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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

25.Jun.15

Gostamos de toiros.

Foto Festa na Ilha 2015 - MSA.jpg

A ida a uma corrida de toiros é, para muita gente, um ato de plena descontração. Quase o mesmo que ir ao teatro, ao cinema ou a um concerto musical. Mas em que os espetadores serão mais ou menos entendidos sobre o assunto, tiveram mais ou menos cuidados na escolha da vestimenta, do charuto ou do local para depois jantar com os olhos cheios. E isto porque a deslocação a uma praça de toiros faz parte da nossa vida. Não apenas como apreciadores das artes do redondel, ou como aficionados e até conhecedores, mas como terceirenses, uma gente habituada desde tenra idade a ter o toiro no seu horizonte. A conviver com a sua presença, a apreciá-lo na paisagem e na lembrança.

E tudo porque, nesta dita terra de bravos, também há toiros na rua de maio a outubro. Correm-se à corda e complementam as nossas festividades, onde o profano e o religioso se cruzam de forma ímpar. Mexendo e remexendo com a rotina dos locais, vão-se passando e recordando freguesias e recantos onde houve toiros, houve graça, houve comida e bebida, houve amizade e um mote comum para um ajuntamento de gosto. Um ajuntamento de mesa posta, com motivos de cores garridas e passes de coragem.

Na praça de toiros, o ambiente é diferente. Trata-se de um episódio mais lustrado, e ninguém se abeira da bilheteira sem, pelo menos, ter uma ideia do cartel e do que possa acontecer para lá da trincheira. Mas o certo é que, pelas ruas da nossa terra, há igualmente um conhecimento profundo das características e ações de toiros, ganaderos e pastores, para a hora de estalar o foguete. Há uma mescla taurina que nos faz apaixonar e dedicar tempo ao centro da festa. O toiro bravo, que nos leva longe, que nos assusta, que não passa incólume no combate como não o fará na retina de um terceirense a ele dedicado.

Nos tempos que correm, multiplicam-se as intenções anti-taurinas. Fala-se em evolução, fala-se de maturidade cultural, fala-se em direitos dos animais, e confesso uma dificuldade momentânea em sanar um confronto que, a meu entender, não precisava de existir. Dir-me-ão que o mais lógico é que um dia acabem as touradas e o toiro bravo perderá noções e razão de ser. Tenho de contrapôr de imediato com um manancial de argumentos que tocam a alma. O toiro existe com a finalidade histórica de ser lidado. Faz parte do espetáculo, e esse espetáculo faz parte das nossas vidas.

A abrangência desta simples afirmação é tão vasta, que não haverá protesto ou rede social a fazê-la cair. Nos tempos, nas festas, nos pastos e no brilho único da pelagem de um animal bravo, de luta, de confronto, e criado à mão. Ainda mais nesta ilha de nevoeiros e cheiros fortes. De enlaces e memórias. Porque aqui...gostamos de toiros.

Capa Revista Festa na Ilha 2015.jpg

(Texto publicado na edição nº19 da revista "Festa na Ilha", editada pela Tertúlia Tauromáquica Terceirense)

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