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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

13.Jul.16

Viva Portugal!

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Foi um mês de contrastes e emoções, o que terminou no passado domingo com um inédito título europeu da nossa seleção de Futebol. Doze anos e seis dias depois da desilusão de Lisboa, quando a ampla motivação promovida por Luiz Felipe Scolari levou a pátria lusa a uma união fantástica. Vivi essas distantes semanas, no meio do barulho e da animação de milhares de adeptos a invadirem a Invicta, com um misto de orgulho e confiança. Duas coisas que os portugueses tantas vezes esquecem no seu dia a dia. Tudo porque o nosso país é também uma terra de contrastes e emoções, onde a justiça social tarda em ser séria. E onde a jovem Liberdade vai sendo tantas vezes mal utilizada.

Uma dúzia de anos depois, ao marketing fervoroso adotado pelo selecionador que fora campeão mundial em 2002 com o Brasil, contrastou o “low profile” de Fernando Santos. Um homem de família e de Fé, um treinador que nunca encantou pelo futebol que fazia praticar, mas que é, desde sempre, o mais consensual líder da equipa das quinas. E até o foi quando começou esta nova fase da carreira, castigado e ausente do banco luso.

Fernando Santos, o “engenheiro do Penta”, mas também o treinador que falhou o “hexa” de azul e branco. Que não convenceu nos grandes da capital. Foi ele quem urdiu esta vitória, assente num Ronaldo capitão, num Pepe voluntarioso, num Rui Patrício inquebrável, num motivado Nani, num Quaresma maduro, num Fonte sem medos, num Ricardo Carvalho intransponível, num Moutinho cerebral ou num fogoso Renato Sanches. Com um Éder a aparecer, do meio da chuva de críticas e impropérios, para o golo da felicidade. E até com um açoriano, da Terceira, Eliseu, que joga num clube de que não gosto, mas que tem sido um exemplo de tenacidade. Nos contrastes e emoções, os portugueses foram a França “arrumar” com a Europa do Futebol.

Há também diferenças grandes entre o conjunto que “Felipão” levou à Final da Luz e o que venceu domingo em Saint Denis. Qualitativamente, poderá dizer-se que em 2004 Portugal tinha uma equipa mais forte, galvanizada por um título de clubes e com um “miolo” amplamente oleado. Mas a verdade é que foi Fernando Santos, vindo de uma extremamente positiva passagem pelo comando da seleção da Grécia – e bem arrependidos devem estar os gregos por o terem dispensado… - a, finalmente, acertar as contas com a História.

O passado domingo foi mesmo um dia de luxo para o desporto português, com as vitórias de Sara Moreira e da formação nacional na prova da Meia Maratona dos Europeus de Amsterdão, onde Patrícia Mamona se sagrou campeã do triplo salto, entre outras classificações honrosas dos nossos atletas. Até Rui Costa logrou um segundo lugar na etapa de 10 de julho do “Tour de France”. Atente-se que, também ao luxo da nova Cidade do Futebol, contrastam as condições de treino de muitos dos mais cotados representantes do Atletismo português, muitos deles a representar os nossos principais emblemas desportivos, sem que estes tenham uma estrutura sequer destinada à prática da modalidade. Portugal continua a cultivar o estigma das ditas modalidades amadoras…

Últimas linhas para a atuação presidencial durante o Europeu de Futebol. Marcelo esteve no seu melhor. Acusem-no de populismo e de demagogia. À vontade. Eu acuso-o de ser português. E de gostar disso, contagiando-nos. No domingo passado, eu adorei ser português…

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