governo regional resvalou e caiu de rabo em cima das suas próprias cascas de banana. Penso que a imagem é elucidativa. E também acho que retrata o que está a acontecer. E que vai acontecer mais vezes. Esperando-se - na ótica de um cidadão que resmunga, mensalmente, pelo mau uso dado aos seus impostos - que não haja uma escorregadela definitiva. Daquelas que depois precisam de assistência internacional para levantar e reanimar um corpo combalido.

Segundo o INE, somos a região portuguesa com maior risco de pobreza. Os dados açorianos do desemprego parecem mover-se ao sabor dos ventos, sem se saber ao certo em que meridiano navegam. A companhia aérea de bandeira do arquipélago está à beira do abismo, e soube-se agora que foi empurrada até lá propositadamente, se bem que no maior dos segredos. As carências sociais espalham-se de forma quase viral, num contraste estranho com os milhões investidos em estruturas, programas e resoluções anuais. Os serviços básicos acumulam défices de funcionamento, e ninguém compreende os retrocessos quase geracionais que atacam as coisas mais simples. Passado o Natal, os dados do RSI indicam uma subida de beneficiários no arquipélago, que é o recordista nacional daquela medida. Enfim, o rol de preocupações faz-nos pasmar face às declarações recentes de vários responsáveis políticos que, na ânsia de não beliscar a sua aura de poder, parecem não ver como as coisas são. E isso aflige as pessoas. Mesmo aquelas que estavam, até há bem pouco tempo, em poisos dourados. E que, repentinamente, se viram atirados rumo à plebe... Feliz 2019. E tende juízo, gente boa!

79 Pobreza e um novo ano - DI 29DEZ18.jpg

 

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