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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

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miguel sousa azevedo - terceira - açores

31.Out.23

O desafio da superação

Foto Cronica 178DI OUT23 - O desafio da superaçã

Sábado passado voltou a ser dia de “Faz Acontecer” na Terceira, concretamente na Praia da Vitória, e no Auditório do Ramo Grande que, antes da pandemia – que, já percebemos, também nos ensinou muita coisa… -, já tinha recebido outras sessões…ou espetáculos…ou, pronto-eventos-a-que-vamos-e-que-nos-fazem-bem…

Quem me conhece, sabe que não sou particularmente empreendedor – até embirro um pouco com o termo, e ainda mais com quem o usa mal dito e abusivamente… -, mas se há coisa que me satisfaz é o sucesso dos meus próximos, das pessoas que admiro e, sobretudo, das que tem um verdadeiro valor e se salientam pela diferença.

Nos dias que correm, e com o facilitado mediatismo que qualquer um pode conseguir, há que haver um cuidado especial na destrinça dos conteúdos que nos são oferecidos, nos serviços, na “embalagem” que supostamente enaltece esses conteúdos e esses serviços. Essa destrinça revela-se, cada vez mais, uma tarefa tão complicada quanto necessária.

Daí que, marcar presença num fórum como aquele que o André Leonardo “fornece” de bom grado à sua terra tem, a meu ver, duas consequências imediatas. Primeiro, desperta-nos a capacidade de elogiar com substância, que tão adormecida está, porque hoje tudo é “muito bom” e “espetacular”. E segundo, porque nos inspira verdadeiramente, sendo generalizado o sentimento, após aquelas horas de partilha próxima e intensa, de que “eu também sou capaz”.

E é essa, precisamente, a premissa-base do “Faz Acontecer”, um movimento como tantos outros, mas que adotamos de forma corrente, porque é de um rapaz cá da terra, que também foi capaz, e que há anos nos mostra exemplos concretos de que o sonho não é apenas para perseguir, mas para concretizar.

Ora, tudo isso é muito bonito, mas os tempos estão difíceis, “e só quem tem padrinhos é que se batiza”, dirão muitos. E estarão cobertos de razão, exceto se nem sequer tentaram. Se nem sequer observaram as motivações da sua vontade – se é que as têm… -, se nem sequer mediaram o desafio de se superarem, ou sequer observaram a distância que os separa da mesa do café para o terreno…

Vai daí, ouvir e sentir a comovente história do João da Silva; entender a motivação de amor familiar do Miguel Ferreira Pinto; acompanhar o crescimento pessoal do Tarantini – que, felizmente, já não marca golos ao meu FCP… -; perceber o sonho local do Jorge Pessoa; descobrir a dimensão social real do que criou o Sérgio Nascimento; acalentar simples esperança com a Sandra Ribeiro; reacender as obrigações de cada um com Isabel Jonet; redescobrir as noções do alento com a Sofia Castro Fernandes; e encerrar em beleza com a corrosão inteligente de Jorge Sequeira, foram momentos que nos fizeram bem. E a vida anda tão precisada deles.

Juntou-se a isso um orgulho visível do anfitrião de serviço, cuja vida também mudou muito entre estas últimas edições do seu evento, que até se emocionou – quem nunca?… -, e que desta feita fez reverter a esgotada bilheteira – mais o que se angariou em generosos leilões – para o Núcleo Regional dos Açores da Liga Portuguesa Contra o Cancro, uma entidade que a todos diz respeito. Parabéns!

 

PS-Como de outras vezes, e em diversos eventos, estive no Auditório sempre na dúvida entre gravar três ou quatro sons e fazer uma peça para o RCA, ou assimilar o melhor da tarde para depois escrever sobre a experiência, interrompendo a irregularidade das minhas crónicas, que todos os anos pretendo sejam semanais. Como aqui se vê, optei pela segunda hipótese. E assim também me superei um bocadinho…

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