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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

17.Nov.06

Porque não está Vento... (Para a Rosário)

Uma imagem...apenas para suavizar o que sinto...

Pois é, amiga, nunca sabemos o que nos reserva esta vida. E nunca conseguimos acertar na forma certa de nos fazermos gostar e de o transparecer para os outros. Nem, se calhar, isso importa. Temos juntos um saldo tão grande de sorrisos e de afagos, de recordações e bons momentos que, por certo, podem minimizar as amarguras de um desgosto ou de uma realidade menos feliz. Pelo menos é assim que pensamos. E isso é comum a todos nós. Aos nossos, aqueles que queremos com mais afinco e sobre quem não admitimos que corra a mínima aragem agreste. E mesmo aos outros, anónimos que nos preenchem a vida com a visão mais ou menos clara dos dias. Não queria era escrever isto para ninguém, nem para os próximos nem para os afastados, mas é talvez a única maneira egoísta que encontro de reprimir as lágrimas e de relembrar a saudade de um beijo na testa a desejar tudo de bom. Há tão poucos dias. Um entre muitos trocares de olhos que apenas a cumplicidade permite, e aos quais nos habituamos como fazendo parte da alma. As sensações mais cruzadas atravessam-nos agora o coração, e nada do que for dito servirá para aliviar essa alma, de tão mal habituada vai ela ficando por saber gostar. Por encontrar, aqui e ali, pontos quentes que fazem reluzir noites e luas.

E, logo agora, que te brilhava sim a vida no olhar. Um olhar sempre atento e que também sorria. Como os afagos, as recordações e os bons momentos. As memórias de meninos, as descobertas de jovens, os obstáculos da idade adulta e a consagração como homens e mulheres. Enfim, a eterna dificuldade de tentar ser…como os outros, mas mais como nós. E de um misto de ternuras se formam as pétalas de uma flor que se chamaria amizade. E que nem foi preciso ir regando, pois aparecia naturalmente. Apenas aquecida pelo sol. Apenas refrescada pela água e sal de um mar que agora sentimos na cara.

E mesmo esse sol veio hoje cá abaixo visitar-nos em surdina. Parou a chuva e levantou-se um silêncio em que relembramos uma voz e um sorriso. E como dizias, na tua piada de pequena do liceu, há já muitos anos e quando alguém se “descaia” na gramática: -Tu és a vento…e  não está vento…

Pois é, amiga, e hoje nem esteve vento. Levou-te em descanso a Paz que te desejamos. Abraçou-te o destino, mas nunca com a força que vamos sempre sentir a pensar em ti. Fica bem, minha querida…

 

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