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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

01.Set.11

A solidariedade instantânea...

RTP-Açores...a nossa?

Desde logo esclareço que sou contra a medida - penso que era isso, uma medida... - anunciada anteontem pelo ministro Miguel Relvas, dando conta da intenção tutelar de passar a "janelas" de poucas horas diárias as emissões dos canais regionais de televisão, no caso a RTP-Açores e a RTP-Madeira. E faço esta ressalva para que não achem estranho que até encontre alguma lógica no ameaçado corte, como também considero que os restantes canais estatais são um sumidouro de dinheiro, característica na qual, aliás, bem acompanham todas as outras empresas públicas da lusa pátria, assim como as suas administrações regiamente pagas e os excelentes bólides em que as respectivas aconchegam os traseiros.

Assim, e perante uma situação visível de ruptura num país que parece só saber produzir prejuízo, impõe-se ao governo da república cortar a direito - não confundir com cortar à direita... -, tentando fazer com que alguma coisa funcione, afinal esta conversa do Estado de direito em que os serviços públicos estão todos na falência divina não alimenta e, nos dias que correm, há pouco alpista para tanto "passarão" na berlinda.

Vai daí, e feito o anúncio, um pouco a despropósito pois integrou-se numa outra discussão, e os bons dos açorianos desataram a correr em defesa do seu canal regional. Tão só e tantos os mesmos que, durante anos, criticaram de alto a baixo tudo que o mesmo emite, revelaram à boca cheia que nem as notícias viam, que tudo era uma data de gente que não produzia, que só sabiam retransmitir o que os outros faziam, que só davam coisas de São Miguel, que em causa própria nunca estavam em cima do acontecimento. E mais isto, e mais aquilo. Ou seja, em menos de 24 horas, o ministro Miguel Relvas, que deve apenas ter relativizado os custos brutais de cada canal face aos poucos – e envergonhados… - telespectadores assumidos, conseguiu criar uma onda de solidariedade arquipelágica como nunca se viu em tão pouco tempo. Por mero acaso, são esses os mesmos açorianos – e açorianas, para não me acusarem de falar com tons de direita… -, que pagam e calam uma brutalidade de cada vez que querem sair de avião das ilhas; que calam e pagam um serviço de transportes marítimos que não lembra a ninguém pelo desperdício efectivo; que pagam e calam um sem-número de empresas públicas regionais que eles próprios desconhecem o que fazem; que calam e pagam ao ver os sobrecustos incríveis de tudo quanto é obra pública, remodelação, requalificação ou pincelada que se dê nestas ilhas de bruma; e que pagam bem calados – porque nas ilhas de bruma convém mesmo é o bico calado e os olhos semicerrados… - a vida de rico que as mesmas levam, aventando-se que há dinheiro a mais e um saber infindável no recurso aos fundos comunitários e aos seus infinitos itens, alíneas e prorrogativas. De uma decisão, certamente impensada face à realidade, até porque mexe com bem mais que um simples acerto de horários, e que foi tomada de fora para dentro, nasceu a solidariedade instantânea. Divulgada de dentro para fora, por mor de um espírito de união que os açorianos não têm pois, como lá fora, também só pensam em si e na forma de se governarem. Enquanto quem nos lidera de camarote fez já exactamente o mesmo, e tenta agora tirar dividendos políticos – também instantâneos – de toda a incapacidade anterior em mudar o circo que é este país de descobridores…

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