Antes de mais devo confessar que tive de me resignar às duas boas exibições de Portugal na fase de grupos deste Europeu. Não me considero um "anti-Scolari", mas nunca encaixei bem com o misto chorminga/durão que o seleccionador brasileiro (sim, que é a sua nacionalidade...) veio imprimindo na equipa de todos nós mas, e os resultados são claros, a eficácia e a forma coesa com que "Felipão" pôs a turma das quinas a jogar na Suiça, aliado à enorme qualidade do plantel que tem à sua disposição, afastam a voz dos detractores firmes da sua orientação. Pode ou não gostar-se do estilo, da forma, do interesse meio-peganhento da sua conversa estudada ou mesmo dos métodos aglutinadores de união e companheirismo, mas a verdade é que o toque de bola e o futebol escorreito (perdoai-me o "menesismo"...) já convenceram o mundo do desporto-rei. Nem sequer parece a equipa que jogou a qualificação!...
Arrisco até a fazer uma apreciação personalizada dos jogadores até agora utilizados, sendo esta apenas a minha opinião pessoal:
Ricardo-Apesar de alguns bons pormenores, continua a ser um tanto inseguro na generalidade e desastroso na particularidade das saídas a bolas altas.
Bosingwa-Para já pouco fulgurante, faz a diferença no jogo homem-a-homem e precisa de espaço para os seus famosos sprints.
Paulo Ferreira-Vai cumprindo sem grandes dissabores, mostrando que, mesmo fora do seu lugar original, a craveira técnica está presente.
Ricardo Carvalho-Sem ser excelente vai tomando conta do espaço central do terreno, permitindo as subidas de Pepe e salientando-se no posicionamento irrepreensível.
Pepe-Um poço de força e velocidade. Recupera jogo e avança no terreno como se de um avançado se tratasse. À parte um ou outro deslize, está a provar porque merece estar num dos grandes clubes mundiais...
Petit-Vai surpreendendo pela entrega e energia, não renegando a idade mas transmitindo segurança numa posição essencial.
João Moutinho-É brilhante o jovem médio, mesmo se o poderio físico dos adversários pareça ameaçador. Joga e faz jogar, numa fulgurante acção que nem aponta as três épocas (quase) conscutivas a jogar todas as semanas.
Deco-Que dirão os responsáveis do Barcelona que o querem "despachar" ao ver as suas duas exibições por Portugal? Simplesmente geniais muitos dos seus pormenores e, cada vez mais, a mostrar-se o patrão regressado ao miolo do terreno na equipa portuguesa. Tem toques de Midas em bolas que pareciam pobres de pedir...
Simão-Ainda não explodiu, sendo que joga na selecção um tanto atrás do que o faz na época regular da sua equipa. Mas promete ainda explanar jogadas próximas do seu futebol típico.
Cristiano Ronaldo-A jogar numa posição diferente, e sem tanto espaço ou "munição", relativamente ao Manchester United, é sem dúvida o homem para quem todos olham e que, em poucos metros e segundos, pode resolver uma partida. Um protento em campo.
Nuno Gomes-Com um esquema táctico que não privilegia a acção do ponta-de-lança, vai fazendo pela vida, tabelando e dando a jogar, numa acção que já é conhecida da linhagem nacional.
Raul Meireles-Entrou e marcou, deixando a sua assinatura de classe e lembrando que pode ser uma opção viável para resolver jogos.
Nani-Ainda não pôde mostrar tudo o que vale, mas é uma arma secreta de grande nível, e que pode criar desequilíbrios à medida que Portugal for avançando no torneio.
Quaresma-Se souber cumprir, como fez em dez minutos, as orientações de jogo, pode muito bem ser o elemento mais valioso do banco português. E até titular, conforme a eficácia futura de Simão.
Fernando Meira-Um exemplo de trabalho sério e entrega. Entra e cumpre sempre que necessário. Com equipas mais fortes fisicamente é extremamente importante. Com futebol mais apoiado nem deve jogar, mas é uma segurança acrescida para a selecção nacional.
Hugo Almeida-Mal se viu frente à República Checa. E arrisca-se a que seja sempre assim.
A anunciada saída de Scolari para o Chelsea não surpreende, pois era conhecido o desejo do brasileiro passar a treinador-a-tempo-inteiro, naquele que poderá ser até o grande óbice (a falta de rotinas de jogos e gestão de equipa...) da sua futura actuação em Inglaterra. Não creio que isso sequer mexa com a equipa nacional, com excepcção de um ou outro jogador até poder mostrar mais serviço...não vá cativar Abramovich para o plantel 08/09 dos "blues"...
Quanto ao que poderá fazer esta selecção no Euro da Suiça e da Aústria, julgo que depende um pouco do que lhe calhar em sorte, esperando que potências como a Alemanha não se nos cruzem no caminho. É que, quanto mais previsível for o adversário, mais difícil se pode tornar a missão dos portugueses. Isto acho eu, claro!
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