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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

16.Fev.07

Quem é! Quem é! Quem é que está aqui! (crónica)

A C.O.T.E. de 2007: Sebastião Medeiros, Miguel Sousa, Álvaro Dentinho e João Baldaya...

É sempre com um carinhoso sentimento de propriedade que falo da Tourada dos Estudantes. Já escrevi esta mesma frase, mas faço sempre por repeti-la, aliás porque – ano após ano – a vontade indicia um curto texto sobre o tema. E afinal a que se deve este gosto por uma tradição que até nem é entendida por alguns? Pois respondam os que a sentem intensamente e que, décadas depois de por “lá” terem andado, vão dar corda à nostalgia ali para os degraus da Sé ou recordam com saudade marradas antigas, sentados nas bancadas da Monumental “Ilha Terceira”…

Pois é isso mesmo, a Tourada dos Estudantes de Angra ultrapassa gerações. Das suas dezenas de anos de História fazem parte largas centenas de figurantes, uns mais principais que outros, tendo mesmo o seu seio servido de cenário para atitudes ou comportamentos indicativos de um futuro mais ou menos risonho...de maior ou menor destaque. A crítica mordaz tendência futuros “opinion-makers”, sem sequer se alvitrar que, naquele mesmo simples desfile, ou naquela simples Garraiada de redondel, foi esse mesmo o papel de todos eles: Foram críticos da sociedade que os move, mas aprofundaram muitas vezes o seu conhecimento sobre um determinado tema para poder tratá-lo com a graça desejada. Do aprimorar de uma fantasia à criação de uma quadra, do pintar de uma fachada ao retocar de uma construção que apanhou chuva, tudo isso é Tourada dos Estudantes. O preparar de uma faena destemida, o encarreirar de uma pega rija, o despontar de um bezerro que vai vingar à corda, ou um câmbio a anteceder um ferro de futuro, tudo isso é Tourada dos Estudantes. Como também o é o simples facto de querer reviver (como na vida) o que apenas se pode recordar.

Tive a oportunidade de, há uns dias atrás e entre amigos, realçar a passagem de dez anos sobre a Tourada em que fiz parte da Comissão. Sendo os membros da C.O.T.E. (Comissão Organizadora da Tourada dos Estudantes) o rosto visível do evento, é sempre através das suas acções que se pode determinar o sucesso de cada Garraiada. Pois o empenho de cada um destes grupos tem-se vindo a superar ano a ano. A par com a melhoria de condições em determinadas áreas, parece passada a crise de activos na Tourada do nosso Entrudo. A juventude do Liceu de Angra, que se prepara para – daqui a uns meses, que nunca se sabem quantos… - ser dividida em mais que um estabelecimento de ensino, tem acorrido à chamada e retomou de vez o gosto pela festa do Domingo Gordo. Pode dizer-se que é sempre o mesmo, que bebem umas “coisas” e que andam por ali meios tontos a fazer “figuras”…ora debatam essa ideia com quem assumiu o papel de por “lá” passar, e sabe o esforço que é – mesmo nos dias de hoje – levar avante um espectáculo que tem tanto de popular como outros bem mais publicitados. Bem me lembro, já lá vão também uns anos, de apresentar um trabalho (para a cadeira de Antropologia, na Escola Superior de Educação do Porto) sobre a Tourada dos Estudantes. E bem me lembro de daí ter nascido uma curiosidade imensa pela tradição taurina da nossa terra, que bem vê nas suas gentes jovens mais urbanas o gosto fomentado por um Domingo “pançudo” que nunca mais se esqueceu. A pergunta mais comum referia-se ao interior amarelado das garrafas do Cortejo. Pois lá está outra tradição que se adaptou à Tourada…e só é pena a infelicidade gráfica do rótulo actual…

Mas da apresentação do referido trabalho pude aperceber-me, pelas reacções alheias, que a dimensão da Tourada dos Estudantes era por demais comparável a uns quantos desfiles ou corsos por esse país fora. Com o cunho da originalidade a pender favoravelmente para a “graça” da Cidade Património…

Mas com o entusiasmo, e é disso que agora vou falar, ia-me desviando do que queria este ano realçar. E é mesmo entusiasmo…o mesmo que vejo nos olhos e sorrisos de todos aqueles rapazes e raparigas que aguentam a levar esta tradição pelos anos fora. Com o papel “delas” a crescer fulgurante até da trincheira para dentro, vejo alegria no Sebastião, no Miguel, no Álvaro ou no João, ilustres membros da C.O.T.E. que, daqui por uma década, espero possam recordar a amizade nascida ou reforçada por estes meses de trabalho. Espero também que se continue a primar pela originalidade e até por alguma disciplina, não indo ao extremo de querer dar instruções sobre como devem comportar-se os cómicos ou quantos devam entrar em praça. Mas apenas apelando ao bom senso e, já agora, a não fazer dos meus as acções dos de agora, para se eliminar a frase “Ano de Comissão, Ano de Sifão” no que aos que ainda estudam diz respeito…

Desejando sinceramente um olho alegre de São Pedro no dia escolhido para a Garraiada, nem me “estico” mais nas sensações ou na tentativa de retratar uma realidade que só por “dentro” pode e deve continuar a ser explicada. Não me vá faltar assunto para o artigo do ano que vem…

Viva a Tourada dos Estudantes!