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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

15.Nov.11

"Espaço dos Vinhos" com novidades para apreciadores...

Bom ambiente e vinhos de qualidade...

Fotos: Ricardo Laureano


Iniciativa da firma local “Espaço dos Vinhos”, foi na tranquilidade acolhedora do Museu de Angra que um alargado número de convidados pôde provar - na passada quinta-feira - algumas das novas propostas – maioritariamente de origem duriense - que a referida empresa tem agora à disposição. Um leque equilibrado de vinhos, com rótulos marcadamente de gama média e alta, foi o que se deu a experimentar,
num ambiente de requinte, onde não faltaram todos os cuidados inerentes a uma acção do género. Luís Van Zeller, o gerente da empresa, partilhou connosco os propósitos do evento, considerando que a amostragem “pretendeu dar a conhecer algumas marcas que não estão nas grandes superfícies, embora a espaços possam lá surgir, mas que se destacam pela oferta de qualidade, direccionando o certame para a restauração, mas também para os particulares, pois na Terceira há de facto muitos apreciadores de vinho e muita gente que sabe exactamente o que quer comprar”, explicou.

Aberta há pouco mais de um ano, a empresa regista “uma boa aceitação do mercado, num universo que é complicado de gerir, pois o cliente comum tem muitas propostas e o nosso país apresenta muitas centenas de marcas”, mas Luís Van Zeller acredita que “há espaço para um nicho de mercado que procuramos, com a evidente preocupação de vender, e aqui naturalmente que o
preço faz diferenças e, neste caso em particular, apresentamos vinhos de uma gama média/alta, que vão desde garrafas entre 9 e 12 euros, mas também com grandes reservas a cerca de 40 e poucos euros. Claro que há outras gamas, e dou como exemplo o produtor Alves de Sousa, que tem 23 ofertas, a culminarem em vinhos seleccionados que atingem valores entre os 80 a 90 euros a garrafa. Mas essas, logicamente, não estão em qualquer sítio”, concluiu o empresário.

Quanto ao conteúdo das diversas garrafas dadas a provar, nada como enumerar a lista, de forma a aferir a variedade proposta. Assim, e da afamada Quinta da Casa Amarela, localizada na povoação de Cambres, marcaram presença o Tinto DOC 2010, o Tinto Reserva 2008, o Tinto Grande Reserva 2007 – um vinho de eleição… -, o Branco Selection 2010 e um saboroso Porto reserva 2010 para encerrar a função. Em Ervedosa do Douro está a Quinta de São José, e de lá vieram um Tinto DOC 2008, o Tinto Reserva 2008 e o Tinto Grande Reserva 2009. A compor o ramalhete estavam o Ázeo Branco 2009 e o Ázeo Branco rabigato 2009, duas propostas assaz interessantes. Do conhecido produtor Domingos Alves de Sousa (o melhor do país em 1999 e 2006), estavam abertos o Vale da Raposa tinto reserva 2008, o Vale da Raposa branco 2010 e o Quinta da Gaivosa branco 2009. Finalmente, e da Quinta da Lapa, as opções eram o Branco colheita seleccionada 2010, o Espumante bruto DOC 2009, e os tintos Syrah 2009, DOC 2008 e DOC reserva 2009. Uma oferta alargada para momentos de apreciar, afinal o vinho não nos faz só dizer as verdades…

...servidos a preceito.

O convite...

13.Nov.11

Parabéns, Beatriz...

A Beatriz, com um sorriso roubado...

Curiosa, algo envergonhada, mas depois terna e sorridente com o à vontade ganho. Assim é a nossa sobrinha Beatriz, que hoje completa cinco anitos, e deve estar em festa aberta de presentes e sorrisos. Miúda activa, e com genes de atleta já bem patentes, a Beatriz é um desafio constante nas reacções e piadas, exactamente aquilo que uns tios contentes de a ver tão apreciam a cada reencontro. E o próximo está quase...mas hoje é dia de te cantarmos os parabéns sobre o mar...

13.Nov.11

Frio.

É bom...mesmo quando arrefece...

Falar sobre frio será uma coisa que faço com bastante à vontade. Principalmente porque devo ser das pessoas menos friorentas que conheço, e depois porque as reacções corporais que o frio (me) provoca são bastante mais afáveis que as do "colega" calor, pelo que a época do ano em uso se aproxima dos dias de que costumo gostar, e os que melhor recordo com o passar dos anos.

Afinal, um pôr-do-sol arrebatador é prefeitamente possível em pleno inverno...já um arrepio de amor nem sempre se sente no verão.

Avançando nos termómetros - e atenção que o clima açoriano tem na humidade relativa do ar o seu mais poderoso elemento guerreiro -, confesso que nem me importo de sentir um friozinho ao longo do dia, contraste claro com o mal estar que o calor excessivo me provoca, bem como o desgaste glandular anexo a essa realidade. Assim, e sem grandes laborações de escrita, o frio chama-me para a mesa, clama por abraços, adora o contacto, refunde as memórias, embeleza as árvores e dá novas cores ao olhar, mantendo o calor da amizade e da comida como dois bons pretextos para a estação. O calor, irrita-me...

10.Nov.11

Lembrar...

Uma iniciativa muito interessante...

Lembro-me do barulho ensurdecedor da terra. Das duas casas em frente a começarem a ruir. Do buraco que se abriu no meio da rua. Da cascata de cristais que saltou do louçeiro e do relógio de parede a avançar na sala. Da acalmia e de um sol estranho, minutos depois. De dormirmos no carro, sempre à espera que houvesse mais...

09.Nov.11

Girassóis de Paris

Girassóis...lá de longe.

E ela perguntou, com a voz doce e a pronúncia afrancesada, “pelos rebuçados, os caramelos, les bonbons…”, sem nunca desmanchar o sorriso com que se conheceram naquele verão. Era uma relação estranha – passivamente um amor estival… -entre duas pessoas de tão longe, de tantas diferenças, e contudo tão encontradas no olhar que reflectia o mar da pequena localidade. Cheia de pedra negra e plantada numa ponta da ilha alegre. Desde o primeiro beijo que a confusão o atacava, simplesmente porque mal falavam um com o outro. Não lhe percebia aquela língua melosa, cheia de repiques e palavras musicais…até que desatou a colar, aqui e ali, “post-its” com o nome de cada coisa em português, pedindo-lhe que a cada um fizesse corresponder igual referência naquele idioma açucarado de Paris. Paris, de França. Essa terra tão distante, onde girassol é tournesol, como o professor lunático das aventuras de Tintin, - d’aprés Hergé, isso já se lembrava da televisão e de uns  livros da infância… -, e onde as pessoas devem todas cheirar a perfumes caros e comer pequenos-almoços faustosos. E ainda antes dos girassóis, a ligação tinha começado por um punhado de amoras, apanhadas à beira da estrada e nos poucos lugares onde elas ainda sobrevivem. Por gestos, explicara-lhe então que a disseminação da praga do escaravelho-japonês – esticando os cantos dos olhos com os dedos…e pensando ser entendido – levara à escassez do doce e rubro rebento, transformando em
silvados o que antes apresentava um brilho de compota caseira. Como na vida, também os frutos e as flores se vão anichando rumo à morte, secando as tonalidades e os sabores. E novamente, como em quase todas as mímicas e conversas de duas semanas ardentes, desviara-se do assunto, nunca terminando uma explicação, e escondendo as razões de se sentir inferior pela simplicidade de ilhéu acanhado. Não conhecia as capitais da Europa, tão pouco outras cidades do reino português, fora apenas uma vez à América, visitar a família a Lowell, para além das ligações inter-ilhas com que se deliciava no verão. Ou melhor, nos verões que já tinham passado, pois nenhum alcançara sequer a quarta parte das emoções da estação que findava. E como gostava de a ouvir falar, mesmo sem perceber metade, mesmo se ao início não entendia nada de nada. Vinham-lhe cores nas palavras, os dentes pareciam peças brancas de um xadrez de enigmas, que relatavam jogadas antecipadas a um beijo que nunca aconteceu. O mistério seria o mote para tal encantamento e, possivelmente, estaria apaixonado por uma fantasia. Ou, como vira num filme recente - no avançado DVD com surround… -, só um amor não concretizado pode ser romântico. E, nesse verão que ainda corria, o seu romantismo tinha suplantado todas as ideias e expectativas possíveis. Foi a ouvir música alta, na velha atafona da casa dos avós maternos, e ao som das ondas do mar rebentado no calhau ao fim da tarde que se criou e firmou o entendimento. As palavras começaram a fluir de uma outra forma, original como os repiques das observações e soluços que as entremeavam, e fazendo nascer um quase dialecto de sentimentos que só os dois entenderiam pela vida. A certeza firme de todos aqueles episódios era apenas e tão só a sua marca pela vida, porque um amor de verão dura eternamente. Trocaram versos de canções avulsas, desembrulharam doces feitos por parentes carinhosos, salgaram os olhos ao mar posto e à despedida, dias antes dela acontecer. Tudo estava envolto numa névoa de luz densa, no sabor a sal com vento, no salto arredondado de uma borboleta riscada.

Chegado o horário temido, do voo de partida para outras paragens, e afincou-se a promessa de uma troca constante, tecnológica, melódica até. Afinal tudo assentava no bater do coração, no aplauso lento das pálpebras e das pestanas, as dele clareadas pelo sol grosso da maré, as dela espessas por um rímel de etiqueta. Até nesses contrastes, e quase embriagados pela atracção comum, perceberam que as suas palavras se transformavam em flores. Unindo os aromas e os afectos de dias com raízes, caules e metamorfoses causadas pelo ocaso.

E entretanto, já os girassóis estavam a querer tombar, deixando meio triste o recanto colorido que anualmente preenchiam. Mas esses, como as palavras, regeneram-se, e uns dias depois ganharão novos sentidos, provocando sorrisos por usar…

03.Nov.11

Realidades...

O sucesso nivelado por baixo...isso sim!

Abomino, definitivamente, os grunhos e as grunhas que, numa passagem entre canais, lançam a fétida ignorância da "Casa dos Segredos" sobre vários lares portugueses. O nivelamento pela rama da qualidade do sucesso televisivo nacional é bem o espelho cultural e de interesse de uma pátria em crise...há anos e anos. E aquela gente até faz sentir saudades do Telmo das "órgias"...

01.Nov.11

Pelos pensantes

O Pensador, de Rodin...

Ouvi há pouco, no programa "Justiça Cega" (RTP Informação), o criminologista e autarca Francisco Moita Flores criticar o basismo populista com que a pátria lusa - à semelhança do que sucedeu no pós-25 de Abril - decidiu agora atacar o trabalho intelectual. O exemplo dado, as remunerações auferidas - ou não - pelos comentadores políticos e generalistas na RTP, é crasso. Realmente, nada como ser canalizador, electricista ou pedreiro. A esses não se pede nada à borla...