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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

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miguel sousa azevedo - terceira - açores

26.Jul.18

Os meus avós...

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Hoje celebra-se o Dia Mundial dos Avós. Já não tenho nenhum deles vivo. Foram partindo entre os meus 20 e 35 anos de vida. Já levo 43. Como em todas as famílias e relações, há diferenças entre pessoas, há atitudes e posturas que marcam, há distâncias e barreiras que se criam. No meu caso, a grande diferença entre avós, prende-se no facto de ter vivido na mesma casa dos meus avós maternos, o que naturalmente - e feitios à parte - fez nascer uma ligação mais próxima. Hoje, resolvi recordar cada um dos meus avós. Em breves linhas. De coração:

Maria Isabel (avó paterna . 1921-1995) - Era uma mulher muito ativa e trabalhadora, marcada, especialmente, por uma infância sem carinho. Aliás, tinha dificuldade em demonstrar carinho. Dela recordo uma minúcia extrema em tudo o que fazia. Era metódica. Uma doença inesperada levou-a, numa altura em que parecia ter um novo sorriso de vida. Foi a primeira a partir. Tenho pena por isso.

Fernando Augusto (avô materno . 1913-1996) - O meu mentor, o meu herói, a pessoa que me faz molhar os olhos em segundos. Ainda hoje. Talentoso e impulsivo, não era um homem fácil, embora dele eu não tenha uma única queixa. Educou-me a vários níveis, e fez-me ver - pelo seu percurso - como temos de combater os nossos fantasmas. No caso dele, uma mente brilhante, mas que o traiu, roubando-lhe os derradeiros anos, numa espera sem cor. Adoro-o.

Maria Alda (avó materna . 1912-2003) - A melhor cozinheira da minha vida. Teve um casamento difícil, mas mantinha um ânimo diferente, com forças que identifico nas suas raízes humildes. Dona de um humor delicioso, dela herdei os olhos verdes - iguaizinhos -, que foram perdendo o tom pelos anos. Tinha uma pele sedosa e virtudes que nunca usou. Ensinou-me a fazer festas. Nos gatos e nas pessoas.

Jorge Emílio (avô paterno . 1922-2010) - Não sei bem explicar a ligação que tívemos. Se é que a tívemos. Era um homem de princípios muito firmes, e que nunca cedia. Uma boa pessoa, considero. À sua maneira, tentava ajudar e animar. E nunca lhe levei a mal os reparos. Dele penso ter herdado o gosto pelos carros. Confesso que lamento pouco mais ter para lhe dedicar.