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PORTO DAS PIPAS

miguel de sousa azevedo - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel de sousa azevedo - açores

30.Abr.16

O "quinto toiro" será socialista?

Foto Cronica 60DI ABR16 - O quinto toiro será soc

O título para estas linhas é tudo menos provocador. E passo a explicar porquê...

Em jeito de piada, já afirmei que este domingo a paz social regressa à Ilha Terceira. A verdade, é há poucos que o possam negar, é que o início de mais uma época de touradas à corda - evento que se estende até meados de outubro, por tudo que é lugar desta terra redonda... - cria uma ansiedade enorme. E em toda a população: Os que gostam, os que não gostam, os que não se "importam com isso", os que se incomodam, os que ganham dinheiro com a tradição e os que vão esvaziar os bolsos nas tascas ou fornecer mesas de arromba. A festa dá para todas as leituras e é uma verdadeira democracia, na mais pura utilização do termo. Confesso-me um terceirense convicto nestas coisas dos toiros na rua. Gosto da animação, dos despiques, dos encontros, das mesas, dos passes a preceito. E rio-me baixinho com as invejas, as intrigas e as brigas tolas que as cervejas a mais provocam sem pedir. Gosto de ir às tascas provar as bifanas e os "curtumes", adoro cerveja fresca e boa companhia e, felizmente, tenho em vários arraiais um conjunto de amigos e uma data de portas de entrada franca. Como vai sendo o convívio que daí resulta

E agora vamos ao que motivou a graçola acima indicada. Nos últimos 20 anos, os Açores mudaram imenso. Em quase tudo para melhor, é inegável dizê-lo. O que me assusta e arrepia é que a máquina "oficial" cresceu tanto que, para além de ser visivelmente insustentável, está metida em tudo que é canto da nossa sociedade. E quando escrevo isto, significa mesmo que é no sentido de tomar conta e de controlar. Tanto que me bastará publicar este texto para me apontarem o dedo por discordar do sistema regional em vigor. Como se eu não tivesse esse direito...

Mas também é certo que se tornou um lugar comum - de forma infeliz, acentue-se -, dizer que "fulano é que está bem, recebe o rendimento mínimo", ou que "fulano é que se arranjou, tinha a cunha certa", ou até que "aquele é filho do outro, está visto que o lugar é dele" e que "os presos? esses até têm tv cabo e bilhar, consolam-se". Estes são ditos que já todos ouvimos, e que nem um bom "quinto toiro" pode apagar do nosso dia a dia. Mesmo se "eles recebem o rendimento mínimo e vão torrá-lo para as touradas...e depois têm as assistentes à porta para os ajudar outra vez". A realidade, mesmo debatida com piada e um petisco na mão, é a que nos entra pelos olhos dentro. Mesmo que não a queiramos ver ou aceitar.

Quanto à pergunta formulada a encimar estes parágrafos, tem um não como resposta. Aliás, era corrido o ano de 2008 - ano eleitoral nos Açores, portanto -, quando o então presidente do governo e candidato, Carlos César, foi questionado sobre o "quinto toiro" pela televisão. Desconhecia o termo...e até pensava que se referia à oposição. Estava, salvo erro, numa tourada em São Bento. Afinal, a nomenclatura, que nem precisei de explicar, é recente e está bem mantida dentro de portas...

Este domingo, há três touradas à corda na Terceira. Para maio, estão agendadas 35. Os toiros a correr na rua e a galhofa instalada em cada varanda são a prova de que ninguém é dono disto. Ao menos que as gentes (também) pensem por si...

 

28.Abr.16

Um sorriso de maioridade...

Beatriz 18 anos.jpg

No início de janeiro, escrevi numa crónica que o Dia Mundial do Sorriso se celebra a 28 de abril, a data avançada pelo criador do conhecido "smiley", o artista norte americano Harvey Ball. E acrescentei que, nesse mesmo dia, faz anos a minha afilhada Beatriz. Que é das pessoas desta vida que, de facto, me têm feito sorrir...

Pois hoje, a nossa Bió faz 18 aninhos. Não só porque o tempo voa, mas acima de tudo porque ela é uma miúda terna e especial, com jeitos de mulher inteligente e opiniões bem firmadas, decidi não alinhavar ideias tontas nem ficar pelo papel de padrinho babado que tem a mania que escreve. Mas a verdade é que serei pelo menos uma destas duas coisas. De certeza absoluta.

Vai daí, e apetece-me recordar aquela criança pequena, com quem criei uma ligação estranha. Desde logo. Uma ligação de muito mais que amigo para filha de amigos. E, mais ao longe do que gostava, fui vendo aquele olhar azul fazer o seu papel de flor. De uma maneira bem mais meiga que as palavras que lhe ofereci aos primeiros dias de vida.

Já vi a Beatriz cantar, resmungar, mostrar-se feliz e saber dividir esse lado são, assim como não a vi crescer tão depressa. E tudo isso me faz sempre gostar mais dela. Numa cumplicidade que, acima de ser presencial, se vai fazendo pelo melhor motivo do mundo: O sorriso. Nesse, ela tem sido imbatível. E acredito que vai continuar.

Parabéns, Beatriz. Um beijinho e até logo...

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26.Abr.16

20 anos de jornalismo...

20 anos jornalismo MSA.jpg

Foi no dia 26 de abril de 1996 que iniciei a minha carreira como jornalista. Nem sei se lhe poderei chamar carreira, afinal apenas em alguns desses 20 anos exerci a profissão a tempo inteiro, produzindo notícias e conteúdos, e ocupando vagas de trabalho precário...

O que conta é que, na tarde dessa distante sexta feira, e após um feriado da Liberdade - o primeiro que passara sem o avô Fernando, falecido em janeiro e que completaria 83 anos nesse dia -, já gravei uma peça para o noticiário das 18 horas. Ainda sem saber muito bem ao que ia, mas acatando as indicações do Tibério Cabral e da Maria Dolores Resendes - ambos já falecidos -, que juntamente com o João Luís, o Zé Alberto Silveira, a Ana Paula Gomes, a Emília Freitas, a Fátima Valente e a Carla Toste, passaram a ser as minhas companhias diárias no Rádio Club de Angra.

Poderia aqui contar uma longa - mas muito longa - história, com referências a um monte de jornais e revistas, sites e estações de rádio, diretos e reportagens, chatices e decepções, mas não vou fazê-lo. Para já, porque o facto de se cumprir duas décadas seja lá do que for já me faz sentir uma data de dores e indisposições. E depois porque de longe me sinto realizado com o que possa ter prestado ao jornalismo como profissional. Umas vezes por opções precipitadas, outras por estar no tempo errado, mas penso que nunca por me ter furtado à ação ou não ter demonstrado empenho e algum talento. Não é modéstia em excesso nem parvoíce. É uma constatação pura...que deixo aqui em tom de notícia... (num só take, e à primeira).

Venham mais 20...

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