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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

29.Mar.14

Mercado Municipal: Ou quando a habilidade é fruta da época...

Fruta da época...a habilidade...

As concelhias angrenses do PSD e do CDS/PP juntaram, na passada quarta-feira à noite, um conjunto de personalidades - umas convidadas, outras por sua vontade - para debater um assunto que quase passou ao lado dos munícipes. Pelo menos assim me pareceu, e certamente para isso contribuiu nova habilidade da gestão camarária: Que encomendou, apresentou internamente em três tempos, decidiu e - manda a maioria -, vamos ter um novo mercado municipal na cidade património. Onde? No cerrado do "Bailhão"...concretamente "enfiado" nas traseiras da piscina e "pendurado" sobre o espaço onde ainda cabem os carros que escapam à "inquisição" dos parquímetros. Tratando-se do mercado, e prevendo que lá se venderão frutas e legumes - e isso nem foi apresentado pela câmara, mas que interessa? É ali e pronto! -, escolhi a habilidade como fruta da época, evocando a forma como se vai (des)mandando esta cidade...

Sem me alongar, recordo a trama urdida com a não-construção do cais de cruzeiros em Angra, e a forma sucessiva como governo e autarquias terceirenses vão gerindo informações e posições, mantendo a população ofegante num faz-de-conta de reclamações e brigas. População que aplaude tanta entrega e tanta defesa da sua terra. Ainda acreditam que tudo vem sendo feito e divulgado por acaso? Eu não.

Recordo também que Angra do Heroísmo tem sido palco de sucessivos projetos abortados ou atrasados, e nada parece correr em velocidade cruzeiro - lá me escapa a boca à baía, novamente... - quando se  trata de decidir o que se quer e como se vai fazer. As coisas arrastam-se, prometem-se, prometem-se de novo, outra vez se arrastam, lá se constroem e depois inauguram-se com pompa e circunstância. É um mal geral, mas em Angra é mais giro. Lembro um fabuloso projeto de requalificação da baía da cidade, apresentado ainda no século passado - sim, já estamos noutro vai para 15 anos -, que incluia refazer toda a sua orla e zonas adjacentes, desde o clube náutico até aos celeiros. Imagine-se a doideira que tem sido fruir de toda essa melhoria de conjunto...

No

E rapidamente me debruço nesta coisa do novo mercado, também trazendo à tona que em setembro passado - sabem, aquele mês em que houve eleições autárquicas? -, o tema foi habilmente silenciado, ou falado em baixa voz, pelo hábil edil que agora nos comanda. Aliás, habilidade vai sendo coisa que não lhe falta. E o povo aplaude. Aplaude remendos nas calçadas, porque a obra de raiz ficou a meio e não mais se tratou. Aplaude o atual mercado aberto até mais tarde, mas com as bancas fechadas e os vendedores já em casa. E aplaude esta decisão de afinal levar a estrutura para o "Bailhão", onde 4 a 5 milhões de euros vão servir não se sabe bem o quê, e não se sabe bem como. Nem pondo em causa o projeto - que até tinha duas hipóteses em cima da mesa - imposto à cidade, pois estacionar o carro dentro de casa não é de todo fácil. E o que se depreende, do que a oposição - e apenas a oposição - apresentou aos angrenses como um facto consumado pela autarquia, é engavetar o mercado no sítio onde o hábil edil decidiu. Com três pisos, com camionetas, com escadas rolantes ou as valências que forem. O que se vai fazer ali - e oxalá não se fizesse - é, em linguagem informal, um "puxadinho". Ou um quarto de trás, que por acaso também pode ser virado para a frente...e para cima. Pessoalmente, e como em tantas outras coisas impostas a esta urbe de história, é mais uma habilidade. E isso, é fruta da época.

 

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