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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

14.Nov.06

O adeus ao cronista.

José Daniel Macide, o adeus a um angrense de coração.

"Morreu o Macide", foi a frase crua e dura. E ontem Angra perdia um dos filhos que a mais amou. José Daniel Macide era um nome por trás de letras, de frases, de carinhos e embaraços, uns deliciosos outros comoventes. De semblante curioso e com uma postura de vagar e atenção. Não era espontâneo nem disparatado. Apenas brilhante no tocar os corações e na partilha de mágoas e paixões. Um rio que esta terra não tem, mas que nela fez correr às veias um sentido nobre da escrita, rumo ao Mar que nos enebria e abandona. E tinha nele o génio do abandono e do desprendimento. Mesmo nas poucas ou quase nenhumas palavras que trocámos. Ele sabia ler-se nos olhos...

E sobre José Daniel Macide não pude deixar de para aqui transcrever três textos publicados hoje. Dos meus colegas de profissão João Rocha e Hélio Vieira, e também do Director do "Diário Insular", José Lourenço. Gostava de juntá-los a esta pequena lembrança, desejando um descanso à altura para o Macide. Um homem livre, tão livre que soltou amarras e se foi...

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Crónica de vida

-João Rocha (aUNIÃO)

 

José Daniel Macide (falecido ontem em Angra do Heroísmo aos 57 anos de idade) não era tipo para sorrisos de circunstância. Os olhos jamais escondiam o que lhe ia na alma. O seu relacionamento com os outros baseava-se na franqueza, muito ao estilo rectilíneo pão/pão, queijo/queijo. Resmungava imenso, mas, sem qualquer pieguice, Macide integrava, dispensando favor da amizade, o lote dos homens bons.

Em diálogo, na cumplicidade de uma cerveja, deixava jorrar a espuma de uma sensibilidade muito própria onde a liberdade constituía referência de proa.
Era mesmo um homem livre. Mostrava a louvável faceta nos actos do dia-a-dia e nos seus escritos. Começou nas lides jornalísticas neste jornal, foi chefe de redacção no quinzenário “Directo” e marcou uma época, nas suas deliciosas “Crónicas das Terças”, no “Diário Insular”.
Nestas crónicas, dava lustro à sua vivência, dos amigos, dos vizinhos e, no fundo, de toda a sociedade.
Brincadeiras de infância, sonhos à boleia da juventude e visões moldadas pelo amadurecimento dos anos costuravam as crónicas onde muita gente da sua geração reencontrava a bússola emocional.
A escrita de Macide fazia da magia utensílio de trabalho. Nos seus textos, alinhavados em guardanapos de cafés, um palavrão ganhava sempre a forma de termo distinto. As palavras combinavam ironia com sentimento. A caneta (mandou o computador dar uma volta ao bilhar grande...) revelava tesouros que só a alma tem a grandeza de esconder.
Macide não se limitava a escrever para os jornais. Para mim, ele foi e será sempre o Cronista. Nem sequer valerá a pena classificá-lo como o melhor. Único é mais do que suficiente.

 

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JOSÉ DANIEL MACIDE PARTIU...
Hoje voltamos a ter saudades das tuas crónicas

-Hélio Vieira (Diário Insular)

 

Estávamos ontem embrenhados nas tarefas mais ou menos rotineiras da redacção deste jornal quando ouvimos alguém dizer por telefone de forma seca do outro lado da linha - “O Macide morreu, foi perto da hora do almoço...”
Com 57 anos de idade, José Daniel Macide deixou o mundo dos vivos.
O primeiro pensamento que nos ocorreu foi que tínhamos perdido aquele amigo que todas as segundas-feiras nos entrava, durante quase toda a década de 90, pela redacção adentro, com um papel amarrotado onde vinha mais uma crónica sobre as pequenas coisas do quotidiano que fazem a vida ter algum sentido.
A conversa com José Daniel Macide era quase sempre divertida. Eram bons esses tempos de amena cavaqueira.
Dessa época guardamos como se fossem relíquias os exemplares dos seus três livros: “Crónicas da Portugália” (1991), “Crónicas de Jornal” (1993) e “Crónicas com Flores” (1998).
Para além de autor de crónicas, José Daniel Macide foi jornalista, tendo desempenhado as funções de chefe de redacção do extinto semanário “Directo”.
José Daniel Macide deixa de luto o irmão Rogério Macide e os primos Maria Emília Macide e Luís Carlos Macide.
O funeral realiza-se hoje, pelas 09h00, da Igreja da Sé para o Cemitério da Conceição.
À família enlutada DI apresenta sentidas condolências. HV.

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Todas as flores...

-José Lourenço (Diário Insular)

A Nota de hoje não consegue abordar nenhum desses temas candentes da actualidade política ou económica regional. E isto porque a nossa voz foi embargada por uma daquelas notícias que nos apanham desprevenidos e, por isso, nos gelam o sangue e a alma: a morte de um dos nossos, porque o José Daniel Macide, sempre foi, mesmo quando parou de aqui publicar, às terças-feiras, parte deste jornal.
Desaparece assim um dos últimos intérpretes dos ideais da revolução de Abril. Observador atento, era capaz da escrita mais feroz contra todo o tipo de injustiça, da metáfora mais original, da ironia mais refinada, do humor que nos fazia curvar a bandeiras despregadas, ou da prosa mais poética de chegar às lágrimas.
Meia dúzia de parágrafos prendiam, todas as terças-feiras, centenas e centenas de leitores a este jornal. Os textos que ele trazia à Redacção vinham amarrotados no fundo das algibeiras, escritos no canto de uma toalha ou guardanapo, ou no verso de uma carteira de fósforos. O retoque final era dado ali à nossa frente. E quão doloroso era escrever assim, quando é a alma que verte palavra a palavra.
No seu último livro - “Crónicas com flores” - o terceiro da trilogia “Crónicas” (“Crónicas da Portugália (1991) e Crónicas de Jornal (1993)) e onde reuniu os textos aqui publicados, entre 1993 e 1997, escrevia, à laia de fecho, aquilo que seria a síntese da sua vida: “Sejam todos bem vindos ao fantástico mundo das flores, porque ele é como o do escritor: nasce miudinho, depois fica viçoso e na morte já não tem cor. A não ser que, na tumba, tenham pena dele. Quando isso acontecer, deixem-me nas mãos um raminho de amores-perfeitos e na boca um cravo vermelho bem garrido. As flores, gloriosamente, são sempre a minha paixão”. Descansa em paz amigo. Bem mereces todas as flores do mundo.

 

14.Nov.06

Olá Beatriz!

Pois é. E já somos Tios outra vez. Foi ontem, por volta das dez da noite, que o Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, serviu como porta de entrada ao Mundo para a Beatriz. Os pais, o Miguel e a Isabel, estão bem e recomendam-se. A primeira foto ainda não chegou, mas deve estar quase cá!

Quanto aos dados "técnicos", dizem tudo quanto à pujança da catraia: 52 cm e 3,960 kgs. Veio cheia de força a nossa sobrinhita!

Bem vinda, Beatriz. Olá!

13.Nov.06

Cartaz (até Junho de 2007).

O cartaz do 4º ciclo dos "Concertos Íntimos". Lloyd Cole e Vicente Amigo serão as estrelas internacionais...

É já no próximo dia 24 que tem início o quarto ciclo de “Concertos Íntimos” no Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo, e que, novamente, integra oito concertos acústicos com grandes nomes da música nacional e internacional.
 
Trata-se de um projecto musical inédito em Portugal onde os músicos interpretam temas de sucesso da sua carreira em formato acústico.
 
Lloyd Cole (24 e 25 de Novembro), Rita Guerra (08 e 09 de Dezembro de 2006 no Teatro Angrense e Teatro Ribeiragrandese), David Fonseca (26 e 27 de Janeiro de 2007), Vicente Amigo (02 e 03 de Fevereiro de 2007), Misia (16 e 17 de Março de 2007), Mafalda Arnauth (13 e 14 de Abril de 2007), Filarmónica Gil (18 e 19 de Maio de 2007) e Teresa Salgueiro (01 e 02 de Junho de 2007) são os nomes que fazem parte da programação do quarto ciclo de “Concertos Íntimos”, que terão lugar em Angra do Heroísmo e Ponta Delgada.
Nota: Arrisco dizer que, com excepção da Rádio, esta lista ainda não foi divulgada publicamente em lado nenhum. Exclusivo, portanto, aqui para o nosso "espaço"...

 

10.Nov.06

As novas 7 maravilhas do Mundo...

Estão a votos as Maravilhas do Mundo. Procuram-se as "novas" 7...

Está em curso uma votação mundial para eleger as 7 Maravilhas do Mundo Moderno. O objectivo é actualizar a antiga lista "oficial" que incluia, para além das Pirâmides de Gizé (que fazem também parte da actual eleição, a decorrer online...) os Jardins Suspensos da Babilónia, a Estátua de Zeus em Olímpia, o Templo de Ártemis em Éfeso, o Mausoléu de Halicarnasso, o Colosso de Rodes, e o desaparecido Farol de Alexandria. O resultado final só será conhecido no sétimo dia do sétimo mês (Julho) do próximo ano (2007), numa cerimónia que terá lugar em Lisboa. Como "aperitivo" o Semanário "Sol" de hoje traz já o "Top-7" das Maravilhas mais votadas até agora...

10.Nov.06

Arrufos.

Com ou sem razão. Com calma ou na ausência dela.

Batem, palpitam, e fazem doer o coração. Que depois se molha à chuva para refazer a temperatura de apaixonado...e passa.

10.Nov.06

Turismo "à la carte"...

A R.T.P.-Açores transmitiu ontem um programa, presumo que inserido numa série destinada ao tema, chamado "TV Turismo". Para já escapa-me quem sejam os destinatários directos de tal tipo de programação, mas por aí nem acho que as críticas possam surgir, afinal os ditos programas podem também ser difundidos nas restantes RTP's por esse mundo fora. Pelo que também não critico o facto de ser um programa tendencialmente bajulador das empresas públicas regionais, até porque o seu financiamento deve ser oficial. Assim como nem me refiro à fraqueza e falta de informação concreta dos textos ou à atabalhoada locução, intercalada com entrevistas de todo desinspiradas e onde o repórter de serviço nem se esquivou a coçar o nariz ou a "comer" consoantes com a fartura. Chocou-me tão só a abertura do dito episódio, como já disse presumo que se trate de uma série, que tinha em fundo a bonita vista aérea da cidade de Ponta Delgada, e cujo comentário, em "voz-off", rezou assim: "Ponta Delgada é a principal cidade dos Açores. Sendo também a sua capital política e administrativa..."

Não me contive e liguei de imediato para as instalações da R.T.P., em Ponta Delgada, dando calmamente voz ao meu desagrado pela incorrecção. Possivelmente o telefonema não terá passado da D. Graça, que o atendeu...

Sem bairrismos bacocos nem provocações...não sejam ignorantes.

10.Nov.06

Lenda.

São Martinho, o bondoso Santo que se celebra amanhã...

 "Num dia tempestuoso ia São Martinho, valoroso soldado, montado no seu cavalo, quando viu um mendigo quase nu, tremendo de frio, que lhe estendia a mão suplicante e gelada.
 S. Martinho não hesitou: parou o cavalo, pousou carinhosamente a sua mão na do pobre e, de seguida, com a espada cortou ao meio a sua capa de militar, dando metade ao mendigo.
 E, apesar de mal agasalhado e de chover torrencialmente, preparava-se para continuar o seu caminho, cheio de felicidade.
 Mas, subitamente, a tempestade desfez-se, o céu ficou límpido e um sol de Estio inundou a terra de luz e calor.
  Diz-se que Deus, para que não se apagasse da memória dos homens o acto de bondade praticado pelo Santo, todos os anos, nessa mesma época, cessa por alguns dias o tempo frio e o céu e a terra sorriem com a benção dum sol quente e miraculoso”.
 

10.Nov.06

Pergunta.

-Mas por onde anda, este ano, o "nosso" Verão de São Martinho...?

Nota: São 10 horas da manhã. Qualquer alteração climática é alheia ao sentido deste post...

09.Nov.06

2018: Venham eles!

Gilberto Madaíl em plena forma para a recandidatura...nas promessas, pelo menos!

Gilberto Madaíl quer lançar a candidatura de Portugal à organização da edição 2018 do Campeonato do Mundo de futebol, caso a competição regresse nesse ano à Europa e tenha o apoio do Governo.
O presidente da Federação Portuguesa de Futebol referiu já que Portugal tem bons estádios, depois de ter organizado o Euro'2004, os quais necessitarão apenas de melhoramentos para acolherem jogos do Mundial.

Ou seja, e em jeito de comentário a esta clara promessa eleitoral em tempos de recandidatura à Federação, ainda nem "limpámos" a casa da última farra e já queremos avançar para a próxima...

"Como uma Força que ninguém pode parar...!"

09.Nov.06

O melhor aeroporto dos Açores...pois sim!

A assinatura da empreitada para a 3ª fase da renovação da Aerogare das Lajes...

A Terceira vai ter o melhor aeroporto do arquipélago. Assim o afirmou Carlos César, ontem, na cerimónia de assinatura do contrato de empreitada da terceira fase da requalificação e modernização da aerogare civil das Lajes. Segundo o chefe do executivo, o Governo Regional continua assim a realizar um considerável esforço de investimento em aeroportos e infra-estruturas a eles associadas, porque o facto de “sermos nove ilhas”, que são dependentes do transporte aéreo, assim o justifica.

César acrescentou que os investimentos que se mostram prioritariamente importantes não se ficarão por aqui ao nível das infraestruturas aeroportuárias da região. E agora ficam as minhas (singelas) questões:

-É aquela balbúrdia de edifício que se vai transformar nessa tal maravilhosa (infra)estrutura aeroportuária, ficando, após a conclusão da 3ª fase das obras, apto a receber 750 mil passageiros/ano? Quererá isso dizer que os passageiros já não terão de ir a pé da estrada para a porta da entrada ao chegar de autocarro? Que a placa dessa mesma entrada vai parar de fazer pingar a chuva para a cabeça de quem estaciona? Que os degrauzinhos em frente às passadeiras de acesso à porta serão corrigidos? Que haverá estacionamento a menos de 100 metros das portas principais? Ou serão os outros dois pisos da (infra) estrutura tão bons ao ponto de faser esquecer o piso principal de entrada aonde não podem entrar autocarros ou ambulâncias? É que já parece o outro, que vivia num apartamento, mas dizia para um amigo: -Ouve lá, o "meu" prédio é muito maior que a tua casa...

 

07.Nov.06

Boa Viagem!

o "Ilha Azul", um barco que deixa poucas saudades...

O "Ilha Azul" saiu ontem do Porto de Ponta Delgada rumo ao Continente. A última ligação da embarcação, que prestou (?) o transporte marítimo de passageiros inter-ilhas neste malfadado ano de 2006, deu-se no passado dia 31 de Outubro.
O Ilha Azul ficará agora no Continente até Maio de 2007, altura em que deverá (!) regressar à Região para realizar as operações marítimas do próximo ano.
Responsáveis da Transmaçor afirmaram já que o "Ilha Azul" ficará atracado no Porto de Viana do Castelo (uma boa escolha, afinal já passou tanto tempo lá...), uma vez que é mais barato do que o de Lisboa (mas haverá falta de dinheiro para aqueles lados?...). Todavia, há ainda a hipótese de ser fretado a uma empresa que está interessada em que o mesmo funcione, até Maio, como um restaurante. Caso para se dizer que, parado, talvez "ande p'rá frente"...!

07.Nov.06

WRC pode vir a ser Campeonato "Verde"...

WRC-World Rally Championship ou GWRC-Green...?

O Campeonato Mundial de Ralis poderá, no futuro, vir a tornar-se num campeonato "verde", com a FIA a falar na possíbilidade de se passar a utilizar bio-combustiveis.

No passado fim de semana realizou-se, na Suécia, o "Green Swedish Rally", prova onde apenas foram aceites veículos movidos a bio-etanol. O triunfo coube a um Ford Escort Cosworth seguido de um Subaru Impreza de Grupo N. 
A prova foi antecedida de um colóquio em Karlstad sobre os bio-combustíveis no desporto automóvel. Presente no evento esteve Max Mosley, o presidente da FIA que mostrou intenção de "introduzir os biocombustíveis no desporto automóvel, logo que tal se revele possível...". Mosley não excluiu a hipótese do Mundial de ralis permitir a sua utilização daqui a 3 ou 5 anos.
A prova mostrou aliás que já é possível colocar os motores de competição a funcionarem a bio-etanol. Aliás, nos paises nórdicos, o combustível já é utilizado com grande sucesso em diversas competições, sendo vedada a sua utilização nas provas dos calendários FIA. Este ano surgiu mesmo no Rallycross Europeu de Lousada um Ford Fiesta 4x4 da Divisão 1 tripulado por Andreas Eriksson, carros este que corre no campeonato sueco utilizando bio-etanol.

O bio-etanol é visto como o combustível do futuro para substituir a gasolina, sendo derivado de produtos biológicos como a cana do Açucar, milho, celulose ou até soja. Uma tonelada de matéria prima biológica gera perto de cerca de 400 litros de combustível em refinarias / destilarias próprias que começam a proliferar pelo mundo inteiro.
Para além do bio-etanol, também o bio-diesel está a ter uma utilização crescente como substituto do gasóleo, sendo obtido a partir de óleos de soja, girassol ou até de gordura animal. Actualmente já há países onde os combustíveis derivados do petróleo têm obrigatoriamente uma percentagem de bio-combustível, percentagens essas nunca superiores a 15%.

Em Portugal nada foi ainda feito, apesar dos especialistas condiderarem que o desenvolvimento das margens do Alqueva poderia ser feito com refinarias e plantações relacionadas com bio combustíveis. Os biocombustíveis são vendidos quase sem qualquer carga fiscal, por indicação da UE, o que os torna bem mais acessíveis do que os refinados do petróleo.
Resta adiantar que existem imensos estudos que prevêem a extinção das reservas subterrâneas de petróleo dentro de 35 anos, facto que pode ser já notado nos Estados Unidos da América onde os poços locais já denotam um rendimento extraordinariamente baixo. Convém não esquecer que o petróleo não alimenta apenas os postos de abastecimento, existem inumeras aplicações do crude, pelo que a sua extinção não levanta apenas problemas aos motores de combustão.

Em relação ao preço, o bio-etanol é mais baixo que o da gasolina, basicamente devido à ausência de carga fiscal, prática que é pedida pela UE para fomentar o consumo. No entanto um motor de combustão gasta cerca de mais 30% bio-etanol que gasolina. Apesar deste incremento no consumo, com os preços previstos, será sempre mais vantajoso o novo combustível.

Fonte: www.sportmotores.com

03.Nov.06

"Apanhado" esta tarde...!

Ainda não se sabe se terá alguma coisa a ver com o novo programa humorístico de produção regional, que tem estreia marcada para amanhã, mas a verdade é que o exemplar em baixo tem sido visto, nos últimos dias, a "rondar" as instalações da R.T.P.-Açores em Angra do Heroísmo...:

Aqui vai o Galo...(1)

-Hum...deixem-me cá ver...disseram-me que eram aqui as filmagens...

Aqui vai o Galo...(2)

-É isto mesmo...a "talavisão" da Terceira!

Aqui vai o Galo...(3)

-E agora? Será que tenho de saltar o muro...ou arranjam-me uma "cunha" para entrar no programa?...

02.Nov.06

Daqui em diante será diferente... (crónica)

O trio feminino em "Daqui em Diante"...

Na tarde de Terça-feira, e um pouco antes de rumar à Praia da Vitória, senti-me no direito de deixar um pequeno “post” no meu blog sobre o espectáculo dessa noite. E rapidamente alinhavei o seguinte: “Chama-se "Daqui em Diante" e será o ponto alto da noite de hoje no evento "Outono Vivo#, que se está a realizar na Praia da Vitória. Baseando-se na obra de Samuel Beckett, a coreógrafa Olga Roriz criou um universo de ligações entre seis pessoas (3 mulheres e 3 homens), que se irão encontrar e viver momentos de solidão e partilha. A peça será encenada esta noite no palco do Auditório do Ramo Grande, e os bilhetes encontram-se praticamente esgotados. Tive a oportunidade de conversar um pouco ontem com a criadora desta e de outras preciosidades da dança/teatro/performance da nossa arte contemporânea. Olga Roriz, que eu já tinha conhecido pessoalmente, há uns anos na Graciosa, continua a mostrar-se uma personalidade além da mediania e possuidora de uma visão, por vezes única, da dimensão que as coisas podem ter...no palco, na vida, e em ambos. Pelo que só é de esperar uma noite de ganhos e sensações.

Inevitavelmente a noite foi mesmo de ganhos, mas as emoções fortes que emanaram pelo espaço do Ramo Grande terão sido até, e nalguns casos bem notórios, associadas a algum desconforto e até choque. Tudo porque a sucessão de expressão cultural, dança e representação se afigurou de todo violenta e textualmente abrangendo muitas das sensações que mantemos ao longo de um único dia: desencontro, ansiedade, medo, revolta, carinho ou desdém. A forte componente musical (cujo volume se intensificava à medida do bater dos corações…) fez de fio condutor a uma peça onde a desordem pictórica de alguns momentos desenhava movimentos na fluência propositada de outras partes. Numa coreografia muito trabalhada e intensamente proposta aos presentes como um todo de completa absorção. A esse nível – da música utilizada -, gostei especialmente do trecho dos “Portishead”, da alusão a Joan Baez, e do final mais lírico com a voz sensual de Marlene Dietrich a interpretar a imortal “Lili Marlene”…

Mas comecei por frisar, e tal como partilhei com uma colega de profissão após o espectáculo, a violência inerente às peças de Olga Roriz. Ao fim e ao cabo uma necessidade que todos temos. Consumimos violência a torto e a direito nas nossas vidas: pelos media, nos filmes, na publicidade, na própria ligação que é feita a muitos produtos de uso comum, na política então nem se fala, no dia-a-dia, e em cada apitadela de semáforos ou em cada fila de banco e finanças, estamos sujeitos à violência. Por isso, nada melhor do que recebê-la, mas em dose certa e embalagem cuidada, das mãos de um coreógrafa de renome internacional. A actuação/representação dos bailarinos foi, de todo, um trabalho impressionante de acompanhar. Catarina Câmara, Maria Cerveira, Sylvia Ryjmer, Danilo Mazzotta, Jack Jones e Pedro Santiago Cal mantiveram um ritmo constante de indefinição e, mesmo nas fases de maior entrega a papéis já de si complicados, foi visível o ar de graça e diversão que viviam. As passagens humorísticas da peça também eram facilmente atingíveis, o mesmo não se podendo dizer da densidade comportamental de alguns trechos…e que não deixaram de fazer soar alguns “ai, Jesus!” ou comentários exclamativos do género pela audiência. E, já que nela falo, era bem fácil de constatar que, uma vez mais, houve quem fosse ao “engano” ver o trabalho de Olga Roriz. Fez-me lembrar o mesmo passado nas “Sanjoaninas”, salvo erro, de 1997. Tenho a certeza de que havia almas expectantes de ver um bailado, daqueles “à séria” e em tons clássicos, para o qual o palco do Ramo Grande se enquadraria na perfeição…e que chocados ficaram ao ver o rabo de um dos bailarinos ou o palco coberto por montes de terra e garrafas de água vazias! Pois é, são os choques que nos fazem ganhar alma e sentir pé nas marés difíceis do conhecimento. Eu pelo menos senti-me mais conhecedor de qualquer coisa, mesmo que misteriosa, logo pelo entrar da noite de Quarta-feira. Senti que me tinham atingido numa das sensitivas artérias que desconheço onde passa, mas que sei onde me dói ou me faz rir. E, por isso mesmo, continuo a achar que vale a pena assistir a espectáculos sem tempo, lugar ou feitio. Sem regras, falsos amores ou esgares. E nisso, Olga Roriz brilha. Como o fez…para daqui em diante.