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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

04.Nov.16

Intervenção - II Jornadas Diocesanas de Comunicação Social

Foto Jornadas Comunicação Social IgrejaAçores.j

mesa redonda: Informação - uma ponte para a inclusão ou para a exclusão

angra do heroísmo, 4 de novembro de 2016

 

Boa tarde a todos. Chamo-me Miguel Azevedo, tenho 41 anos. Sou jornalista. Sou autor de um blogue. De vez em quando, sou vereador da oposição na Câmara de Angra. Sou colaborador de vários órgãos de comunicação social, na área do Desporto, especialmente nos desportos motorizados.

E sou, vai fazer em fevereiro dez anos, assessor de imprensa de um partido político, no caso o PSD/Açores. Um partido político que, na nossa Região, está na oposição há 20 anos.

Mas já desempenhava funções semelhantes, a outros níveis, nomeadamente no que diz respeito aos ralis, há bastante tempo. O que continuo a fazer.

Sou Católico de formação. Tenho as minhas crenças. Escrevo e reescrevo sobre a vida. E acredito que aqui estamos – falo da nossa existência terrena - para tentar criar uma melhor realidade para nós e para os outros. Mas já aí vamos…

Mas permitam-me agradecer o convite, que não me foi endereçado diretamente, pelo que estou aqui numa condição de suplente. Quem aqui deveria estar era o Pedro Ferreira. Que está no Faial, porque também é assessor de imprensa. E porque hoje toma posse um quase-novo Governo Regional.

Ou seja, foram buscar-me ao banco, como poderia dizer, utilizando a gíria desportiva. Só espero é que a minha entrada em campo permita bons lances. E alguma coisa para recordarmos de futuro.

Afinal, estamos aqui para criar recordações, partilhando o que nos vai na alma. Mesmo se falamos de tarefas profissionais.

É que, efetivamente, Comunicar é Partilhar. Pelo que também tenho de partilhar convosco que comecei, praticamente por acaso, a trabalhar como jornalista em abril de 1996. No Rádio Club de Angra. Uma estação de rádio que é bem mais do que isso.

E uma casa de que agora faço parte também como dirigente da valorosa instituição que acolhe.

Mas vamos ao que aqui nos juntou, e que tem a ver com a mensagem do Papa Francisco para este que é, ainda – estamos em novembro -, o Ano Santo da Misericórdia.

O Santo Padre convidou os homens e as mulheres a refletir sobre a relação entre a comunicação e a misericórdia. Considerando que a Igreja, unida a Cristo, encarnação viva de Deus Misericordioso, é chamada a viver a misericórdia como traço característico de todo o seu ser e agir. 

…E sobre isso, é-nos colocado o desafio de usar uma arma – no caso uma arma boa -, como é a Comunicação, para garantir que a nossa sociedade assente em valores. Para garantir e ajudar a que essa sociedade promova a integração e a coesão social.

Ainda sob a égide da mensagem papal “esse é um desafio a que todos somos chamados”.

Porque, efetivamente, a comunicação tem o poder de criar pontes. A ela se devem, muitas vezes, o encontro e a inclusão. Mas também o seu contrário. O que nos diz que nem sempre a Comunicação enriquece a sociedade.

No fundo, somos apenas pessoas. Pessoas que se esforçam na escolha mais cuidadosa das palavras e dos gestos para superar as incompreensões.

Queremos fazer-nos compreender, e com isso curar a memória ferida e construir paz e harmonia. E o conteúdo da mensagem – que só agora li com a atenção devida -, vislumbra uma nova utilização do modo “Palavras”. Sendo que as palavras podem construir pontes entre as pessoas, entre as famílias, podem ligar os grupos sociais e os povos.

…E, imagine-se, tudo isto pode acontecer no ambiente físico e no mundo digital. É verdade.

Comunicar significa partilhar, e a partilha exige uma escuta. Um acolhimento. Porque escutar é muito mais do que ouvir. Ouvir diz respeito ao âmbito da informação; escutar já se refere ao âmbito da comunicação e já requer a proximidade. E é essa proximidade que, através das palavras e das imagens, tentamos garantis dia após dia, qualquer que seja a nossa função.

…Sim, é muitas vezes uma luta inglória…

Ou seja, e se bem compreendo a abrangência da missiva que, no fundo, aqui nos une, os e-mails, os SMS, tudo que diga respeito a redes sociais e afins, como os chats ou os fóruns online, podem ser formas de comunicação humanas. Plenamente humanas.

Porque não será a tecnologia a determinar se a comunicação é autêntica ou não, mas o coração do homem e a sua capacidade de fazer bom uso dos meios ao seu dispor.

Ora, ainda bem que assim é. Afinal, tantos de nós trabalham à sombra de um computador. Quase escondidos atrás de um teclado. E muitas vezes sem sequer sair de casa. O que tem de bom, encerra de mau. Mas também não estamos aqui para julgar ou para ser julgados. Há entes bem mais capazes para isso…

Mas concordo plenamente quando ouço o líder da Igreja Católica  apelar a um empenho pessoal dos jornalistas para “que vivam a verdade”, dando dela testemunho com o seu trabalho.

Afinal, ser ou não honestos connosco e com os outros, representa a variável que alimenta o valor da comunicação. Isso já fui eu a acrescentar…

O Papa Francisco defende que o profissionalismo vai para além “das leis e dos regulamentos”, e deve ter como pano de fundo o respeito pela “dignidade humana”. Alguém duvida disso?

Pena não ser esta uma realidade transversal a toda a sociedade.

Depois de tanto deambular, eis o que acho do contributo do Assessor de Imprensa para o trabalho do Jornalista: Ambos precisam um do outro. Cruamente, é assim.

Sendo que, se ao jornalista o assessor de imprensa pode, em muito, facilitar a vida, também é a mais pura verdade que o assessor de imprensa quer que exista uma comunicação social saudável e duradoura. Caso contrário, é também o seu trabalho que começa a estar em risco.

Mas tendo em conta que, serviços públicos à parte, temos redações cada vez mais diminutas, e OCS a atravessar grandes dificuldades, o trabalho fornecido pelos assessores alimenta, muitas vezes, largos minutos de emissão ou várias paginas impressas…

Claro que cada um trabalha com os seus métodos. Entre os quais, justiça nos seja feita, vai sendo a coluna vertebral de cada qual a fazer as grandes diferenças. E que assim continue.

Mas cabe ao assessor de imprensa conseguir fazer passar uma informação positiva. E, se possível, nela encerrar uma preocupação social. Ou um repto claro.

Só assim está a cumprir os requisitos do organismo para que trabalha. Quer seja esse uma empresa, um clube ou um partido político.

Cabe depois ao jornalista, que recebe o material, ter a arte de o “empratar”. De dele retirar os sabores mais autênticos, e que melhor sirvam a peça que quer apresentar. Tendo até em conta os gostos da moda.

…E como comunicar é partilhar, não queria deixar de partilhar – isso mesmo – algumas experiências pessoais vividas como assessor de imprensa, muitas vezes exercendo uma função que quase não se vê, mas que resulta em frutos, muitas vezes, bastante interessantes.

Com elas ganhei uma noção de participação ativa nas ações, que nos incentiva a fazer ainda melhor.

Partilho tudo. Desde o meu blogue, que já leva quase 13 anos de atividade, sendo um dos mais antigos dos Açores, até ao Facebook, a rede social mais utilizada, e onde as pessoas hoje se despem de preconceitos. Mas onde também demonstram a passos largos a sua tontice.

Pelo que foi com naturalidade que, em 2002, comecei de facto a ser assessor de imprensa – na altura, e no mundo dos ralis, dizia-se “Press Officer”, era mais fino -…

E, nestes 14 anos, vivi essa experiência essencialmente nos Ralis . Por exemplo com Gustavo Louro – 6x campeão dos Açores -, também nas suas participações no Nacional de Ralis, e com outros nomes como Paulo Maciel, Marco Veredas, etc (episódio ocorrido com Marco Veredas - Opinião Joel Neto).

E ainda hoje, muitas das notícias que se lêem e ouvem – os tais minutos de emissão ou páginas impressas – vêm dessa condição.

Termino com um alerta. Um alerta para a desvalorização da propriedade intelectual. Que cresce, essa desvalorização, a olhos vistos. Também à conta da Globalização, e por mais que se legisle em sentido contrário.

É que isso não acontece apenas nos grandes meios e na dita escolha múltipla que hoje se pode fazer dos conhecimentos. Estudo à mão de semear e fácil de escolher.

E, para não adensar demais o fim desta breve partilha, dou-vos um exemplo claro de como a desvalorização da propriedade intelectual acontece bem perto de nós. E não. Não me vou referir às colunas de opinião dos jornais. Até porque cada vez mais temos menos…menos jornais.

Mas atentem no que se passa nas nossas festas populares. Sejam devidas ao Espírito Santo ou não. Atentem ao seu programa pagão e recreativo.

As comissões de festa contratam eletricistas, cozinheiros, ganaderos, músicos, costureiras, filarmónicas, técnicos de som, até artistas de fora rumam aos nossos arraiais e romarias.

E depois, pedem ao criativo lá do sítio que lhes escreva um textozinho para o programa das festas. E ao tipo que até sabe falar que lhes apresente o concerto e os desfiles. Pro bono. Porque temos de ser uns para os outros.

Na Comunicação Social e na partilha de conteúdos também acontece muito assim.

Obrigado.