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PORTO DAS PIPAS

miguel de sousa azevedo - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel de sousa azevedo - açores

28.Abr.12

Sucessos, tradições e árvores...

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1-Três décadas de Pinto da Costa à frente dos destinos do Futebol Clube do Porto deram tanto ao desporto nacional como a revolução de abril deu à aclamação da democracia e à instituição da liberdade. O carismático presidente do emblema azul-e-branco personifica o sucesso nacional e, acima de tudo, a vitória sobre o centralismo herdado do Estado Novo, em que Portugal era composto por Lisboa e seus arredores, e nada nem ninguém poderia ameaçar a supremacia da capital. Atendendo a que o futebol - mas recordando que a equipa nortenha domina em várias frentes do fenómeno desportivo luso -, é uma motivação social em tudo superior à política ou à cultura, isto também atendendo às incoerências vivenciais e às carências que nem em liberdade se resolvem, não será exagero nenhuma das comparações atrás avançadas. Desde a final de Viena (Taça dos Campeões Europeus) em 1987, até à mais recente conquista da Liga Europa (2011), passando por Sevilha (Taça UEFA) ou Gelsenkirchen (Liga dos Campeões), são às dezenas os títulos nacionais e internacionais que o grémio do dragão personifica, sendo o seu dirigente máximo o que mais conquistas conseguiu, a nível mundial. Uma imagem de sucesso, marcada pelas desconfianças que a comunicação social tão bem alimenta, mas que na prática demonstra o saber e a astúcia de um presidente carismático…há 30 anos.

 

2 – A recente petição entrada na Assembleia Regional para impedir a aplicação de dinheiros públicos na tauromaquia açoriana é mais uma ação desprovida de apoios e fundamentos próprios, bem na senda das últimas ameaças por pseudo-defensores dos animais, que em mais nada parecem contribuir para o bem-estar das espécies no arquipélago. Nunca, nos anos mais recentes, se viu nada vindo de tais agremiações ou grupos para impedir e punir o abandono de animais domésticos, a melhoria das condições em explorações e afins, a implementação de campanhas ativas para tirar das ruas os animais vadios, o firmar de regras para canis ou matadouros, enfim uma intervenção que não vá contra costumes e tradições sem anseios de promoção pessoal ou “show off”. Foi assim com o recente fórum mundial da tauromaquia, tem sido assim quando há maiores levantes em torno da festa brava, uma instituição cultural assumida e instalada em várias ilhas da região, na qual há melhorias a implementar, mas que tem o condão da opção, tal como qualquer outro fenómeno cultural, quer no tocante aos espetáculos à porta fechada como nas manifestações de rua ou de campo. Legislar sobre as vontades não é certo, como não é certo só dar a cara quando dá jeito. Mas acontece…

 

3 – Prossegue em massa o corte de árvores nas artérias da cidade de Angra do Heroísmo que, já depois da Praça Velha, avançou em mais três avenidas, apontando agora as autoridades municipais a serras à Avenida Infante D. Henrique, que será a próxima a levar a poda fatal. Pode concordar-se com todas as razões invocadas pela autarquia para tal desfecho, até porque havia visíveis fundamentos em vários sítios para retirar árvores. O problema é que nesta terra se faz tudo pelo avesso, ouvindo a opinião das pessoas, e ao que se sabe dos entendidos em várias matérias, quando os passos estão dados e as intervenções em andamento. Mais do que remendar à vista um sem-número de artérias, que são alvo de obras avulsas e sem ligação, é preciso planeamento e coerência na nossa cidade património. O corte a eito de dezenas de árvores, a recente intervenção nas calçadas, os asfaltamentos quase ao nível dos passeios de algumas ruas ou a contínua desregulação cultural em rumo incerto são provas de que essas condições vão faltando. Nem se trata de dizer que tudo vai mal, mas antes alertar para a escassez na melhoria…

24.Abr.12

Lusitânia/EXPERT com “objetivos concretizados mas pronto para o Benfica”

A equipa agraciada no passado domingo, no Estádio João Paulo II...

Foto: Ricardo Laureano/RL photo

 

O Lusitânia/EXPERT viu “concretizados” os seus objetivos desportivos na presente temporada com a recente passagem às meias finais da Liga Portuguesa de Basquetebol, mas a equipa assume estar “pronta para agora defrontar o Benfica, pois vamos jogar com naturalidade, embora cientes de que nada temos a perder mas antes tudo a ganhar”, referiu o técnico verde-e-branco antes do treino desta segunda-feira, e já depois da equipa ter sido agraciada pelos adeptos, no passado domingo, no Estádio João Paulo II.

 

Para Nuno Barroso, o próximo desafio “acrescenta responsabilidades para o Benfica, pelo que vamos assumir o nosso papel, apontados para vencer, mas sabendo que temos os objetivos já cumpridos, e que tudo o que acontecer será bem-vindo”, disse
claramente, frisando que “o grau de dificuldade aumentou substancialmente, mas há sempre a fé de, pelo menos, chegarmos a uma segunda eliminatória”, avançou.

 

Durante a época “fomos levando a cabo um trabalho continuado, com muita confiança naquilo que estávamos a fazer e muita confiança nos jogadores”, revela o técnico terceirense que, desde o início da temporada sabia “que havia qualidade no plantel e que poderíamos chegar onde chegamos”, confessou.

 

“Desde o início da temporada tivemos, no entanto, alguns percalços que, de alguma forma, desequilibraram a equipa, casos de algumas lesões e da saída prematura de um jogador”, explica Nuno Barroso, acrescentando que “com um trabalho sério, ultrapassamos isso e, no passado fim-de-semana, os resultados foram visíveis, e não foi por acaso que ganhamos os três jogos frente à Ovarense, que era apontada como clara favorita na eliminatória”.

 

Confrontado com o facto de o Lusitânia ter sido a equipa-surpresa da Liga Portuguesa 2011/12, o responsável pelo conjunto de Angra explica que “desde o início que achei isso, até porque ninguém nos atribuía o valor que, à partida, já sentíamos possuir. A equipa não foi feita de novo, mas recebeu alguns jogadores nucleares esta época, e já se sabia que há coisas que levam o seu tempo”, afirmou.

 

“No entanto, a qualidade dos jogadores, mesmo se alguns deles não são muito espetaculares em campo, foi desde logo reconhecida por nós, pelo que fomos surpreendendo ao longo da época”, destaca Nuno Barroso, dizendo mesmo que “até
ficamos um pouco aquém do que poderíamos ter feito, com a final da taça de Portugal a ser um objetivo não concretizado, e que ficou um pouco atravessado na garganta”, rematou o treinador do Lustânia/EXPERT.

 

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Entrevista com Nuno Barroso:

23.Abr.12

Dia Mundial do Livro

Mataram o Sidónio, de Francisco Moita Flores...

" O assassínio do Presidente da República Sidónio Pais, ocorrido em 1918, é um mistério. Apesar de a polícia ter prendido um suspeito, este nunca foi julgado. A tragédia ocorreu quando Lisboa estava a braços com a pneumónica, a mais mortífera epidemia que atravessou o séc. XX e, ainda, na ressaca da Primeira Guerra Mundial. A cidade estava exaurida de fome e sofrimento. É neste ambiente magoado e receoso que Sidónio Pais é assassinado na estação do Rossio em Dezembro de 1918. Francisco Moita Flores constrói um romance de amor e morte. Fundamentado em documentos da época, reconstrói o homicídio do Presidente-Rei, utilizando as técnicas forenses e que, de certa forma, continuam a ser reproduzidas em séries televisivas de grande divulgação sobre as virtualidades da polícia científica. Os resultados são inesperados e (Morro Bem. Salvem a Pátria?) é um verdadeiro confronto com esse tempo e as verdades históricas que ao longo de décadas foram divulgadas, onde o leitor percorre os medos e as esperanças mais fascinantes dessa Lisboa republicana que despertava para a cidade que hoje vivemos. E sendo polémico, é terno, protagonizado por personagens que poucos escritores sabem criar. Considerado um dos mestres da técnica de diálogo, Moita Flores provoca no leitor as mais desencontradas emoções que vão da gargalhada hilariante ao intenso sofrimento. Um romance que vem da História. Uma história única para um belo romance... "


Ler um livro ainda implica para mim um certo ritual pelo que, e como em tantas outras ações, essa mesma necessidade leva-me à escassez e ao deixar de uns quantos exemplares na prateleira, com dez ou quinze páginas desfolhadas. Durante a infânica li avidamente tudo o que me passava pelas mãos, na juventude acalmei um pouco e comecei a seleccionar de outra forma os objetos, e hoje - nesta idade que não se sabe bem o que é - primam as desistências, ficando o total de livros consultados bem à frente dos enredos apreendidos e dos ditos rituais em cumprimento. Mudar essa tendência significa, para mim, uma estabilidade que vem de fora para dentro, tendo de ser obtida antes do tocar em cada capa ou lombada, do imaginar as imagens que surgirão, ou da busca incessante pelo epílogo das derradeiras horas de espera. Como nas últimas dez vezes que escrevi sobre ler ou sobre livros, prometo mais...para a próxima. Por agora, fica um livro comprado há quase dois anos, e que só agora remeti aos prazeres da conclusão. E vai valendo a pena, ganhando as palavras a vida desejada nos momentos da apreensão...

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