II Rallye Capital do Queijo/Fajãs abre época açoriana de 2026 (DI)

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A Terceira encontra-se feliz e engalanada de sorrisos, as mãos aguardam sair dos bolsos para aplaudir os artistas, preparam-se assaltos e petiscos. É isso mesmo, o Carnaval está aí!
Desde os tempos de criança que me encanto com o Carnaval. Ou com os Carnavais, que nesta terra de Jesus Cristo há imensas formas de marcar e perpetuar a época. E tenho a felicidade de tropeçar, entre rimas com pronúncia e sambas importados, em todas elas.
Pelo mundo fora, a quadra do Rei Momo é assinalada com grandiosidade e modos originais, tendo sempre como traço comum a alegria pré-quaresmal. E, cada vez mais, o mote de que “no Carnaval ninguém leva a mal” vai funcionando pois, convenhamos, no resto do ano os povos andam impacientes e mal-agradecidos.
Nesta ilha central e de costumes fortes, a energia carnavalesca ultrapassa em muito o facto de o melhor da festa ser esperar por ela. Mesmo se uma percentagem grande da nossa população conta os restantes dias para se juntar à folia. Que se demonstra a vários níveis, mas sempre com a dentição à mostra e compassos musicais animados.
De cada canto da Terceira jorram autores, músicos, atores e roupas a preceito, num universo de danças, bailinhos e comédias, que correm os palcos sob o sinal das dádivas. A de ter graça e a da partilha, que é tão genuína quanto cada gargalhada que conseguir arrancar.
As sociedades cheias, as polémicas das transmissões online, os bares apinhados, muita sede e curiosidade pelos assuntos e pelas mesas postas. É um mundo que aprecio nos seus vários prismas, também no orgulho de o poder apreciar e divulgar. Que gosto, este nosso Entrudo.
E depois há as horas de fantasias e de pular o Carnaval, uma outra vertente, um tanto saudosa de festas maiores e com organizações trajadas, mas também essa é uma retoma que me parece estar a acontecer.
Tal como num evento típico como a Garraiada dos Estudantes, este ano regressada a passos antigos, com parte séria e muita adesão da juventude local, o que também provoca agrados pela nostalgia. Que será outro dos focos eternos desta quadra de folguedos. Porque no Carnaval recordamos os nossos e os anos passados, com imagens e amores…
Muito mais que atração turística ou produto classificado, o Carnaval tem de ser felicidade. Só assim estes serão mesmo os melhores dias do ano.


“Pronto, lá vem este outra vez falar da Tourada dos Estudantes…nunca mais cresce”, terá já dito um leitor de má língua, ainda antes de ler o texto. E é isso mesmo, respondo-lhe a sorrir. Possivelmente – ralis à parte – o tema sobre o qual mais escrevi por motivação pessoal: a tradicional Garraiada do Domingo Gordo e o seu espalhafatoso cortejo, hoje devido a um almoço de gerações…e que bom que foi.
A verdade é que a dita refeição selou o repto lançado há um ano de juntar o máximo possível de elementos de antigas comissões organizadoras – as famigeradas COTE…e estamos a falar desde a década de 60 até hoje - do vetusto evento do Rei Momo, que na nossa terra pôs os “profissionais do estudo” a cruzar as graças do Carnaval com o gosto pela Festa Brava.
A coisa correu tão bem, que ficou combinado repetir o repasto – e isso aconteceu com o grupo que a imagem mostra -, novamente numa saudável mescla de juventude, meia-idade e muita veterania nesta coisa de viver e de rir. Porque esse é o outro traço comum de toda aquela gente…passar bons momentos a recordar o que avós, pais, filhos e netos já escreveram na história da Tourada dos Estudantes.
Para quem manteve sempre distanciamento do quase-centenário certame não será, de facto, fácil entender a mística que o mesmo encerra. Que perdura pelas décadas, com altos e baixos nos seus sucessos, mas sempre mantendo viva a chama que atravessou regimes e crises, que criou brincadeiras e pantominas à conta dos mesmos, que fomentou memórias e que ainda hoje sobrevive pelas letras e pelas imagens.
E assim se criou mais uma imagem para essa longa sucessão de episódios, uns já meio esquecidos, outros sempre lembrados e recontados, e outros a que os tempos terão acrescentado algum tempero, mas que fazem já parte dos anais da Garraiada. Sem trocadilhos nem emendas.
E a próxima está aí à porta, refeita de anos de tremedeira e pouca adesão, com novos contornos e velhas graças, com um tronco comum que quer regressar às origens, saudando-se o regresso de um cavaleiro amador ao cartel dos nossos humores. Mais os cómicos, os forcados, os peões de brega e os pastores.
Já está decidido que, depois da Exposição de 2025, se vai trabalhar num livro que retrate para sempre o que já foi a Tourada dos Estudantes. Precisamente para responsabilizar – no significado mais meigo que a palavra possa ter – as gerações de amanhã a manter esta animação sem data. E que se quer sem fim.
Este ano são o Tomás, o Raúl, o João e o Henrique a tomar conta do festim. Para o ano serão outros…e haverá novos almoços, saudades e olhos brilhantes. Porque fazer por gosto até cansa…mas consola, como se diz por cá. (que) Viva a Tourada dos Estudantes!
