O legado de Álamo Meneses

Em 2013, iniciou-se o ciclo do Professor Álamo Meneses como autarca em Angra do Heroísmo, ele que vinha de uma longa experiência governativa e que, assinale-se, se demarcou há dias como o único presidente de Câmara em Angra, em liberdade, a cumprir a totalidade dos seus mandatos. Isso são factos.
Nesse mesmo ano, integrei a lista da Coligação PSD/CDS candidata à Câmara Municipal de Angra do Heroísmo que ficou a cerca de 150 votos de inverter uma situação que contava quase 16 anos completos, com o PS a governar o concelho. Mais factos.
“Esteve quase”, escrevi na altura, lembrando as razões pelas quais os angrenses ficaram à beira de mudar o rumo da sua gestão autárquica, que no entanto voltou a uma maioria socialista, depois de um atribulado mandato (2009-2013), sem maioria, onde se pode dizer que a democracia funcionou em pleno. Mas isso já é uma opinião, mesmo se baseada em factos…
Ninguém poderá dizer que Álamo Meneses não foi um bom presidente de Câmara, até porque, a cada um dos três últimos quadriénios, teve a capacidade de ir “amaciando” o tom, certamente imbuído pela experiência e pelo crescente contacto com as forças vivas do concelho, coisa que, como governante regional, não terá experienciado da mesma forma. Já andamos na suposição.
A verdade é que beneficiou da inação pós-dívida que o antecedeu, e da qual dou um exemplo muito prático, e que todos poderão confirmar: Durante 2013, talvez até desde o ano anterior, o lancil do passeio defronte dos Paços do Concelho – que depois foi anulado para uma faustosa evolução cénica que fechou a Praça Velha, mas isso é outro assunto… - tinha uma pedra em falta, a poucos metros da esquina para a Rua do Galo. Esteve meses assim, e ninguém lhe tocou, ali mesmo, nas barbas da entrada principal do edifício camarário. E assim passou o período eleitoral, até que Álamo Meneses tomou posse e, naturalmente, mandou arranjar aquilo. Mais um facto.
Assim como mandou arranjar cada cantinho desorganizado e à vista do cidadão comum, distribuindo obras e tarefas por várias empresas da ilha. Princípio que estendeu a inúmeras instituições do concelho e da ilha com as barraquinhas festivas, que se foram partilhando, beneficiando cada uma delas. A visão, mesmo para quem não concordava, não lhe faltou. De facto.
Depois, foi uma sucessão grande de intervenções, em obra física e em gestão do grupo municipal, juntando todas as valências na Câmara, com o desmanchar dos Serviços Municipalizados, e mais outras várias opções que, a par do pagamento das dívidas relativas à cidade-património, lhe deram uma sustentabilidade política e social como possivelmente Angra nunca tinha tido, ao nível do seu principal autarca. Isso também é factual.
Discordei de várias dessas opções, mas sempre na perspetiva do cidadão preocupado com a sua terra, e algumas delas ainda acho que são reversíveis. Mas lá voltamos às opiniões. Especialmente no relacionamento com as tais forças vivas angrenses, o agora presidente da Assembleia Municipal foi, a espaços, magistral. E isso eleva em muito a fasquia a quem lhe sucede. Facto.
Estranhamente, a primeira opção política do novo elenco camarário, cuja campanha e composição assentou precisamente na continuidade, e que transitou maioritariamente da derradeira equipa do professor Álamo – tendo beneficiado diretamente da sua participação em todo o processo eleitoral como candidato – foi de alargamento na composição, com mais uma vereação a tempo inteiro. Facto consumado.
Novamente na perspetiva de cidadão preocupado com a sua terra, tenho a desejar o maior sucesso para a reestruturada gestão municipal e à nova presidente, Engª Fátima Amorim, que com o seu coletivo reforçado terá certamente um rumo pensado para uma localidade com as particularidades do nosso burgo quinhentista e das freguesias que formam este mapa concelhio. Tem a antecedê-la um legado de muita iniciativa e penso que contas certas. E um legado é sempre um facto...
