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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

06.Jul.11

Susana Feitor, a miúda do boné...

Susana Feitor, a melhor marchadora portuguesa de sempre...

Completaram-se - há uns dois meses - 21 anos sobre a minha primeira viagem desportiva, no caso a ida - pela selecção açoriana de Iniciados - ao torneio "DN Jovem" de atletismo, à altura um verdadeiro "nacional" de pista para os escalões mais jovens (até aos 15 anos), e que se corria no Estádio Nacional. Da minha participação - integrava a selecção para correr a estafeta de 4x80 metros, fruto do 2º lugar regional obtido nessa distância, numa época em que fiquei com a melhor marca anual açoriana do salto em comprimento -, não haverá muito a dizer. Na primeira vez em que pisei o tartan, cumpri o segundo percurso e, embora tenha tido um atleta adversário a – simplesmente - atravessar-se na minha pista, fomos – eu, o Pedro Leonardo, o Paulo Mendes e o Mário Duarte - oitavos (39,93, salvo erro) entre umas dezoito selecções. O facto marcante foi fazer parte de todo aquele folclore, numa altura em que as notícias da modalidade chegavam tarde à Terceira, por via da "Revista Atletismo", de que guardo ainda imensos números, e quando treinávamos entre os pátios do liceu e as pedras e lama da velha pista do campo de São Mateus. Assim, e da divertida ida ao Jamor, retenho uma animação a que não estava habituado, assim como a recordação de ver despontar alguns futuros vultos do desporto nacional...

A páginas tantas, e já refastelado na bancada de pedra do imponente estádio, prestei atenção à partida de mais uma final...era uma prova de marcha. Nunca consegui efectuar na perfeição aquela técnica de corrida apressada, mesmo se a minha condição de pronador até pudesse ajudar ao feito. Na corrida em questão, uma miúda delgada, com um boné vermelho de pala para trás, saiu como uma flecha na frente e, salvo erro numa prova de 2 mil metros, dobrou todas as restantes, algumas delas por inúmeras vezes. Parecia correr enquanto as outras andavam rápido. O seu nome: Susana Feitor. Confirmei na altura que representava o Clube de Natação de Rio Maior, fazendo parte da selecção de Santarém, e o certo é que era já um caso sério da marcha atlética. Uns meses mais tarde, salvo erro de férias na Graciosa, segui por acaso a transmissão do Mundial de Juniores, na Bulgária. A miúda do boné ao contrário lá estava em grande e, com apenas 15 anos, trouxe o título para Portugal, confirmando as qualidades que dela fariam a maior marchadora portuguesa de sempre. Bateu 55 recordes nacionais e obteve 9 medalhas internacionais. Nas duas ou três idas mais a provas nacionais penso que nunca sequer falei com Susana Feitor, mas nunca esqueci a alegria e o sorriso franco com que, vencendo com enormes vantagens, souber ser uma desportista de exemplos ao longo destas duas décadas. E ainda nunca parou, mesmo se arreliada por lesões, prosseguindo uma carreira dentro e fora de portas sem grandes adversárias à altura na longevidade e qualidade pela especialidade que escolheu. A esta distância, e mesmo se assinei uma pouco aplicada carreira de atleta por (também) poucos anos, é engraçado recordar esses tempos e, ao seguir alguns pontos-chave do seu percurso, não quis deixar de passar à escrita esta pequena homenagem a uma grande atleta. Que lembro sempre como a miúda do boné para trás e do sorriso franco…

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