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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

After Party.

08.03.14, MSA

Carnaval...para o ano há mais.

 

Passada a folia do Carnaval, e eis que se folheiam os jornais atrasados, mirando, sob outro olhar, até aqueles títulos que estavam nos balcões dos cafés ou das sociedades pelas manhãs do Rei Momo. Quando é Carnaval, ninguém leva a mal. Passada a folia, convém rever as entrelinhas, e perceber o que se passou sob as máscaras, as tintas e as quadras bem jeizadas.

Para lá do recuo na construção de um cais de cruzeiros em Angra, destacou-se o grito de revolta dos empresários terceirenses - sim, os mesmos que tantas e tantas vezes se resignam aos trâmites do poder - pela falta de investimento público na ilha de Jesus Cristo. Pois bem, a resmunguice pode ter corrido bem - falou-se mesmo em desinvestimento insustentável -, mas o certo é que caíram o Carmo e a Trindade para os lados do Oriente e a resposta não se fez tardar.

A talho de foice, recordo apenas o silêncio, tantas vezes recorrente, destes mesmos empresários face aos milhões em dívida do erário público regional sentidos pelos seus próprios cofres. Ou até pelo atraso inefável no cumprimento das promessas que nos tocam. Mas que se entenda então quem rebateu a revolta, de tão elevado tom, e com tantos protagonistas, nos dias que antecediam o Carnaval.

Do alto da sua cadeira de líder dos empresários micaelenses, um reputado economista desfiou um rol de dados que deixam sem resposta o menos entendedor desta autonomia que tanto se propala para unir e defender os Açores. Afinal, e por ter apenas 22% da população regional, a Terceira deve é calar-se bem caladinha, pois até recebe bem mais do que devia... E metam lá a viola no saco, que bailinhos só para o ano.

Ora, na mesma semana em que entrou a Quaresma, ficou-se a saber que os fornecedores de medicamentos para o Hospital de Angra fizeram um ultimato à tutela, apenas entregando mercadoria mediante o pagamento a pronto. Uns dias antes, e com a elevada pompa e circunstância do costume, era anunciada a construção de dois ferries para a Região, num investimento brutal, e sobre o qual logo se insurgiram vozes conhecedoras. Quinze anos e 150 milhões depois, ainda se procura o sistema ideal para transportar passageiros e viaturas nas ilhas de bruma. Pelo que é neste arquipélago a dois tempos que nos vamos habituando a - também - viver o sabor de depois da festa...

 

PS- "Com papas e bolos se enganam os tolos"... foi mais ou menos neste dito popular que pensei, ao ver o video do edil de Angra a participar numa bem encenada rábula sobre as térmitas no Teatro Angrense. Penso que a piada do pequeno enredo - que até a teve - devia ser passada à letra e metida na caixa do correio dos angrenses - e não só - com casas em risco de ruir, e que há anos se debatem com a morosidade e a ineficácia dos apoios governamentais. Assim riamo-nos todos...