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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

29.Jan.10

O pato, a baía e os ilhéus...

Este (pequeno) texto peca, logo de início, pela falta de actualidade, uma vez que se refere à manhã de ontem, pelo que o atraso de 24 horas o poderá deixar logo com menos graça. Isto na acepção de quem, profissionalmente, tenta primar por revelar as coisas em tempo útil...

Apoiada em algumas fotos está esta pequena estada na baía de Angra, uma paragem de alguns minutos mas que deu para pensar e apreciar. O dia estava de sol e sombras, tal qual os lugares de bancada numa tourada de praça, e os garajaus eram o som ouvido junto ao Cais da Figueirinha, onde partilhei uns momentos com um pato, possivelmente um dos que "habitam" a marina da cidade e que rumou mais adiante para se proteger do vento. Isto penso eu, pois o pato, que tentei (sem grande éxito...) fotografar de vários ângulos, pouco ou nada me ligou na sua introspecção matinal. Quando muito bateu-me as asas umas duas vezes e vazou de água aquelas narinas de pato que tinha no bico (também de pato)...

O pato mirando os Ilhéus das Cabras...

Realmente o pequeno animal parecia apreciar a paisagem, se bem que a minha presença o incomodou visivelmente. Mas não de modo a que deixasse de olhar a baía, tocado a vento e balançando as suas patas (de pato), ou que se concentrasse nos ilhéus que, a uns minutos de voo, lhe deviam parecer inacessíveis. É que a ondulação fazia adivinhar não ser essa a actividade ideal para a manhã. Enquanto o rodeei de disparos fotográficos - foram umas doze fotos, mas todas no mesmo modo e "afinação", pelo que o resultado me decepcionou -, aproveitei para também respirar o ar marítimo que nos entra pela cidade e ao qual pouco ou nada ligamos. Ou mesmo à ameaça oficial que paira sobre o que resta da defesa quinhentista e que querem transformar num recanto turístico ao nível do Pacífico ou do Mediterrâneo. O que o tempo de ontem bem indicava não ser tarefa fácil. Mas de iniciativas do género estão as cabeças mandantes cheias de pensar, pelo que logo interrompi essas divagações e me foquei novamente no pato que, longe do reboliço das gentes da cidade, mirava a baía, possivelmente sem saber estar perante vestígios de naufrágios distantes, nos quais possivelmente pereceram outros patos...de há muitas gerações atrás. Nestas gerações de agora, o "pato" é mesmo o povo, sobre quem os governantes mandam e desmandam neste verdadeiro manancial de propostas e contra-propostas que deixam as cidades esventradas. Valham-nos os patos a sério.

O pato em olhar contemplativo à baía de Angra...

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