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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

O reverso da opinião

29.07.25, MSA

Foto Cronica 196DI JUL25 - O reverso da opinião.j

Falar do advento das redes sociais já se aproxima de usar a expressão “novas tecnologias”. Elas já foram, e agora simplesmente são. As tecnologias impuseram-se como o pão nosso de cada dia e as redes sociais instalaram-se nas rotinas de cada um.

Pode-se até ir mais longe e expressar que quem tenta divulgar algum acontecimento nos dias que correm, sem recorrer às redes sociais, estará condenado ao fracasso. Parece exagero, mas bem vistas as coisas, nem é. A proliferação de informação que anda pelas diversas plataformas cresce a olhos vistos, nem sempre boa, muitas vezes nociva, e sendo cada vez mais difícil separar o trigo do joio.

Este será o lado mau da coisa, mas há enormes vantagens no bom uso de uma ferramenta comunicativa tão poderosa. Ainda mais porque está segmentada em várias vertentes, permitindo que o mundo dialogue, interaja, quase respire junto. Para lá dos reencontros e saudades que se matam em tempo real.

São inúmeros os exemplos de sucesso claro, de alegria, de boas vontades, de solidariedade bem aplicada, de festas e felicidade. E, estou em crer, isso será a fatia grande na interação virtual que o tal já-não-advento nos oferece.

Também para quem gosta de dar a conhecer as suas opiniões, o imenso palco que a dita autoestrada criou está aí para ser usado. Aliás, em jeito de graça, pode dizer-se que um teclado será hoje a mais poderosa arma do mundo. O problema é que há quem prima o gatilho sem apontar para nada em concreto…e sem ter a noção do alcance de cada tiro.

Simplifiquemos, afinal esta é também uma opinião, inclusivamente a ser partilhada num meio mais tradicional. Aliás, só quando o texto sai em papel é que o publico e envio. Mas voltemos ao prato onde todos comem, uns com talheres e outros com as mãos, que poderia ser uma refeição agradável, mas que tantas vezes se transforma num enjoo para o dia todo.

As pessoas – falando no geral, não optando pelo particular, mas retratando um facto – parece que deixaram mesmo de querer conversar. Mas ganharam fôlegos imensos para discutir, para se insultarem, para discordarem de tudo só porque sim. Enfim, aproximam-se de um desrespeito generalizado, tão mais perigoso quando o fazem às cegas, viradas para um écran e aguardando reações também tantas vezes sem tino.

Nem valerá a pena citar exemplos mais ou menos recentes em que essa discussão acesa e desnecessária aconteceu a despropósito e sem qualquer ganho. Há dias ouvi um renomado comentador televisivo – lá está, também propalam opiniões, e com grande audiência… - dizer que há uma nova ordem social, baseada na conflitualidade.

E não deixa de ter razão. Já o mundo se revolta em conflitos bélicos, mesmo daqueles em que morrem pessoas e são dizimadas cidades, e vai daí o comum cidadão – sem patente militar mas com um smartphone que é o último grito – desatar às rajadas de impropérios, erros ortográficos e verdades absolutas em prol…de coisa nenhuma!

Mais haveria para escrever, e a prosa até pode ser injusta para a tal maioria dos conversadores pacíficos que povoam as tais redes e afins. Mas há, de facto, uma mudança preocupante no paradigma da socialização e da capacidade de articularmos ideias entre pares. Talvez fosse preciso assim um apagão de quando em vez…

184 O reverso da opinião - DI 29JUL25.jpg

75' Cinquentões - Pedro Bartolomeu

24.07.25, MSA

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Mais um cinquentão de 75, certamente o que tem a maior coleção de troféus e títulos, o Pedro Bartolomeu. Acho que nos conhecemos quando ele começou a correr, sendo que nunca mais parou, passando por várias modalidades, com resultados de relevo...e continua! Parabéns, Peter, aguenta-te sempre! 😉
 
Vou ver se dou nota de todos os amigos próximos que passarem o meio século neste ano de 2025, em que também me calhou essa sorte. Alguns já não terão tal felicidade, mas o certo é que os guardamos serenamente no coração. Ah vocês, parabéns! Abraços🎉🎂🍻
 

Grama

22.07.25, MSA

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É só para dizer que grama é como o Rádio Clube de Angra. É masculino. Obrigado 🙄🤗

Bettencourt. Música no sangue

20.07.25, MSA

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Penso que o Rui Caria não se importará de eu ter "raptado" uma das suas fotos de ontem para ilustrar algumas linhas sobre o concerto da Família Bettencourt, no CCCAH. Música pura, tocada, sentida e partilhada na hora, por gente que a vive como o sangue corre no corpo...é uma das definições possíveis. Não tem cá que haver rodeios nem amuos, a Música cobre tudo isso, e será possivelmente a manifestação artística que nos toca mais emotivamente. E o resultado de um novo encontro de gerações dos Bettencourt foi um espetáculo de potência elevada, bastante abrangente, num repertório diferente dos anteriores, mas sempre com o mote da qualidade estampado em palco. Não sou muito de marcas, mas às tantas fixei-me na trilogia Orange/Ludwig/Marshall - no meio da banda, com a bateria incluída - e dei por mim a ver o concerto como vejo Futebol ao vivo, fixando-me por momentos em cada executante, de per si. Havia felicidade lá em cima, e naturalmente interpretações das mais capazes, pois há ali artistas de outras ligas. Sem individualizar, sem destacar músicas, sem fazer comparações, gostei muito e voltava já hoje. Parabéns.
 
PS-Faltou bebida fresca, não sei se por carência do bar, se por indicações superiores. E é inadmissível que uma estrutura como o CCCAH não tenha uma climatização em condições, obrigando o público a "cozer" lá dentro, quase em sofrimento.

Great, Oliver!

20.07.25, MSA

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Ao vencer, brilhantemente, diga-se, o Rali da Estónia, Oliver Solberg tornou-se o terceiro piloto mais jovem - atrás de Rovanperä e de Latvala - a triunfar no WRC. E fê-lo de uma forma inteligente e que prova bem as suas capacidades, num rali exigente e que não permite falhas - aliás, nenhum rali permite falhas... -, deixando a pensar os arautos da sua desgraça - após a dispensa pela Hyundai - que se terão mesmo enganado. Ganhou 9 das 20 classificativas do fim-de-semana e transmitiu uma emotividade sincera, que faz falta aos ralis. Com efeito, o jovem Solberg foi renascendo nas duas últimas temporadas e meia e, aos 23 anos, é mais um que está pronto para ser campeão. Haja condições - e marcas, e campeonato - para que tal aconteça.

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75' Cinquentões - Rui Neves

19.07.25, MSA

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De ontem, mais um cinquentão de 75 e mais um colega do Ciclo, o Rui Neves, o "Priminho" da nossa turma A nos dois anos. Amigo com ligações de família, aluno cuidado e talentoso jogador de voleibol. Parabéns e felicidades, Rui!
 
Vou ver se dou nota de todos os amigos próximos que passarem o meio século neste ano de 2025, em que também me calhou essa sorte. Alguns já não terão tal felicidade, mas o certo é que os guardamos serenamente no coração. Ah vocês, parabéns! Abraços🎉🎂🍻

Visão global

18.07.25, MSA

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No uso de plena liberdade, alguém sugeriu - num artigo de opinião e criando uma petição pública - que o Aeroporto das Lajes - que não o é, é a Aerogare Civil das Lajes - se passasse a chamar Nuno Bettencourt, possivelmente o músico português mais famoso do mundo e natural da Terceira. No uso de plena liberdade, os habituais detratores de tudo e mais alguma coisa, "atiraram -se" à sugestão. Agrada-me a ideia, num tempo de globalização, em que também a música é um veículo de conhecimento e notoriedade. Nuno Bettencourt, que mal conheço pessoalmente, é uma marca maior, no ativo, solicitadíssimo e em plena fase criativa. Compará-lo, nessa visão global, a outros vultos da cultura nacional, é redutor.

No uso de plena liberdade, assinei a petição e partilho o que acho. Bons voos. 

Opções e ligações

17.07.25, MSA

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Se Francisco Conceição é um jogador entusiasmante? Claro que sim...os mais velozes e habilidosos enchem sempre o olho ao adepto.
Se vai fazer falta ao FC Porto? Nos dias bons, fará falta a qualquer clube do mundo.
Se o negócio agora fechado satisfaz as ambições dos portistas? E de que maneira. Em termos financeiros e, especialmente, porque acentua o corte com um passado recente que se impunha. É isso e andarem os jornalistas a discutir se Luís Filipe Vieira vai levar o pai do pequeno para a Luz. Tende mas é juizo! 😁

75' Cinquentões - Davide Correia

17.07.25, MSA

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Mais um cinquentão de 75, o Davide Correia, um dos meus amigos "Melrinhos", que conheço aí desde o Ciclo, num lote de colegas de São Mateus, tudo boa gente. Parabéns, Davide, e aguenta sempre essa Galinha Parmagiana 😉
 
Vou ver se dou nota de todos os amigos próximos que passarem o meio século neste ano de 2025, em que também me calhou essa sorte. Alguns já não terão tal felicidade, mas o certo é que os guardamos serenamente no coração. Ah vocês, parabéns! Abraços🎉🎂🍻
 

Mas o melhor sou eu...

16.07.25, MSA

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Deste encontro - faz hoje um ano - reza a seguinte história, após um amigo comum se ter dirigido ao Joaquim (do Carmo), ao Gustavo (Louro) e ao José Eduardo (Silva), dizendo: Olha, os melhores pilotos dos Açores!
Joaquim retorquiu: Mas o melhor sou eu.
...uma breve pausa, e Gustavo questionou: Espera lá, eu fui seis vezes campeão, tu só foste uma. Como é que o melhor és tu?
Ao que Joaquim respondeu: Mas eu fui primeiro... 😉

Álamo, a Palavra, o São João

15.07.25, MSA

Foto Cronica 195DI JUL25 - Álamo a Palavra o São

A semana passada começou triste com a partida quase-esperada de Álamo Oliveira, o escritor, o poeta, o dramaturgo terceirense, com seis décadas de criação literária e uma influência-chave no abordar atento da palavra e da nossa terra, para várias gerações. As mais recentes, a minha, e outras…

Há cerca de cinco anos, em tempo de pandemia e reclusão, dediquei alguns textos a pessoas que admiro. É uma prática que tento manter, e o Álamo foi, sem dúvida, alguém que admirei sempre. E a quem, felizmente, pude transmitir essa admiração. Perguntava-me, por vezes, “como vão essas escritas?”. Encolhendo os ombros, tive sempre vergonha de lhe responder com frases.

Dono de um sentido orientador muito puro entre a ruralidade e o urbano, ele temperou a sua escrita com uma riqueza de sentimentos, que magistralmente passava ao papel. Hoje não duvido que Álamo Oliveira será o autor que mais influenciou as gerações recentes destas ilhas. De forma brilhante e subliminar, numa obra transversal ao nosso fruir, apesar da constante contemporaneidade.

Transcrevi e alterei agora algumas frases da altura, mudando o tempo a determinados verbos, porque o Álamo partiu. Mas a sua obra mantém-se entre nós, no que será o elogio supremo para os autores, e que ele pôde ler, então: O facto de passarem a intemporais.

O Álamo conseguia-o num poema, numa rima de festa, num parágrafo solto de um livro ou no contexto político de uma peça de Teatro. Ficar-lhe indiferente continuará a ser uma imensa dificuldade. A ele, que teve uma infância e uma juventude igual à de centenas e centenas de açorianos, mas que a veia criativa permitiu ler de uma outra maneira.

Guardou memórias e sabores, transcritos num paladar que agrada. Que vai agradar sempre. E fê-lo com uma linha de escrita só possível por quem guarda no peito as suas vivências, o ar que as rodeia. Com vírgulas e pontos, por entre as quais passeamos com prazer.

Há cinco anos, em tempos de um São João que não se festejou, considerei que o Álamo tinha escrito a letra da nossa gente. Apontando a sua faceta mais popular, e que rapidamente todos identificam: os imensos poemas criados para as marchas e similares que nos alegram os dias. E que naquela altura manchada de pandemia recordávamos com mais saudade. Que dizer agora, nestes dias de despedida?

Álamo Oliveira deu voz à alegria do nosso povo, rimando paixões e cheiros que se espalharão por cada madrugada festiva dançada com o Santo padroeiro de um rebuliço que nos caracteriza. Atribuiu novos sentidos a várias expressões, recriando-as de um modo natural. E só os grandes fazem isso.

Daqui por um ano, na esquina da rua a que dá nome, não duvido que o São João deixe cair uma lágrima no meio da animação. E deverá fazê-lo de forma discreta, passando incólume à multidão. Como fez o artista na sua vida de palavras. Obrigado, Álamo. Foi um imenso gosto...que perdurará.

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