Maria e Luís no Blues

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Falar do advento das redes sociais já se aproxima de usar a expressão “novas tecnologias”. Elas já foram, e agora simplesmente são. As tecnologias impuseram-se como o pão nosso de cada dia e as redes sociais instalaram-se nas rotinas de cada um.
Pode-se até ir mais longe e expressar que quem tenta divulgar algum acontecimento nos dias que correm, sem recorrer às redes sociais, estará condenado ao fracasso. Parece exagero, mas bem vistas as coisas, nem é. A proliferação de informação que anda pelas diversas plataformas cresce a olhos vistos, nem sempre boa, muitas vezes nociva, e sendo cada vez mais difícil separar o trigo do joio.
Este será o lado mau da coisa, mas há enormes vantagens no bom uso de uma ferramenta comunicativa tão poderosa. Ainda mais porque está segmentada em várias vertentes, permitindo que o mundo dialogue, interaja, quase respire junto. Para lá dos reencontros e saudades que se matam em tempo real.
São inúmeros os exemplos de sucesso claro, de alegria, de boas vontades, de solidariedade bem aplicada, de festas e felicidade. E, estou em crer, isso será a fatia grande na interação virtual que o tal já-não-advento nos oferece.
Também para quem gosta de dar a conhecer as suas opiniões, o imenso palco que a dita autoestrada criou está aí para ser usado. Aliás, em jeito de graça, pode dizer-se que um teclado será hoje a mais poderosa arma do mundo. O problema é que há quem prima o gatilho sem apontar para nada em concreto…e sem ter a noção do alcance de cada tiro.
Simplifiquemos, afinal esta é também uma opinião, inclusivamente a ser partilhada num meio mais tradicional. Aliás, só quando o texto sai em papel é que o publico e envio. Mas voltemos ao prato onde todos comem, uns com talheres e outros com as mãos, que poderia ser uma refeição agradável, mas que tantas vezes se transforma num enjoo para o dia todo.
As pessoas – falando no geral, não optando pelo particular, mas retratando um facto – parece que deixaram mesmo de querer conversar. Mas ganharam fôlegos imensos para discutir, para se insultarem, para discordarem de tudo só porque sim. Enfim, aproximam-se de um desrespeito generalizado, tão mais perigoso quando o fazem às cegas, viradas para um écran e aguardando reações também tantas vezes sem tino.
Nem valerá a pena citar exemplos mais ou menos recentes em que essa discussão acesa e desnecessária aconteceu a despropósito e sem qualquer ganho. Há dias ouvi um renomado comentador televisivo – lá está, também propalam opiniões, e com grande audiência… - dizer que há uma nova ordem social, baseada na conflitualidade.
E não deixa de ter razão. Já o mundo se revolta em conflitos bélicos, mesmo daqueles em que morrem pessoas e são dizimadas cidades, e vai daí o comum cidadão – sem patente militar mas com um smartphone que é o último grito – desatar às rajadas de impropérios, erros ortográficos e verdades absolutas em prol…de coisa nenhuma!
Mais haveria para escrever, e a prosa até pode ser injusta para a tal maioria dos conversadores pacíficos que povoam as tais redes e afins. Mas há, de facto, uma mudança preocupante no paradigma da socialização e da capacidade de articularmos ideias entre pares. Talvez fosse preciso assim um apagão de quando em vez…





É só para dizer que grama é como o Rádio Clube de Angra. É masculino. Obrigado ![]()
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O irmão mais velho dos meus vizinhos de porta na infância. Foi sobre ele que ouvi, pela primeira vez na vida, que alguém tinha ido "estudar para fora"... Abraço, Miguel. Grande caminhada
- Para ouvir AQUI



Ao vencer, brilhantemente, diga-se, o Rali da Estónia, Oliver Solberg tornou-se o terceiro piloto mais jovem - atrás de Rovanperä e de Latvala - a triunfar no WRC. E fê-lo de uma forma inteligente e que prova bem as suas capacidades, num rali exigente e que não permite falhas - aliás, nenhum rali permite falhas... -, deixando a pensar os arautos da sua desgraça - após a dispensa pela Hyundai - que se terão mesmo enganado. Ganhou 9 das 20 classificativas do fim-de-semana e transmitiu uma emotividade sincera, que faz falta aos ralis. Com efeito, o jovem Solberg foi renascendo nas duas últimas temporadas e meia e, aos 23 anos, é mais um que está pronto para ser campeão. Haja condições - e marcas, e campeonato - para que tal aconteça.




No uso de plena liberdade, alguém sugeriu - num artigo de opinião e criando uma petição pública - que o Aeroporto das Lajes - que não o é, é a Aerogare Civil das Lajes - se passasse a chamar Nuno Bettencourt, possivelmente o músico português mais famoso do mundo e natural da Terceira. No uso de plena liberdade, os habituais detratores de tudo e mais alguma coisa, "atiraram -se" à sugestão. Agrada-me a ideia, num tempo de globalização, em que também a música é um veículo de conhecimento e notoriedade. Nuno Bettencourt, que mal conheço pessoalmente, é uma marca maior, no ativo, solicitadíssimo e em plena fase criativa. Compará-lo, nessa visão global, a outros vultos da cultura nacional, é redutor.
No uso de plena liberdade, assinei a petição e partilho o que acho. Bons voos.



Se Francisco Conceição é um jogador entusiasmante? Claro que sim...os mais velozes e habilidosos enchem sempre o olho ao adepto.
Se vai fazer falta ao FC Porto? Nos dias bons, fará falta a qualquer clube do mundo.
Se o negócio agora fechado satisfaz as ambições dos portistas? E de que maneira. Em termos financeiros e, especialmente, porque acentua o corte com um passado recente que se impunha. É isso e andarem os jornalistas a discutir se Luís Filipe Vieira vai levar o pai do pequeno para a Luz. Tende mas é juizo! ![]()




A semana passada começou triste com a partida quase-esperada de Álamo Oliveira, o escritor, o poeta, o dramaturgo terceirense, com seis décadas de criação literária e uma influência-chave no abordar atento da palavra e da nossa terra, para várias gerações. As mais recentes, a minha, e outras…
Há cerca de cinco anos, em tempo de pandemia e reclusão, dediquei alguns textos a pessoas que admiro. É uma prática que tento manter, e o Álamo foi, sem dúvida, alguém que admirei sempre. E a quem, felizmente, pude transmitir essa admiração. Perguntava-me, por vezes, “como vão essas escritas?”. Encolhendo os ombros, tive sempre vergonha de lhe responder com frases.
Dono de um sentido orientador muito puro entre a ruralidade e o urbano, ele temperou a sua escrita com uma riqueza de sentimentos, que magistralmente passava ao papel. Hoje não duvido que Álamo Oliveira será o autor que mais influenciou as gerações recentes destas ilhas. De forma brilhante e subliminar, numa obra transversal ao nosso fruir, apesar da constante contemporaneidade.
Transcrevi e alterei agora algumas frases da altura, mudando o tempo a determinados verbos, porque o Álamo partiu. Mas a sua obra mantém-se entre nós, no que será o elogio supremo para os autores, e que ele pôde ler, então: O facto de passarem a intemporais.
O Álamo conseguia-o num poema, numa rima de festa, num parágrafo solto de um livro ou no contexto político de uma peça de Teatro. Ficar-lhe indiferente continuará a ser uma imensa dificuldade. A ele, que teve uma infância e uma juventude igual à de centenas e centenas de açorianos, mas que a veia criativa permitiu ler de uma outra maneira.
Guardou memórias e sabores, transcritos num paladar que agrada. Que vai agradar sempre. E fê-lo com uma linha de escrita só possível por quem guarda no peito as suas vivências, o ar que as rodeia. Com vírgulas e pontos, por entre as quais passeamos com prazer.
Há cinco anos, em tempos de um São João que não se festejou, considerei que o Álamo tinha escrito a letra da nossa gente. Apontando a sua faceta mais popular, e que rapidamente todos identificam: os imensos poemas criados para as marchas e similares que nos alegram os dias. E que naquela altura manchada de pandemia recordávamos com mais saudade. Que dizer agora, nestes dias de despedida?
Álamo Oliveira deu voz à alegria do nosso povo, rimando paixões e cheiros que se espalharão por cada madrugada festiva dançada com o Santo padroeiro de um rebuliço que nos caracteriza. Atribuiu novos sentidos a várias expressões, recriando-as de um modo natural. E só os grandes fazem isso.
Daqui por um ano, na esquina da rua a que dá nome, não duvido que o São João deixe cair uma lágrima no meio da animação. E deverá fazê-lo de forma discreta, passando incólume à multidão. Como fez o artista na sua vida de palavras. Obrigado, Álamo. Foi um imenso gosto...que perdurará.
