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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

01.Jan.10

Um (des)acordo para o novo ano...

Hoje deve ter entrado em vigor o abjecto...ops! "abjeto" acordo ortográfico da língua portuguesa. À semelhança de outros movimentos e defesas públicas e privadas, que pretendem apenas que quem sabe escrever consiga prevalecer face à imbecilidade, ensinando assim qualquer coisa de útil, aqui fica mais um toque à inteligência.

Que se faça por uma língua viva e mundial, mas não analfabeta no seguidismo balofo da fonética transatlântica. E tenho dito!


 

01.Jan.10

A 30 anos do sismo...

Um aspecto impressionante da zona da Rocha, em Angra...

Uma lembrança clara e um texto de recordar feitos - pela pena de ilhéu do Joel Neto... - levaram-me a acertar as contas com o tempo, nestes trinta anos passados sobre o 1 de Janeiro de 1980. O dia do terramoto que assolou o Grupo Central dos Açores, deixando marcas profundas nas ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa. Pelas 15 horas e 42 minutos, o sismo de grau 7,2 na escala de Richter matou 71 pessoas, deixou destruídos mais de 15 mil edifícios e sem casa cerca de 12 mil famílias...

Tenho, como referi, uma memória clara desse primeiro dia do ano em que completei o quinto aniversário de vida. Estava no quarto "do meio", o escritório e antigo atelier do meu avô Fernando, que depois seria o meu "poiso" durante anos. Partilhava um livro de histórias com a minha prima Ana Bárbara quando o ronco da terra falou alto, calando-nos num suspiro assustado, ao que se seguiu a natural fuga do sítio onde estávamos, e onde a rápida reacção dela me impediu de levar com um pesado relógio de prata em cheio na cabeça. Descemos ao piso inferior, ficando eu para trás, depois de nos termos cruzado rapidamente com o nosso avô. Recordo duas imagens impressionantes, logo após abrir a porta da frente, ao vislumbrar - pelo meio de uma impressionante poeirada - a casa dos vizinhos Sousa, que ameaçava ruir, o que se verificaria em parte. O asfalto da rua abria-se como se fosse de brincar, o barulho não parava e havia gente a gritar. Fechei a porta e estaquei junto à sala de jantar, onde uma verdadeira cascata de vidro e cristal caía do enorme louçeiro. O relógio de pêndulo, do alto do seu metro e setenta, dera dois saltos em diante e estava quase no meio da divisão. A memória pára perto deste instante, embora tenha ainda uma vaga ideia de ir encontrando a restante família enquanto a tarde avançou. Nos momentos seguintes lembro a ida ao hospital, para levar a Patrícia (Missy) que tinha sangue na cabeça. Nas horas seguintes, a visita a casa de familiares nas redondezas e as noites passadas no carro. Numa escuridão fria que fazia tremer e numa espera estranha, pois não fosse o ronco da terra estar de volta. Os dias seguintes mostraram-nos uma ilha destruída, gente com lágrimas e muita ajuda entre as pessoas de uma terra que soube chorar a data nos tempos volvidos. Acho até que ainda hoje o faz...

 

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