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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

21.Fev.13

Quem dorme nos Açores?

Dormidas e proveitos em queda na Região...

Passados os cem primeiros dias de ação do novo executivo açoriano, e poderia dizer-se que acabou o estado de graça, tantas foram as ilusões criadas ainda sem resposta. Mas nem se deverá avançar por esse caminho, afinal a renovação que se aguardava para a equipa que agora gere os destinos da Região também se ficou pelos intentos. Pode assim alinhar-se o diapasão por um estado de graça que nem chegou a acontecer.

De entre as várias tropelias que, diariamente, se podem aferir, destaco as recentes - e aflitas - queixas dos empresários do setor do turismo, onde se vincam os hoteleiros e as (suas) estruturas falidas, fechadas ou por concluir. Para lá da crise internacional, e dos danos pelos destinos emissores que a mesma terá imprimido aos Açores, não é preciso ser um especialista da área para perceber que os princípios da promoção levada a cabo pelos últimos governos estavam errados, ou que navegaram, pelo menos, entre o mau e o muito mau. Nem a justificação avançada pelo partido que suporta o executivo, dizendo que há apenas década e meia de investimento nessa promoção da marca "Açores" - que é um ente do qual duvido, e estou no meu direito... -, cola. Afinal, e apoiando esta visão na simples leitura das dormidas na Região, e reportando ao ano passado, regredimos para números de 2004. Ou seja, da década e meia de tão lustrosa tarefa promocional, mais de metade foi à vida. E é ver a desgraça que pulula.

O investimento em grande unidades hoteleiras parecia uma quase-obrigação do arquipélago ao virar do novo século. E deu no que deu. As apostas frenéticas nas campanhas pagas a peso de ouro para trazer turistas do norte da Europa falharam. Apesar de todas as habilidades com os valores de hoje e de ontem, o preço das tarifas aéreas para entrar e sair - especialmente sair...- dos Açores são absurdamente elevados. A política de transportes interilhas continua a avançar ao passo do caracol, e novamente nos vamos deliciar com barcos da Velha Grécia em 2013. O tão propalado turismo ambiental parece que pouca gente traz às ilhas de bruma e, sintomático na aceção do erro, as ilhas que ainda conseguem contrariar esse negro cenário - Pico e São Jorge, por exemplo -, assentam a sua oferta em pequenas unidades hoteleiras, vocacionadas para um turista que foge da massificação e do cimento. Ao invés, as (várias) autoridades regionais do setor dividem-se e deambulam entre estudos, fóruns, especialistas e auditorias, sem que a bom porto se consiga chegar.

Pelo que, sem alongar a contenda verbal, fica a dúvida de quem, efetivamente, estará a dormir nos Açores. É que gente de fora, já vimos que é cada vez menos...

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