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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

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miguel sousa azevedo - terceira - açores

21.Jul.16

Servir o Divino

Foto Cronica 63DI JUL16 - Servir o Divino.jpg

Esta semana é tempo de servir o Divino. Não que as anteriores não o tenham sido. E mesmo se o tempo e as vidas nem sempre chegam para fazer as coisas da melhor forma. Mas o mote, destes dias e até ao foguete que assinala a entrada do último toiro na gaiola, é mesmo pôr as Festas a andar e partilhar os sorrisos que as mesmas provocam. Porque dar Festas às pessoas é um prazer confesso. Dos terceirenses. E deste terceirense.

Já não é a primeira vez que integro uma Comissão de Festas, na verdade é a quarta, sem contar com Sanjoaninas ou com outras ações de convívios e afetos. Mas fazer as Festas da Guarita é uma graça só. Primeiro, porque se situam num patamar intermédio entre as inúmeras manifestações de louvor ao Espírito Santo na nossa terra. Ou seja, não são umas festas enormes, mas são um evento que se respeita e que tem um lugar especial em muitos corações. E depois, porque, desde pequeno de calções, me lembro de seguir o Pezinho pelas casas dos criadores, sem sequer entender muito bem o que se passava, pois a verdade é que não tinha quaisquer raízes familiares a esse nível. Mas o gosto por aquele pequeno edifício, restaurado com muito trabalho e suor após o sismo de 1980, e que lá por dentro é um enorme Império com condições excelentes e muitas recordações, ficou sempre guardado. Até passar pelo lugar de Mordomo das Festas, e por dessa forma ter conhecido melhor as pessoas que são a alma do Império dos Inocentes, os verdadeiros obreiros de uma casa que, felizmente, tem tido sempre gente com vontade de servir. Gente que se orgulha do modesto arraial que ali se forma, e do modo simples como aquela Irmandade se dá ao povo. No mais elementar princípio da partilha que atrás abordei. E que é um dos gostos maiores que podemos ter na vida.

Não me canso de dizer que uma Comissão de Festas, onde se fazem amigos e se estreitam laços, é um retrato do dia a dia de cada um – numa época em que cada vez mais o tempo se torna escasso, e em que as solicitações são mais que muitas… -, pois o cariz pessoal fica inscrito na forma de agir e de conviver. Cada qual com o seu dote, cada qual com a sua motivação, mas todos numa deliciosa tarefa cumprida, tão transversal como os amores e tão certa como o agradecimento anónimo. Mesmo vindo de quem conhecemos desde sempre.

Sem mais delongas, e entre amigos que estimo e admiro, nada melhor para preencher estes dias de verão confuso do que ter Festas para abrir a todos. Servindo o Divino, de olhos brilhantes e imensas recordações no peito…

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