Espaço(s)...
Há exactamente uma semana, e por motivos profissionais - acompanhava a visita de dois candidatos a deputados na Assembleia da República pelo PSD/Açores -, visitei o estabelecimento prisional de Angra do Heroísmo, ou seja a cadeia, a mesma de que desde sempre passei à porta mpara seguir ao cenro da cidade, pois está situada a cerca de 300 metros da nossa casa, e que confesso me despertou sempre alguma curiosidade. Já não a tenho.
Espaço projectado, e na altura com elogios de ser do melhor em Portugal em termos de estruturas do género, nos anos 50, a cadeia de Angra foi construída para uma lotação de 25 detidos, que se poderiam estender a cerca de mais uma dezena. No dia em que lá estive tinha 65 presos (61 homens e 4 mulheres), sendo que já passou dos cem na ocupação máxima e há uns anos atrás. O novo edifício a construir na Terra Chã, atente-se, terá capacidade para 170 presos fixos.
O espaço é exíguo, completamente aproveitado ao centímetro, velho nos acabamentos, mas impressionantemente limpo, assim como a pacatez parece reinar nos dois pisos com celas de cada lado, na área livre onde seis reclusos/trabalhadores nos cederam a vez de entrar nos seus aposentos, e onde não caberíamos todos certamente, no pequeno "armário" onde dormem quatro mulheres adultas, uma delas senegalesa, na pequeníssima mesa com três cadeiras onde elas comem, no refeitório diminuto onde se alimentam os restantes, nos pátios de paredes altas e aflitiva distância ao sol. Vi algumas caras conhecidas, mas custou-me cumprimentar alguns daqueles homens, muitos deles ali a pagarem por inconsequências da vida, outros com ar certo de que lá voltarão...mal saírem. Poderia estender a descrição de uma das visitas - em tempos de reportagem ou assessoria - que mais me marcou, mas fico-me por aqui. Tal como na cadeia de Angra, não há mais espaço.