CPR-2RM. Lisboa

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Tem sido magistral a operação de marketing e nostalgia do Grupo Stellantis em torno do regresso oficial da Lancia aos ralis, cujo ponto alto se calcula para o lançamento do Ypsilon Rally2 HF Integrale, rumo ao Campeonato WRC2 do próximo ano, e quem sabe se não haverá ambições ainda maiores. Para já, o sucesso comercial do Ypsilon Rally4 é inegável, com a marca italiana - ou o conjunto de marcas internacional, será mais justo - a dar-lhe um subliminar look de diferenciação, a que se junta toda a campanha de saudade, a retumbar num êxito de que os ralis bem precisavam. Quando se augura que outros emblemas se possam juntar à caravana mundial da modalidade - que é a melhor de todas, mas cuja promoção mediática parece estar a falhar -, em notícias pouco factuais, é de pensar sobre a forma conseguida como a Lancia/Stellantis vai atuando - recorrendo a um nome mítico como Miki Biasion e reacendendo a chama transalpina dos ralis -, a que mal respondem as restantes, com a única aposta clara e global a pertencer à Toyota, que ainda assim peca por retirar realce ao todo em prol do nicho "GR". Enfim, serão partilhas de momento, de alguém que há dias comprou uma mochila Sparco/Martini Racing, e que ficou (tão) feliz quando ouviu: "Olha, tens um 037 às costas!" ![]()






Para lá da dimensão humana, política, cívica ou académica de Álvaro Laborinho Lúcio, houve sempre duas coisas que nele admirei sem renúncia, o timbre de voz forte e marcado e a forma clara e correta de utilizar as palavras, sem artifícios nem modas tontas. Para além do resto, o mundo está a ficar com pouca gente que reúna tais características...




O país arreia porque alguém esbofeteou alguém, assentando parte da matéria noticiosa da manhã num enredo de mexericos e inutilidades. Estamos a precisar de uma tapona mediática, isso sim... ![]()

Hoje arranca o Rali Vidreiro, a prova que decide o CPR 2025. As cores açorianas voltam a estar representadas ao mais alto nível nas três principais frentes da corrida, o que já nos vai habituando mal, pois as prestações têm sido crescentes em qualidade e entrega. Ao Ruben Rodrigues e ao Rui Raimundo cabe a tarefa de fechar a temporada em grande, depois de um inédito pódio em Chaves. Ao Henrique Moniz e ao Jorge Diniz não se pode pedir mais, no fim de uma temporada em que se firmaram nos melhores portugueses das duas rodas motrizes. Ao "Pedrinho" e ao João Câmara é mesmo dar asas para voar no sonho dos campeões, porque a estrelinha está lá. Um bom rali para os meus amigos...que deste lado há orgulho no que vocês vão fazendo neste, que é nosso, #omelhordesportodomundo





Comecei este texto há umas semanas, logo após a obtenção de medalhas de ouro por Isaac Nader (1500m) e Pedro Pablo Pichardo (triplo salto) no Mundiais de Atletismo de Tóquio, conquistas que muito orgulham Portugal e que fizeram do certame um sucesso desportivo para o nosso país. Só agora o terminei.
E é precisamente na expressão “o nosso país” que me apetece pegar, ao falar sobre aqueles dois soberbos atletas, pois correram e saltaram sob as cores nacionais, apesar das suas origens distintas, que logo motivaram infundadas e ignorantes manifestações de desprezo na extensa lixeira que as redes sociais também albergam.
Para informação geral, mesmo por mera curiosidade, partilho que Isaac Nader – sobrinho do antigo avançado do Farense e do Benfica, Hassan Nader – é um algarvio de gema, nascido em Faro, onde também o seu pai foi futebolista profissional. Já Pedro Pablo Pichardo, campeão cubano e com carreira feita, escapou ao regime da sua pátria natal e naturalizou-se português em 2018.
Estes factos em nada acrescentam ou subtraem ao facto de serem portugueses, como eu e como a maioria dos leitores desta prosa, que só foi escrita porque me irrita sobremaneira a prosápia do purismo balofo, tantas vezes associada aos feitos desportivos, mas que encerra um mal-estar xenófobo e pobrezinho de intenções.
E, se calhar, comecei o texto pelo lado errado, pois visei primeiro os tontos que desvalorizaram os feitos de Isaac e Pedro Pablo, e não as suas prestações notáveis em Tóquio. Isaac Nader assinou uma corrida de grande nível nos 1500 metros, assegurando sempre uma posição de destaque no pelotão, para terminar com uma ponta final do melhor que já se viu, passando de quinto para primeiro, e chegando ao ouro por dois centésimos.
Já o ex-cubano, uma estrela firmada do Atletismo mundial, tornou-se o primeiro português a ser bicampeão mundial da modalidade, ele que já fora campeão olímpico há quatro anos, precisamente em Tóquio. Na Final daquela disciplina, Pedro Pablo Pichardo esteve seguro, mostrando toda a sua valia e batendo mesmo o atleta que mantinha a melhor marca mundial de 2025.
Desde 1995 que Portugal não ganhava duas medalhas de ouro nuns Mundiais de Atletismo, então graças a Fernanda Ribeiro (10000m) e Carla Sacramento (1500m), outros dois nomes de destaque do desporto luso, assinalando-se que distam 30 anos entre os feitos, o que diz bem da exigência daquela competição, há muito disputada de duas em duas temporadas.
O ouro alcançado há umas semanas por Isaac Nader e Pedro Pablo Pichardo tem um significado acrescido, porquanto Portugal vive hoje uma efervescência extremada no que diz respeito à entrada de cidadãos estrangeiros e às trapalhadas legais respeitantes à sua legalização e aquisição de direitos.
Muitos patrocinam a confusão para tentar reinar, coisa que devemos cortar pela raiz, porque os seres humanos são todos iguais, cabendo-nos saber alinhavar o meio de vida mais justo e coerente para todos eles.




...parece que é desta que me meto num avião para ir ouvir música ![]()
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Nesta coisa das Autárquicas, há ligações e proximidades que são amplamente pessoais, daí ter de destacar dois vencedores da noite, que curiosamente partilham o nome próprio. No Porto, a minha segunda terra, Pedro Duarte mostrou que "O Porto somos nós", com um resultado surpreendente, depois de uma campanha distinta e sem alaridos desnecessários. Na hora da vitória, coube-lhe a melhor declaração de que tenho memória, com sobriedade e educação à prova de críticas. Um verdadeiro líder para o norte do país. Na jornada vitoriosa do PSD, também destaco Pedro Santana Lopes, o decano dos social-democratas, que até já andou fora do partido. Um político que, desde sempre, me fez parar para ouvi-lo, e que continua a encerrar do melhor na arte de servir as pessoas e as localidades. "Figueira a Primeira" foi um coletivo de sucesso, sem ser preciso destacar a elevação com que se comportou o ex-presidente de Lisboa e do Sporting. Ia igualmente realçar Isaltino Morais, mas há mínimos...mesmo se é fácil perceber porque é que o homem é imbatível em Oeiras Valley ![]()


Acertei no ensejo de que as duas autarquias da Terceira fossem lideradas por mulheres, na sequência das eleições de ontem, sendo que a minha preferência diferiu dos resultados numa das protagonistas. Mas o povo escolheu, e ele é soberano, como nos ensinam a vida e os sufrágios. Na Praia da Vitória houve um claro reconhecimento pelo trabalho da equipa liderada pela Vânia Ferreira, que terá agora tempo e espaço para continuar a reerguer um Município que encontraram com muitas carências e cujos compromissos futuros ainda terão a nuvem do passado recente. O resultado foi inequívoco e o espírito da sua campanha ainda o valorizou mais. Em Angra do Heroísmo venceu a lista da continuidade, mas tenho de realçar o trabalho de uma jovem candidata como a Luísa Barcelos, que se mostrou combativa e conhecedora da sua terra, antevendo que a cidade e o concelho ainda poderão ganhar muito com ela e com os seus pares. As diferenças verificadas em ambos os concelhos confirmam a firmeza das escolhas dos eleitores, o que também os obriga a uma fiscalização direta daquele que é o Poder mais próximo das pessoas. Como nas anteriores quatro campanhas eleitorais autárquicas em que participei/trabalhei, voltei a conhecer gente nova, gente cheia de ambições para esta Terceira plena de oportunidades e descobertas, gente com sentido de responsabilidade e também de humor, felizmente, pois isso dá bom ar aos dias. O tom geral dos confrontos - salvo seja... -, e a descida clara da média etária dos protagonistas, criam uma esperança diferente na civilidade e elevação das suas atuações num futuro imediato. Que também a médio/longo prazo deve ser uma preocupação saudável. A Democracia continua a ser um cenário com espaços e marcações para todos eles. Aproveitem-na, e bom trabalho para os eleitos na terra dos bravos.
