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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

10.Ago.16

A irritação da Praça

Foto Cronica 65DI AGO16 - A irritação da Praça.

Já pensei em várias formas de voltar a abordar este assunto. Em primeiro lugar, porque são muitas as pessoas que comentam comigo, desagradadas, o facto. Em segundo lugar porque, não sendo uma temática fraturante nem essencial, demonstra uma prepotência silenciosa e, ao mesmo tempo, um desrespeito – pelo menos – pela inteligência de muitos cidadãos. E terceiro lugar, e último, porque efetivamente me continua a irritar a constante movimentação de palcos, grades, enfeites, berloques e afins, naquele que deveria ser o mais respeitado e cuidado local de uma cidade património mundial como é Angra do Heroísmo, a sua praça principal, a Praça Velha. Vamos, a passos largos, para três anos de uma incompreensível indefinição no que diz respeito à utilização, circulação e valorização estética daquela que é a sala de visitas da nossa cidade. No início de 2014, foi expressa a vontade do hábil autarca no poder de acabar com a circulação automóvel em frente aos Paços do Concelho, edifício de traça nobre e que está a comemorar 150 anos de edificação. Houve vozes contra, não sei se alguma a favor – até pode haver imensas, mas os angrenses há muito que primam por silêncios comprometedores… -, a promessa de divulgar resultados de um estudo de trânsito e circulação, enquanto se iam alterando várias vias e acessos cidade fora. A solução de recurso, não assumindo a autarquia o fecho definitivo da via, como parecia ser inevitável – “é uma praça e não uma rotunda”, foi-me dito pessoalmente -, começou então a passar pela colocação de grades, ou outros elementos de dimensões consideráveis, e por estadas prolongadas de vários palcos na rua, quer houvesse ou não atuações próximas. Assim uma espécie de condicionar sem aparecer, moendo lentamente a paciência daqueles que acharam, desde logo, que essa era uma postura remendada. Confrontados com o facto “oficial” de que o trânsito flui melhor se a Praça Velha não tiver circulação à sua volta, esperaram-se meses sem fim por uma tomada de posição definitiva, já que a vontade para tal parecia imutável. Mas não, o remendo prossegue. E lá se vai estacionando um carrinho ou outro junto às grades, que até se podem desviar para haver mais espaço, e lá se vai desrespeitando, sem grandes levantes, a dignidade da mais simbólica paragem do velho burgo de Angra.

Destaque Artigo DI 10ago16.jpg

Este é o ponto em que o leitor pensa que se trata de mais um escrito de crítica à borla, sem soluções e apenas a malhar no intocável poder rosa, no caso angrense. Pois olhe que não. Como cidadão de Angra, nada mais me agradaria do que ver alargado o passeio em frente à Câmara Municipal, impedindo de vez o estacionamento no local. E facilmente se poderia equipar a rua com uma vedação temporária e amovível, que fosse fixa ao empedrado, para os casos de fecho de trânsito, que naturalmente podem e devem acontecer em várias ocasiões. Mas feitos de uma forma sensata, e não doentia.

Ou até, no caso do (tal) corajoso fecho da Praça, porque não o prolongar dessa calçada até ao tabuleiro principal. Pelo menos seria uma atitude, não um tapar do sol com a peneira. A verdade é que os meses e os anos vão passando e, face à hipótese de perpetuação no poder, o executivo municipal continua a não decidir o que fazer da Praça Velha. Prorrogando o esborratado ar de estaleiro festivo num espaço que merecia outra atenção.

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