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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

Para os lados do associativismo juvenil... (crónica)

28.03.09, MSA

O cartaz do certame (ENAJ)...

No passado fim-de-semana, e na qualidade de vice-presidente da “MAR BRAVO-Associação Juvenil”, estive em Lisboa para participar no 10º Encontro Nacional de Associações Juvenis (ENAJ), certame realizado no Centro de Congressos da capital e que juntou cerca de 1500 pessoas, com 1000 delas dirigentes de quase 300 associações representativas de 18 distritos e das regiões autónomas, neste caso apenas dos Açores, que tiveram mais de duas dezenas de agremiações presentes. Ambos os acontecimentos integraram a Feira da Juventude – Spot.
Com o mote “Liga-te!”, o evento a cargo da Federação Nacional das Associações Juvenis (FNAJ), assentou na busca de um papel mais activo das associações nas políticas de juventude, mesmo sabendo-se que as mesmas enfrentam uma carga burocrática manifestamente excessiva no relacionamento com a administração pública, uma referência que foi comprovada pelo presidente da FNAJ, Luís Alves. À “barreira” respondeu a organização do encontro com uma avaliação desse relacionamento, que avançará agora para a elaboração de um programa de políticas de associativismo, a ser entregue a todas as forças políticas e instituições, na perspectiva das eleições legislativas deste ano e das possíveis alterações que daí possam advir para o sector. Mas, para além da avaliação, o encontro nacional promoveu ainda importantes contributos para esse programa, nomeadamente com a inclusão de preocupações eminentemente municipais, e onde a participação dos vereadores da Juventude das câmaras municipais de Bordéus (França), Barcelona (Espanha), e de um vereador da câmara do Porto, permitiu aferir novas experiências, de forma a informar o associativismo português das melhores práticas europeias em matéria de políticas de juventude para as cidades e concelhos.
Paralelamente ao ENAJ realizou-se mais uma Mostra Associativa, onde uma panóplia de organizações, associações, entidades diversas e até empresas divulgaram várias iniciativas e produtos, abarcando temáticas variadas como a saúde e o desporto, a arte e a informática, ou mesmo uma curiosa aula “assistida” do modo real de fazer “graffitti”, possivelmente um dos extremos mais interessantes da mostra. Numa apreciação meramente pessoal, e garantindo que por motivos de idade não alongarei pelos tempos a minha recente adesão a este “mundo”, posso destacar que a associação que represento seria, sem grandes dúvidas, a mais jovem do certame, não tendo sequer ainda a sua imagem definida – uma vez que essa está a cargo dos alunos de diversas escolas da Terceira por onde passa um concurso ainda a decorrer… -, assim como denotei a excessiva idade de grande parte dos muitos dirigentes de passagem pela antiga FIL. Não que isso me tenha chocado minimamente, mas os contrastes etários foram, sem dúvida, o que mais estranhei no meio de tanta gente, vinda de todo o país. De resto, e no tocante à organização a cargo da FNAJ, talvez uma maior interactividade fosse necessária ao nível dos debates propostos, pois algum “abandono” da principal sala, ao longo da tarde de sábado, tenha traduzido essa mesma necessidade de mais ligação oradores-público, mas esta é apenas uma opinião. O primeiro dia do evento encerrou em festa, embora aí confesso ter sido mais atraído pela noite lisboeta, sendo que os grupos “peixe:avião” e “Deolinda” antecederam uma festa “Antena 3”, aliás a rádio que suportou o espaço sonoro anexo aos debates e workshops.
No Domingo, e em tempo de fecho, espaço para as presenças do ministro da Presidência e do secretário de Estado da Juventude, governantes que se juntaram num apelo aos jovens para um maior empenho na qualificação dos trabalhadores e na modernização de Portugal, factores considerados essenciais para o país no futuro. Segundo o ministro, e “neste momento de crise, são necessárias respostas políticas urgentes, mas o mais importante é não desistirmos daquilo que é essencial para o país no futuro: a qualificação e a modernização”, disse Pedro Silva Pereira, sublinhando que nenhum país pode avançar “de costas voltadas para os seus jovens”, pelo que a participação dos jovens e das associações juvenis na modernização do país foi o recado final que melhor se entendeu em forma de pedido, se bem que a diferença no relacionamento das associações com o Estado nos últimos quatro anos, deixando “de se caracterizar pela arbitrariedade, simpatia pessoal ou política”, oumesmo uma atribuição de subsídios “que passou areger-se por critérios claros e justos” tenham, no meu modesto horizonte, “cheirado” depois a um “mea culpa” claríssimo da tutela vigente. Quanto a Laurentino Dias, que se congratulou com a constatação, pelas associações, dessa mesma “transparência na relação com Estado”, o excesso de burocracia foi coisa admitida, e com promessas de correcção “a curto prazo”, ou seja mais um “pecado” assumido que ficou na retina.
Com tais garantias para os tempos próximos e uma frontalidade que, reconheço, não sei ainda se existe ou não, resta-me desejar que a “Mar Bravo” possa, em 2010, ser uma das associações a apresentar trabalho feito e projectos futuros no mesmo certame, pois apenas distes últimos consta para já a nossa actividade mas, tal como o seu nome indica, não deixarão as ondas de correr rumo a terra firme…

 

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