23.Abr.09
As notas "soltas" do 28º Rali Sical
A luta incessante pela Formula 3 foi um dos pontos quentes do “Sical”, com Marco Veredas e Tomás Pires a, justamente, alcançarem a vitória, se bem que a concorrência mais forte, no caso de Fernando Meneses e Artur Silva, nunca tenha desarmado. E se o homem do Saxo branco ainda forçou até à derradeira especial (terminando a 2,2 segundos de Veredas), já a sorte nada quis com o jovem valor de São Mateus que, momentos antes de sofrer um violento despiste, terá sido cronometrado com uma vantagem de dez segundos sobre o Saxo vencedor… isto quando, à geral, tinha um atraso de 7,9 segundos face ao comandante! Foram os três inacessíveis aos restantes durante quase todo o rali…
Mas nem só na F3 a animação prometia já que, na categoria “acima”, a luta podia ter animado, não fossem o ritmo muito forte com que Olavo Esteves começou a contenda, o atraso inicial de Sandro Andrade - a contas com os pneus e os travões do Punto HGT -, ou a desistência prematura de Cláudio Cabral, Augusto Ferreira e Diogo Silva. Tudo se reuniu então para uma clara vitória do homem da Praia da Vitória, que ganhou definitivamente a “estrelinha” de campeão.
No dia anterior ao início do rali a Câmara de Angra presenteou as equipas do concelho com o prometido apoio ao nível do sistema HANS e das licenças desportivas. A iniciativa “Angra em Velocidade”, que teve uma apresentação cuidada a cargo da “Olavo Esteves Competições”, foi destacada pela edil Andreia Cardoso como uma forma de ajudar ao desenvolvimento da modalidade sendo que, na realidade actual, as preocupações regulamentares com a segurança são fundamentais, daí o apoio concedido…e que as equipas bem agradeceram.
O Team Porto Judeu foi uma das novidades do rali, com os pilotos daquela localidade (Francisco Costa, Alexandre Melo e Artur Borges) a exibirem o apoio dado pela junta de freguesia para as licenças desportivas e formando uma só equipa. Depois do sucesso do Team Praia da Vitória, e na mesma prova em que se estreavam as quatro duplas do Team Lagoa/Com Vida, também Vila Franca do Campo marcou presença no Lancer de Pedro Câmara…intitulando-se mesmo como “a nova cidade”…
-O SATA Rali Açores não terá transmissões em directo da estrada através do canal Eurosport, conforme chegou a estar previsto. A prova do GDC, este ano pontuável para o IRC, e que apresenta uma bem recheada lista de inscritos viu alguns pormenores técnicos, e o forte investimento necessário, como impeditivos para que as transmissões fossem uma realidade, conforme já referira a organização, sendo que Sete Cidades e Tronqueira seriam os troços visados. “Apenas haverá cobertura do Parque de Assistência”, disse Anthony Peacock do Gabinete de Imprensa do IRC, confirmando o que o GDC depois avançou em conferência de imprensa.
No final das verificações técnicas o novo espaço da “First Stop” recebeu uma equipa estreante nas andanças dos ralis. Armados com inúmeros acessórios, entre os quais dois garrafões-extintores, um saco de papos-secos, um molhe de cabeças de alho no retrovisor, uma serra corta-cintos ou um pneu de bicicleta para remediar qualquer furo, os “Fala Quem Sabe” animaram o local com a gravação de parte do episódio da próxima semana, que será dedicado aos ralis. De fato de competição e as habituais botas, Ramiro, Batista e Silveira tripularão (os três!) o Corolla GT de Isaías Costa e pareciam já prontos a “andar”, numa performance onde o comissário técnico João Paulo Rocha se portou à altura entre os três homens da Bica Seca…
O novo programa “Rodas & Motores”, da TV Azores Global, teve honras de divulgação no Clio de João Paulo Simões e António Pires, que estrearam as cores de apresentação daquele espaço. O carro foi disponibilizado, para o efeito, pela “Olavo Esteves Competições”, dando uma outra visibilidade a um espaço que se espera manter.
A transmissão via-internet da TV Azores Global foi novamente um sucesso. Cerca de 5 mil acessos únicos ao longo do rali premiaram o grande esforço de uma equipa que levou aos quatro cantos do mundo as imagens da prova. Foi possível, para quem não estava com a estrada acessível, ver passar os concorrentes em cerca de 15 locais diferentes, sempre em tempo real e com a classificação comentada e actualizada. Deu trabalho, mas valeu a pena…
A expressão de felicidade de Ricardo Moura vai-se tornando um hábito a cada vitória, e com esta já vão quatro na contabilidade pessoal do campeão. Mas o pódio de sábado teve uma estreia nos festejos, com a pequena Alice a acompanhar o pai junto do EVO9 “Além Mar”, tendo sido mesmo ela o primeiro “alvo” dos festejos da equipa à chegada ao centro de Angra…
O Rali Sical terá sido a prova mais atribulada da carreira de Carla Rosado e Marta Areia. As ex-campeãs femininas despistaram-se na primeira do Barro Vermelho, tendo o radiador do Saxo ficado afectado, o que obrigou a “desenrascar” soluções no final da PE para poder rumar à assistência, e tendo daí resultado a queda na tabela, onde em condições normais rodaram sempre muito depressa e dentro dos 20 primeiros. Na segunda passagem pela Vila Nova, um furo hipotecou poderem apanhar Raquel Rodrigues à geral, sendo que a roda mudada acabaria mesmo por “saltar” na Serra do Cume, originando uma busca inglória entre silvas e arbustos…até aparecer um espectador que tinha apanhado a dita umas dezenas de metros mais abaixo!
Os dois clássicos em prova eram um regalo às vistas dos aficionados dos automóveis. Tanto o Kadett de Carlos Borges, infeliz desistente já com a meta à vista, como o Escort de Adelino Sousa (na imagem) se apresentavam em excelente forma, sendo que o carro inglês era a novidade, depois de ter passado pelas vitórias com Mário Garcia, posição que acabou por repetir desta feita.
Pedro Câmara foi uma agradável surpresa no asfalto terceirense. O “show-man” de Vila Franca do Campo vinha rotulado, e todos pensavam que iria andar acima dos limites da estrada. O que se viu foi um piloto muito consciente e em constante aprendizagem dos pisos e troços, a fazer bons tempos, e a quem apenas um azar fatal com a embraiagem do Lancer terá roubado o fecho do Top-5.
O regresso de “Licas” Pimentel aos ralis da Terceira foi acompanhado de um andamento muito vivo do veterano micaelense, um homem sempre activo na forma de encarar as provas e de acompanhar as novidades. Na entrega de troféus, realizada – e bem – na sede do clube, o TAC decidiu homenagear o piloto que, como sempre, soube ser agradecido e companheiro das gentes da Terceira…que sempre o receberam com carinho, numa carreira que promete estar longe do fim.
Entre os homens dos troféus monomarca a animação não foi muita para a vitória. Entre os Saxo OEC/Auto Avelino apenas Fernando Meneses fez momentaneamente frente (no Litoral) à liderança de Marco Veredas, enquanto no grupo N Rui Rocha seguia isolado. Nos Toyota OEC/Copitu 2 “Toni” Ortins ainda esboçou ser líder, mas um despiste impediu a luta com Teófilo Pires, que venceria sem grande oposição de Paulo Leal. Entre os Clio OEC/Açorlanda, Alexandre Pires pouco andou no regresso à competição, deixando Sérgio Cardoso descansado, e isto mesmo se entre a concorrência tenha havido grandes melhorias de tempos.
De entre os VSH presentes no “Sical” era impossível resistir ao aspecto do Corolla GT de Jorge Sousa, um carro a culminar meses de trabalho aturado numa recuperação espantosa. O bom gosto e a qualidade dos materiais eram visíveis, mesmo sabendo que, nas 24 horas que antecederam o rali, o carro japonês “apagou” dois motores, o que obrigou a horas de trabalho árduo para a reconstrução de mais um propulsor de forma a alinhar na prova…onde o Toyota não se coibiu de fazer “calar” mais um 1600…
Diogo Silva e Paulo Leal bem se devem ter “benzido” com a escolha do local pelo Clio RS amarelo para perder a roda da frente do lado direito…em andamento! Uma recta onde, felizmente, pneu e jante não atingiram ninguém, assim como o carro francês ficou, pouco depois, pronto a rodar pelos seus meios. Mas lá que foi um susto, foi…
O muito público é uma constante nos ralis terceirenses, sendo que a curva da âncora e a subida da Tercon (troço do Litoral) costumam “esbanjar” em número de pessoas presentes. Na sexta-feira passada o fim de tarde não foi excepção e, mesmo sem contabilidades certeiras, todos diziam ter sido a maior enchente de sempre. Também nos pareceu.
E, falando ainda de público, uma nota final para a chegada do rali na Praça Velha. Pese embora a dificuldade de estacionar e o facto de haver espectadores que ficam na estrada até o último carro passar, há cada vez menos gente a ver os concorrentes na sala de visitas de Angra e aquando da festa do champanhe. E o facto é que até as palmas iam faltando à chegada deste “Sical”, deixando no ar se não estará esgotado este modelo de terminar as provas. Já por uma vez propus a arena da Praça de Toiros de Angra como uma hipótese a considerar, mas esta será apenas (mais) uma sugestão…
(Fotos: Ricardo Laureano, porto das pipas PRESS e Gab. Imprensa CMAH)