Do hemiciclo...
Foto: RTP/Açores.
Cidade da Horta, núcleo vigente de uma democracia que funciona de forma curiosa nestes Açores, como aliás já acontecera, e como não se sabe se voltará a acontecer. Exactamente a Assembleia Legislativa, palco efémero de discussões, picardias, provas de competência e de total inabilidade...
Hoje termina a sessão plenária dedicada ao Plano e Orçamento da Região para 2012, sendo votadas 258 propostas de alteração, numa “soirée”, que se poderá prolongar madrugada dentro. Passada que está a discussão das propostas apresentadas pelo governo regional e de mais partidos - excepção feita ao que sustenta o executivo...-, daqui por menos de uma hora começam as declarações finais das várias forças presentes e da tutela, o que vai remeter o início da votação para depois do jantar. É tradição que estes plenários entrem pela noite e, desta feita, estão em causa cerca de duas dezenas de alterações propostas para o Orçamento e mais de 230 para o Plano. Perfila-se uma sessão morna, aliás a culminar os três dias de trabalho, para os quais até estaria em causa se são necessário 57 parlamentares. Estaria em causa, mas não está.
Como em anteriores ocasiões, a bancada do governo vai “gozando” o prato, plena de certezas, se bem que nervosa pelas mudanças que se avizinham. César é o centro das atenções, mesmo se está a sair de cena. Teme-se que assim continue.
Do outro lado da barricada, as hostes movimentam-se ao som do calor popular, mas certezas só daqui por nove meses e meio, pouco mais que a gestação de uma criança, e mesmo se esta autonomia já cresceu, já engordou, e hoje padece mesmo
de algumas maleitas genéticas. Houve falhas profundas na sua geração optimista.
De resto, nada de novo, pique aqui, repique acolá, e tudo será feito aos desvios da ordenança rosa, mesmo se não se vivem tempos cor-de-rosa, mesmo se nem a flor está garrida por estas alturas do ano, mesmo se há uma inquietação latente, que não
fere, mas que vai moendo. É neste cenário, salpicado pelas intervenções avulsas dos ditos partidos pequenos, ou pela acutilância centrista, de onde nunca se sabe o que pode vir, que o rumo normal das coisas é vigência. Tal como a cidade da Horta será o núcleo vigente de uma democracia que funciona de forma curiosa nestes Açores...
