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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

23.Dez.08

Texto (Outono Vivo).

Uma imagem de há uns tempos...como tantas outras...

 

(aqui fica o texto com que participei no concurso literário "ser ilhéu é ser embarcadiço", no âmbito do "Outono Vivo" deste ano, na Praia da Vitória)

 

E, num afecto descomprometido, cumprimentei a ilha como se a visse pela primeira vez. Era inverno e as lágrimas tinham, sem querer, acompanhado a aterragem do avião. Um arrepio constante ocupara os últimos minutos do voo e era tempo de pisar terra firme e de correr para o mar. Sentir o seu cheiro e salgar os olhos, mas por mor da sua presença. Tinham passado tantos meses, mais que um ano e não houvera jeito de revisitá-la. À ilha…
As primeiras impressões foram como a humidade na pele. Rever o já conhecido. Cumprimentar os corações que, por todo aquele tempo, tinham batido ao mesmo ritmo. Rever caras, olhos, bocas e sorrisos em forma de saudade. Essa, a palavra que mais tinha batalhado por não usar sem chorar durante a espera. Sim, porque de espera se tinham transformado os dias da ida até ao regresso. De espera por uma realidade normal, por motivos que nem eram especiais, por um embarcar de sonho que nem era o da vida de cores.
Embrenhei-me na localidade, pus-me a caminho das ruas, tropecei pelos passeios e vi montras em composição de tempos melhores. Corria-me pelos sentidos uma estranha, e quase dolorosa, sensação de desgosto por esta divisão absurda de amores, misturada pela excitação de reviver o sempre calmo e pacato quotidiano da terra. Da terra que cheira a horta fresca, a uvas cheias, a mar revolto ou a sol torrado.
Assumi que a postura para aqueles dias seria de absorção comedida, de forma a aligeirar os danos de nova partida e a alimentar forças para novo período de afastamento. Nada mais errado. Aqui tudo era intenso. A comida bebia-se em temperos de gosto. As festas não se dormiam por foguetes em catadupa. As tardes que se punham com o sol no horizonte e em viagem à ilha vizinha. E nem aparecia aquela imagem de solidão. Nem sequer aflorava os ânimos. Nem sequer se pintava na areia crescida com espuma da onda.
A primeira noite foi passada num sonho em que tudo estava ao contrário e em que a chegada tinha sido antes de acordar. Tudo errado, tal como a fuga para momentos melancólicos, sedentos de animação, de gente, de barulho e confusão. Difusas a ordem das coisas e a forma como me apoderava delas. Intensos os sabores de uma luta tão leal quanto possível e que fugia da dor. Da dor roxa da saudade, a tal de um cortinado que morrera num inverno de infância e amoras.
Rumei ao verde das pastagens ácidas e fui partilhando a pronúncia que nunca perdi. Está-me no sangue, mesmo quando corrigida, porque apenas com ela ficam doces as palavras. Degustei-as na delicadeza de uma volta por um quintal de criança. Debaixo de remodelações e obras estavam todas as passagens, a preto-e-branco, de um pequeno meio rural, de uma pequena casa de três partes (cozinha, sala e quarto), onde a cantaria abrigara uma família extensa e musical. Na casa em frente a sumptuosidade de títulos honoríficos e destaques pessoais fazia o contraste. O mesmo do amor que, à distância, também me faria nascer.
Prossegui o passeio pelas memórias daquele pequeno espaço de curas e recitais, de vindimas e procissões, de lágrimas e alegrias. Lá atrás, junto ao curral já desabitado, as pedras roladas de mar aguardavam roupa branca para corar. Pelas nuvens lá de cima adivinhava-se chuva, pelo que seria aconselhável aguardar por melhores horas para uma barrela de sonhos. Ao longe, e através das faias e das pedras, ouvia-se gritar pelo peixe, enquanto os bagos da primavera se contorciam nos ramos para estarem fortes no verão. Num rodopio, as ideias e as imagens afloravam ao olhar. Pela simples passagem na casa de recordações. Pelo simples facto de também o coração se ligar àquela terra fértil e àquelas gentes doces.
Voltei ao tempo corrente. E pouco vi do que embarcara uns anos antes. Rebusquei todos os escritos que deixara atrás e eram uniformes no gosto salgado de paisagens indiscretas por tão belas. Molhei o dedo e apontei ao vento para ver se a chama de uma vela antiga me indicaria a direcção certa de voar. Mas não corria aragem digna desse nome. Nem havia barulho na noite que, entretanto caíra. Rodeei a cisterna e lembrei-me de lá deixar dois ou três segredos, apenas salpicando as palavras no eco das paredes frias e deixando mal poisada a tampa de madeira. Como tinha pormenorizado em demasia a existência. E como tão simples era agora deixar o caminho de terra batida por uma auto-estrada sem fim.
Semanas adiante e todo aquele alvoroço de emoções era passado. Intenso nas intenções, cru nas marcas que deixava no rosto e na alma. Nem uma lágrima corria agora, nem tão pouco a pele das mãos ganhara rudeza no trato de afagar o peito ardente. Era uma carícia recorrente e que se traduzia num alívio rápido de tanta falta daquela luz e daqueles sítios. Depois percebi que sempre que o avião aterrava, apertava as mãos, uma na outra, e as firmava próximo do coração. Uma defesa sem pensar que preparava nova chegada. Ou mesmo um afago bem entendido pelos sentidos, e que antevia a partida seguinte…

 

23.Dez.08

Petição SATA/TAP.

Exmo. Sr. Presidente da Republica; Exmo. Sr. Primeiro Ministro; etc... 

Açores - Lisboa


Nós, abaixo assinados, protestamos quanto ao monopólio das linhas aéreas dos Açores, concedido pelo Governo Regional dos Açores à TAP / SATA, e que encarece as tarifas das viagens Açores - Lisboa. Além do que pagamos por bilhete Ida e Volta -cerca de 275 euros-, o governo paga mais 90 euros por passageiro, o que eleva o custo a cerca de 365 euros por bilhete. É Demais!

Estamos na era das acessibilidades, e enquanto de Lisboa conseguimos ir para qualquer cidade da europa por 50, 70, 100 euros, para os Açores (que também são Portugal, embora não pareça) pagamos 275/ 285 euros. Somos uma região ultraperiferica, precisamos de evoluir, de sair daqui para aprender infelizmente isso só é possivel para algumas bolsas......
O presidente da TAP já afirmou em público que as linhas aéreas dos Açores seriam economicamente viáveis se abertas à concorrência, mas mesmo assim aumentou a tarifa em 20 euros! Toma que merecem, parece dizê-lo!
Custa a crer que o Governo Regional dos Açores esteja manietado ou em concluio com a TAP / SATA na exploração dos açorianos e na limitação do seu avanço económico através da exploração do sector turístico.
Ao enviar-se esta petição a diversas entidades, podem alertar-se as hostes e ajudar a que o Governo Regional dos Açores tenha a coragem de se libertar (se é que quer...) da condição exploratória da TAP / SATA, havendo liberdade para outras companhias de aviação voarem rumo aos Açores. Desse modo teríamos tarifas mais baixas como consequência da livre e saudável concorrência.

 

ASSINE AQUI


 

22.Dez.08

O Porto e os "empatas"...

De novo na Invicta...neste tempo de calores e afectos, e onde o regresso ao estádio sabe sempre bem. Independentemente do resultado.

Seja como for, e abordando unicamente a vertente desportiva do fim-de-semana, saliento a "ausência" de Jesualdo (custava muito mexer no "11! mais cedo?...) na segunda metade do embate frente ao Marítimo, assim como a incapacidade dos "grandes" (incluíndo os homens do Estádio do Mar...) em vencer antes da consoada.

Pronto, que venham as rabanadas e a roupa velha...afinal há quase metade da minha existência que o futebol luso não tinha tal líder da tabela por volta dos Natais.

E, por bola, até para o ano!


 

19.Dez.08

Agradecimento.

Obrigado aos senhores da TAP e afins intervenientes dos nossos transportes aéreos por me estarem a permitir - em vez de (pelo menos) ter ido beber um copo de tinto ao jantar de Natal dos Forcados da Tertúlia - apanhar uma seca monumental na multi-inaugurada Aerogare das Lajes. É sempre bom passar horas a fio nas montras do progresso. Sinceramente, obrigado...

 

PS- O voo TP 3828 (TER-LIS) era para ter saído há quinze minutos...


 

19.Dez.08

Quadras ao Campeonato de Portugal de Ralis 2008.

Bruno Magalhães em acção no SATA Rali Açores deste ano...

 

Imbatível ao relógio
Eficaz a 100%
Bruno, o “nosso” Magalhães,
Mas este envolto em talento
 
Sem grande margem de ataque
Mas sempre com velocidade
O Fontes só no Algarve
Alcançou a felicidade
 
Com uma mudança grande
Em custos e nas vontades
Pascoal lá foi remando
Mas sem grandes veleidades
 
Derrotado nos Açores
Mas sempre muito aguerrido
Peres foi quarto à tabela
Mas na Produção vencido
 
Renascido com o Impreza
Adruzilo esteve demais
Fez das tripas coração
Derrotando os seus rivais
 
Rei na vertente a gasóleo
E sempre veloz nas passagens
Leal voltou a provar
Que é o campeão das imagens
 
Com orçamento para mais
Barroso Pereira foi realista
Preferiu o S2000 inteiro
a alguma saída de pista
 
Menos feliz com os Seat
Barros Leite desceu um furo
Com a nova montada já diz:
“Que se cuidem no futuro”
 
Com incursões amiúde
Meireles soube brilhar
Já se fala em altos voos
Que possa o minhoto alcançar
 
Rápido a valer nos C2
E levando a taça a norte
Paulo Antunes, o de Fafe
Foi de novo o mais forte
 
Findo o ano em que a crise estalou
E, por forma de novas andanças,
Em que (novamente) a FPAK se estatelou
Com processos, regras e danças
 
Para 2009 a expectativa
Do que possa sair da cartola
Mantém a imagem bem viva
De que aquela entidade nem parece bem da bola!
 
Bons ralis…e, acima de tudo, que haja pilotos na estrada!
 
(pelo sétimo ano consecutivo fiz a brincadeira, que foi publicada um pouco por todo o lado...:
SportMotores; RalisOnline; Motores Magazine; Prego a Fundo; TAC; Super Motores; Marão Motores, etc)

 


 

19.Dez.08

Lx: Gotan Project.

O cibertango na capital...eu vou estar lá.

Amanhã Portugal renova votos com os Gotan Project, naquela que será a última digressão mundial do trio franco-suiço-argentino. A chama deste caso de amor pelo seu "electrotango" vai reacender-se no Campo Pequeno, a partir das 22h00.

Eduardo Makaroff, Philiphe Cohen Solal e Christoph H. Müler regressam para mais uma dose (a última?...) do sucessor do surpreendente "La Revancha del Tango", e que a BBC descreveu como um álbum "mais profundo, mais amplo e mais rico" relativamente ao anterior. Chama-se "Lunatico" e o público português já conhece a sua forma ao vivo - o que, numa relação especial como esta, é uma vantagem.

O Campo Pequeno recebe assim uma das bandas mais interessantes e surpreendentes dos últimos anos. São os inventores do “cibertango”, para um espectáculo único e especial.
“La Revancha del Tango”, o primeiro disco, conquistou a Argentina e o mundo, com um improvável casamento entre o tango e a música electrónica alterando a face do tango argentino.
Com mais de um milhão de cópias vendidas e de espectáculos sempre com lotações esgotadíssimas um pouco por todo o mundo, os Gotan Project apresentaram em 2006 o seu último álbum, dando seguimento à fusão do tango com as sonoridades da música electrónica, jazz, hip-hop e chill-out.
 
Definitivamente o tango não deu ainda voz à sua última palavra...

 

16.Dez.08

Musical.

Ligo a televisão. Marco Paulo está a fazer o play-back do hit "Nossa Senhora" no Natal dos Hospitais. Deve ser aí a 134ª vez que o faz nesta quadra e arredores. Que maravilha de país que nos faz sentir eternamente jovens...


 

16.Dez.08

Tolerância.

E pronto...cá venho "picar" o ponto!

De facto, e nos últimos quinze dias, fui acometido de uma letal preguiça em exprimir a minha opinião (pronto, a coisa também não será assim tão linear...), salvo as honrosas excepções de uma vitória portista e do prazer de novamente alinhar numa prova de rali.

Enquanto me recuperava do "malzinho", ou possivelmente enquanto faço os planos para quinze dias no frio nostálgico do norte do país, as coisas foram-se passando a uma velocidade estonteante, pelo que qualquer resumo da actividade pública ou de acontecimentos merecedores de escrita estará fora de questão para quem ainda mal saiu de uma breve letargia.

Há dois ou três dias, e a poucas semanas de se despedir do cargo, o presidente americano ia apanhando com um par de sapatos nas fuças (assim mesmo, sem espinhas e acabadinhos de descalçar...), e aqui mais por perto um acção prepotente fez andar às arrecuas o órgão máximo da autonomia regional, provando-se que o tão propalado pluralismo do novo parlamento não será mais do que verbo de encher, pese embora a ligeira animação que possa dar, de tempos a tempos, ao hemiciclo.

Lá fora, no continente, é a Esquerda do casaco de flanela que grita - vibrante - contra a Esquerda do blazer italaino, ou até talvez a memória da nossa jovem democracia a remexer-se, aflita, presa por um manto de neo-liberalismo, que é um termo que se usa mas não se sabe o que significa. E, vá lá, que nos vamos livrando do laxismo menesista que ameaçava fazer-se ouvir diariamente...

Por Angra, cidade património que lá teve mais um cortejo rua abaixo sem se perceber bem o mote, continua com o quarto de século de classificação mundial como um peso às costas que balança mas não cai...nem alivia, apenas se debate. Parece curioso dizer-se isto, mas por vezes imagino as discussões decorrentes sobre a minha cidade e o seu futuro como improváveis num outro sítio do mundo, daí que tenha de concordar que a velha urbe tenha particularidades únicas. E bem mais originais que os propalados projectos e iniciativas que lhe vão arremessando à história, e onde a imaginação fulgurante se cruza com a passividade governativa que parece, finalmente, ter os terceirenses na palma da mão a troco de umas migalhas insulares.

Para hoje o principal partido da oposição regional ganha nova liderança, faltando saber se à reconhecida garra da nova líder se conseguirá juntar a apetecida renovação e a anunciada vontade de propor alternativas ao invés de críticas vãs. É que, e está visto, os açorianos estão - para além de mais velhos doze anos - muito mais comodistas do que antes.

E por temáticas de arrufo, bem poderia pegar aí em meia dúzia de exemplos de como controleira e atiçada vai sendo a vida pelas brumas do Atlântico mas, sinceramente, apetece-me bem mais ir fazendo a lista para o Pai Natal, a quem deixo o compromisso do envio de uma carta. Assim uma coisa tipo-missiva, que poderá ou não ser divulgada. É que, como tenho visto, dispenso bem espalhar-me ao comprido...

15.Dez.08

Tempo.

Cheguei há pouco do funeral de mais uma velha vizinha da minha cada vez mais distante infância. Esta rua de recordações tem cada vez menos cabelos brancos e cada vez menos vozes que me lembro de ouvir de baixa estatura e olhos vivos. Ou será que estou cada vez menos curioso pelas pessoas? Seja como for a saudade espreita pelas esquinas e estas são as únicas ocasiões em que não gosto do cheiro a terra fresca...