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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

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miguel sousa azevedo - terceira - açores

27.Mai.14

AS-01-20: Uma grande máquina!

Jorge Ortigão, ao volante...

Fotos: DR e RL Photo

 

Nestas coisas dos ralis, e embora muitas vezes essa seja uma particularidade secundária, o certo é que as máquinas são essenciais para uma melhor prestação. Grandes pilotos, sempre os houve e haverá, mas esses trocam de carro. Já as grandes máquinas deixam saudades, delas se guardam imagens - fixas e em movimento -, e com elas se vai escrevendo a história desta nossa modalidade que, nos Açores, acumula adeptos e conhecedores a ritmo impressionante.

Pois, desta feita, lembrei-me do fabuloso Toyota Starlet 1.3 "AS-01-20", da Salvador Caetano, um carro que se celebrizou a nível nacional com Jorge Ortigão ao volante. Eram de espantar os tempos que o valoroso piloto alcançava entre os Escort RS de então - Joaquim Santos, Rui Souto, Mário Silva, Carlos Torres, entre outros - ou o Datsun 160J de Santinho Mendes. Uns segundos atrás, e criando emoção na tabela, em Sintra ou no Dão, lá vinha o pequeno carro nipónico, uma obra prima de preparação e performances. Vindo para os Açores em 1984 - já depois de ter estado no Rali de São Miguel do ano anterior, pelas mãos de Ortigão - aquele grupo A "puro-sangue" foi guiado entre nós por nomes como Rui Ferreira, "Licas" Pimentel, o campeão nacional Joaquim Santos, Carlos Nunes "Giga" , Luís Costa, Gilberto Cartaxo e o saudoso João Vieira. Sem ser exaustivo, não me canso de recordar três atuações brilhantes da máquina, com Ferreira, Santos e Nunes como protagonistas. Foi um carro que deixou plenas saudades, e o "cantar" do seu eficaz 1.3 não é fácil de esquecer...

 

Rali de São Miguel (1984). Navegado por Paulo Melo, Rui Ferreira mostrou todos os seus dotes de condução, ao esgrimir argumentos com máquinas muito superiores, e tendo sido talvez o piloto que mais retirava de todas as potencialidades do ágil Starlet. Com assistência dada pela equipa Salvador Caetano - que tinha, entretanto, Ortigão já a correr com o novo Corolla GT -, a dupla foi quinta da geral e venceu a classe, mesmo chegando a Ponta Delgada com as marcas visíveis de uma saída de estrada. Mais adiante na temporada, fica na memória nova excelente atuação no Rali Ilha Lilás/Apolo 20, onde o excelente terceiro lugar parece hoje esquecido face à polémica - mas habilidosa - demonstração do piloto no slalom final...  

 

Rali de Santa Maria (1985). Joaquim Santos ao volante, navegado por "Licas" Pimentel, que entretanto adquirira o carro. O tri-campeão nacional em título treinou mal o rali, mas andou a prova toda em segundo lugar, batido apenas pelo maior poderio do Corolla GT de Horácio Franco. Isto nos troços de asfalto da manhã. Haveria de desistir sem conseguir recuperar a diferença nas classificativas de terra da derradeira etapa, mas deixou a sua marca de classe na ilha do sol. Semanas depois, Santos deveria ter alinhado no Rali Ilha Lilás/Apolo 20, mas o motor do Starlet cedeu, às mãos de um mecânico descuidado, nas vésperas da prova.

 

Rali Ilha Lilás/Chocolates Imperial (1986). Carlos Nunes, o popular "Giga", começara a época com um outro Starlet, de preparação mais "caseira", mas o Team Edinsula colocou-lhe nas mãos a "bomba" ex-Ortigão, completando uma estrutura competitiva que muito deu aos ralis terceirenses. Especialmente na etapa de terra, e depois de vultuosos abandonos na noite de asfalto, o piloto de Angra "abriu o livro", apenas não batendo o Renault 11 Turbo de José Eduardo Silva. As passagens sem mácula na Serra do Cume, então em terra, dificilmente se repetiriam. Um inesperado furo, com o qual, ainda assim, nunca refreou o andamento em pleno troço do Barro Vermelho, retirou-lhe um justo segundo lugar, perdendo a posição para Joaquim do Carmo, num Corolla GT. Até ao final da época seguinte, deixou no ar o perfume de um grande carro com um condutor de igual calibre.

 

Rui Ferreira, ao volante...

 

Carlos Nunes, ao volante...

 

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