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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

26.Jun.06

Um Poema para o dia 26 de Junho de 2006.

POEMA À FESTA (Miguel de Sousa Azevedo)

Bonito quadro do espanhol Pedro Soler...

É o cheiro quem primeiro aparece à porta da Praça.

Cheira a ansiedade, a temor

A Festa feita de amor.

 

Toca a corneta e galopam os corações

Há cortesias, reais tradições,

Do moço de espadas ao artista de fama

A todos incendeia o toureio, a faena

Nenhum está ausente da trincheira

Nem tem o peito em retiro

Pois já Lorca escrevera a “Paquiro”

Fazendo das letras pincel

E em poema de paixão

O pintou toureiro em cartel.

 

E mal é pisada a terra da arena

Todos se agitam em curioso suspirar

É deles o espectáculo

Por eles vai a arte rodar

Por eles vai o toureiro brilhar

Por eles um nasceu toiro e virou estrela

O animal, o mote da função e da riqueza

Do voltear de almas, lenços, lágrimas e certeza.

 

Pois a Festa é brava e mansa

Pois nela o peito se nos avança

Sentindo fundo a alegria

Batendo de alto a tristeza

De estar presente na tela

De respirá-la por sã natureza…

A Festa que a todos alcança

O Toiro que ataca em pujança

O golpe certeiro ao capote

O cavalo que gira em galope

O ferro que se pára certeiro

O Forcado que pega primeiro.

 

A bandarilha solitária que recorda arte ao vento

A imagem dorida que faz reviver o momento.

 

O altivo som da música que premeia pelo meio

Uma actuação que se valeu e abriu sem esteio.

 

Um salto da flor que arranca da bancada

O último gesto da capa, a gosto, quebrada.

 

Belezas, emoções, cores, vidas, tentações…

Porque esta Festa é tudo isto e Vida. Olé!

-Publicado na edição especial 10 ANOS da Revista

"FESTA na ILHA" (Tertúlia Tauromáquica Terceirense).