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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

Dia Mundial do Livro

23.04.12, MSA

Mataram o Sidónio, de Francisco Moita Flores...

" O assassínio do Presidente da República Sidónio Pais, ocorrido em 1918, é um mistério. Apesar de a polícia ter prendido um suspeito, este nunca foi julgado. A tragédia ocorreu quando Lisboa estava a braços com a pneumónica, a mais mortífera epidemia que atravessou o séc. XX e, ainda, na ressaca da Primeira Guerra Mundial. A cidade estava exaurida de fome e sofrimento. É neste ambiente magoado e receoso que Sidónio Pais é assassinado na estação do Rossio em Dezembro de 1918. Francisco Moita Flores constrói um romance de amor e morte. Fundamentado em documentos da época, reconstrói o homicídio do Presidente-Rei, utilizando as técnicas forenses e que, de certa forma, continuam a ser reproduzidas em séries televisivas de grande divulgação sobre as virtualidades da polícia científica. Os resultados são inesperados e (Morro Bem. Salvem a Pátria?) é um verdadeiro confronto com esse tempo e as verdades históricas que ao longo de décadas foram divulgadas, onde o leitor percorre os medos e as esperanças mais fascinantes dessa Lisboa republicana que despertava para a cidade que hoje vivemos. E sendo polémico, é terno, protagonizado por personagens que poucos escritores sabem criar. Considerado um dos mestres da técnica de diálogo, Moita Flores provoca no leitor as mais desencontradas emoções que vão da gargalhada hilariante ao intenso sofrimento. Um romance que vem da História. Uma história única para um belo romance... "


Ler um livro ainda implica para mim um certo ritual pelo que, e como em tantas outras ações, essa mesma necessidade leva-me à escassez e ao deixar de uns quantos exemplares na prateleira, com dez ou quinze páginas desfolhadas. Durante a infânica li avidamente tudo o que me passava pelas mãos, na juventude acalmei um pouco e comecei a seleccionar de outra forma os objetos, e hoje - nesta idade que não se sabe bem o que é - primam as desistências, ficando o total de livros consultados bem à frente dos enredos apreendidos e dos ditos rituais em cumprimento. Mudar essa tendência significa, para mim, uma estabilidade que vem de fora para dentro, tendo de ser obtida antes do tocar em cada capa ou lombada, do imaginar as imagens que surgirão, ou da busca incessante pelo epílogo das derradeiras horas de espera. Como nas últimas dez vezes que escrevi sobre ler ou sobre livros, prometo mais...para a próxima. Por agora, fica um livro comprado há quase dois anos, e que só agora remeti aos prazeres da conclusão. E vai valendo a pena, ganhando as palavras a vida desejada nos momentos da apreensão...