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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

13.Jun.11

Um quiosque "moderno"

O novo quoisque, em repouso para o muito uso que vai ter...

Foto: António Araújo/D.I.

 

Está em funções há cerca de uma semana o novo quiosque de apoio à esplanada da Praça Velha, a sala de visitas de Angra do Heroísmo, uma cidade classificada pela "Unesco" como património mundial da humanidade, distinção que - aliás - apenas incomoda a grande maioria da sua população pelas limitações que impõe às poucas dúzias de resistentes moradores no centro histórico da velha urbe. Nem duvido que uma grande percentagem dos angrenses não faça a mínima ideia do que subsistiu na classificação referida mas, asseguro, muitos deles preferiam que Angra fosse capital do tremoço, integrante da rede mundial dos municípios com cerveja à borla, ou mesmo que fizesse parte de um roteiro internacional de coisas modernas…muito modernas, mesmo. Pois pensarão que é na modernidade que assenta o desenvolvimento, mesmo que a única coisa que destaque esta das demais cidades do país - que, já agora, é um falido Portugal, mas também cheio de prosápia... – seja o seu papel fundamental da época das descobertas quando, sem porto certo ou seguro, os portugueses podiam gastar pelo mundo sem preocupações. Esta longa introdução serve apenas para constatar um facto, mas este agora assente na minha opinião pessoal. Eu, que sou apenas um munícipe que, por exemplo, não compreende que a dita e redita classificação internacional não esteja plasmada em tudo que diga respeito à cidade. Daí a minha certeza de que as outras distinções aqui avançadas teriam melhor aceitação local…

Gosto da recuperação que foi levada a cabo na Praça Velha. À primeira vista estamos perante uma calçada reposta nas devidas condições; a um alinhar do mobiliário urbano existente – que, felizmente, prevaleceu sob a cortina de críticas pela sua antiguidade…ó pecado infame! – feito com gosto; a uma correcta opção nas árvores colocadas e na forma elegante que as mesmas parecem ostentar; assim como aplaudo a decisão de aumentar o passeio em frente aos paços do concelho, numa forma clara de valorizar ainda mais um edifício bonito e que nos devia a todos orgulhar. Ou seja, parecem reunidos todos os predicados para que a Praça Velha ostente a pompa e circunstância de ser o núcleo de uma cidade que, mesmo que não queiram, tem história, alma e estética próprias. Mau grado a implementação de um quiosque – bem sei, é um pormenor mas está lá e ocupa mais espaço que os bancos e as árvores juntas – “acaixotado”, que em nada beneficia a paisagem urbana presente e que, justiça lhe seja feita, bem ficava no Porto das Pipas se houvesse bilhetes dos barcos para vender. A passos largos para o início das festas da cidade, asseguro que vou olhar para o estático benfeitor da modernidade angrense – cidade cultural onde se continuam a agrafar cartazes de eventos em painéis de madeira encostados às paredes… - como se eu próprio visitasse a cidade pela época do São João. Ou seja, na esperança vã de que “pode ser que tirem aquilo dali quando acabarem as festas”…