Saudades de Almanaque.
Confesso que só há uns dias o folheei embora, e mesmo assim já atrasado, o tenha comprado há já umas semanas. Falo do "Almanaque do Camponez", o mais lido "nos Açores, Madeira, Américas e Canadá", cuja publicação dura há 92 anos com os dados exactos de sementeiras, colheitas, procissões e romarias, entrelaçando informação com artigos de fundo sobre aspectos da região e úteis conselhos. Ao todo são singelas 28 páginas que, desde pequeno, me habituei a ir lendo, às vezes até já passado o ano de publicação.
Na verdade o "Almanaque" foi várias vezes parar lá a casa por "encomenda" da minha avó Mariinha que, sabendo da edição célere do Senhor Lester - durante décadas o responsável pelo pitoresco livrinho - me via sair de casa por Janeiro e dizia: "Miguel, se te lembrares traz-me o Almanaque...". A ida à cidade passava então pela "Loja do Adriano" ou pela "Casa de Utilidades", fíeis distribuidoras do dito. Não sei quantas vezes o fiz, mas até terão sido poucas, face à funda nostalgia com que hoje passo aquelas folhas e relembro as plantas, as comidas e as frases feitas de uma avó que me faz falta...