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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

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miguel sousa azevedo - terceira - açores

12.Jun.21

Divino Espírito Santo. O livro do “RL”

Foto Cronica 134DI Divino Espírito Santo. o livro

Tinha 8 anos quando conheci o Ricardo Laureano. Foi numa verificação técnica de um rali, no Cais da Alfândega. Eu era um daqueles “pequenos” que andava pelo meio dos adultos a fazer perguntas e a mostrar que sabia as marcas dos carros e os resultados dos pilotos. Ele já fotografava há uns tempos, tinha sido aluno da minha Mãe, e às vezes usava uma samarra da “Diabolique Motorsport”.

Durante muito tempo, fomo-nos cruzando nas coisas dos motores e das bicicletas, e este miúdo do Ciclo, e depois do Liceu, acenava orgulhosamente sempre que se cruzava com o “RL” – a sigla que escolheu para a sua produção fotográfica -, mostrando aos seus amigos a empatia que tinha com o dono daqueles carros decorados e que me pareceu sempre alguém diferente.

A vida correu, e há muito que acompanho a carreira artística de um fotógrafo que comparo aos cantadores ao desafio. O “RL” arranja sempre uma perspetiva própria, e fá-lo na hora, num instante, sem demoras, surpreendendo as pessoas e provocando momentos de boa disposição. Confere?

Temos em comum alguma desvalorização dos dotes pessoais, mas também a forte vontade de ajudar os outros e a satisfação de aferir os seus sucessos. Está na massa do sangue, como se diz por cá, à boca destas gentes devotas do Divino Espírito Santo.

E é precisamente sob o manto dessa nossa tradição maior que aqui venho felicitar o Ricardo Laureano – e por sua vez, a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, que foi a mentora do projeto – pelo lançamento do seu primeiro livro de fotografia, um documento quase intemporal, onde se guardam bonitas imagens dos vários passos das nossas festas de fé.

Sendo uma publicação essencialmente de imagens, virar as suas folhas é um pouco viajar na nossa história recente, sendo que os condimentos visuais que formam “Divino Espírito Santo” – é o título do livro, que tem um “logo” genial criado pelo Francisco Veloso – são muito pessoais, alternando as fotografias mais clássicas com pormenores e umas quantas coisas que nos escapariam ao primeiro olhar.

E depois, dado o tempo pandémico que vivemos, e face aos já dois anos de ausência das festividades, tudo aquilo nos começa a cheirar a passado, mesmo se próximo, num alento de que tudo volte ao normal, e que coroas e promessas possam novamente andar livres pela rua.

Poderia desvendar mais um pouco sobre a obra, que tive o gosto de ir acompanhando no seu crescimento, mas isso caberá aos fiéis devotos do que são estas terras, estando nelas ou longe delas pela saudade, e sendo que estou certo do gosto que terão por entre as cores e sentidos que o “RL” deu a algo que faz parte de nós.

Parabéns, e que venham mais livros e mais retratos originais da vida.

124 Divino Espírito Santo O livro do RL - DI 12JU