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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

11.Mai.16

Lidar a Solidariedade

Festival Beneficência 29mai.jpg

Coincidindo com a abertura da época local das touradas à corda, as notícias sobre o Festival de Beneficência que animará a Praça de Toiros Ilha Terceira no próximo dia 29, têm merecido os mais variados comentários e um sem número de reações.

Depois de muito pensar, decidi-me pela partilha de uma opinião sincera sobre o(s) episódio(s). Assente em três razões claras.

Primeiro, porque conheço perfeitamente o até agora responsável regional pela Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) - os títulos desta terça feira confirmam que o Núcleo dos Açores se demitiu em bloco -, aliás somos primos direitos, e nunca me passaria pela cabeça que juntasse três entidades de créditos firmados, no caso a LPCC, a Tertúlia Tauromáquica Terceirense (TTT) e o Grupo de Forcados Amadores da TTT, para levar a cabo um evento solidário sem ter o acordo da casa-mãe da primeira instituição, no caso a sua direção nacional.

Depois, porque sei bem a causa familiar que o juntou à LPCC, mormente à sua representação nos Açores, que está a comemorar meio século, e que o levou a liderar uma equipa dinâmica cujo trabalho fala por si. Ainda mais quando, profissionalmente, está igualmente ligado à temática do cancro nas nossas ilhas, seus efeitos, causas e desejada debelação.

E, finalmente, porque gosto de touradas. Na praça e na rua. Fazem parte da minha cultura pessoal e da cultura da minha terra. Respeito quem não as aprecia, tento entender os seus pontos de vista - confesso, não gasto muito tempo a debater desconhecimento... -, mas exijo que também respeitem a minha opção de fazer parte dos que defendem a sua continuidade e melhoria como espetáculo e como arte.

E não me ia meter nesta contenda porque, voltando à sinceridade inicial da prosa, me falta pachorra para depois ler comentários - muitos deles amplamente grosseiros - que relegam para segundo plano a defesa pura de uma ação solidária, prestada através de uma tradição regulamentada e que movimenta de forma especial a nossa terra.

Pelo que me chocou a atitude centralista, tomada de forma unívoca, pela direção nacional de um órgão prestigiado como a LPCC. Para mim, a solidariedade não é assim. A solidariedade encerra respeito e partilha, sem olhar a quem.

No caso em apreço, a referida direção desrespeitou, impediu a partilha mas, de facto, não olhou a quem. No pior sentido. Lavou as mãos, acenou, e fica assim mesmo.

Mas o festival agendado para dia 29 vai acontecer na mesma. Com outro destinatário social. Assim como existirão mais peditórios e certamente mais eventos relativos à LPCC, que pode com isto ter perdido um importante fulgor, especialmente na terra dos bravos. Penso que a melhor resposta que a Terceira pode dar a todo este caso é continuar a ser um exemplo de solidariedade e dádiva. Respeitando a causa de uma instituição muito importante. Coisa que o seu dirigente máximo, a nível nacional, fez de uma forma extremamente atrapalhada...

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