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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

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O uso diário dos afetos

05.09.23, MSA

Foto Cronica 176DI SET23 - O uso diario dos afetos

Foi numa recente alocução da apresentadora e jornalista Diana Duarte (RTP), curiosamente sobre falar em público, uma atividade que aterrorizava a mediática pivot no início da sua carreira, que me decidi pelo regresso às crónicas, interrompidas desde os tempos já longínquos do São João.

E tudo porque a esbelta comunicadora falou de afetos, e da forma como a partilha dos mesmos na infância cria seres humanos mais preparados e consistentes. De início, fiquei reticente face à teoria, afinal a sociedade atual é cruel, e os mais sensíveis poderão ser cilindrados se agarrados à meiguice do berço.

Mas pensei melhor e, de facto, o fortalecimento da personalidade pode ser feito pela via dos afetos, especialmente se eles surgiram naturalmente nos nossos primeiros anos de vida, se foram sinceros, se nos tocaram o suficiente para ficar…

Num mundo em que se exteriorizam emoções por via eletrónica, em que congratulamos e lamentamos situações em pequenas mensagens, sem ver as pessoas e às vezes sem sequer as conhecer, falar de afetos pode ser complicado.

De facto, o próprio significado da palavra – afeto, que também pode ser afecto, ao que consultei, e que só complica… - deixa-nos a pensar no que será mesmo essa troca emocional, assente no toque, no amparo, no abraço ou no beijo.

E aqui estarão a pensar que escrevi sobre o beijo que o presidente da Federação Espanhola de Futebol deu numa das jogadoras campeãs do mundo, que também pode ser considerado – entre vários outros significados e juízos de valor – uma manifestação de afeto, mas não.

Esse é precisamente daqueles casos sobre os quais prefiro nem falar. Porque, independentemente de todo o contexto em que aconteceu, há visões pré-formatadas sobre estas questões. E acredito que muitas dessas visões terão a ver com a partilha dos afetos vigente em cada uma das pessoas que sobre elas opinam.

Nem todos recebemos todo o mimo do mundo, nem todos tivemos acesso a histórias contadas à lareira, a um afago ao chegar a casa, a um sorriso na receção diária, a música envolvendo a espuma dos dias, acesso à arte, às cores, às segundas opiniões ou ao contraditório. E isso faz-nos diferentes. Melhores ou piores, que cada um fale por si.

Mas a verdade é que, também por toda essa distinção nos afetos, as reações ao seu uso diário se mostram quase antagónicas. Uns não consideram afetuosa esta ou aquela ação, outros nem conseguem identificar o que transmita sentimentos. Outros ainda, optam habilmente por esconder o jogo. E ninguém está errado. No meu modesto ponto de vista.

Vai daí que nada como apostar na prevenção. Os afetos estão na boca e coração de cada um, por palavras e ações, por aquela que queremos seja a nossa marca entre os mais próximos. Não se trata de um apelo, mas sim de uma opinião sustentada em recordações que amenizam a alma e em certezas adocicadas no fruir da vida.

Mas porque defendo que estar do lado dos afetos compensa sempre, acresce dizer que a Diana (Duarte) firmou e alimenta uma carreira de sucesso, vencidos que foram os medos iniciais. Acredito, pois, que o que sentimos deve sempre orientar a magia e a partilha da expressão. A bem de todos.

165 O uso diário dos afetos - DI 5SET23.jpg

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