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PORTO DAS PIPAS

miguel de sousa azevedo - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel de sousa azevedo - açores

31.Jan.11

Pista à vista na Praia!

Ampla vista do espaço em construção na Praia da Vitória...

Fotos: Ricardo Laureano

 Falta menos de um mês para que a animação comece no primeiro recinto específico da região para a prática dos desportos motorizados. Na Praia da Vitória, mesmo ali atrás do estádio municipal, mais uma “empreitada” – esta, sem dúvida, a maior de todas… - da “Olavo Esteves Competições” ganha os contornos finais. Segundo o empreendedor piloto praiense, “estamos a cerca de 80% da feitura da pista. Um pouco abaixo do que pretendia, pois o mau tempo tem atrapalhado, com chuva intermitente durante quase duas semanas, e isso impede o trabalho normal de retroescavadoras e cilindros”, mas, “nem que tenhamos de trabalhar aos fins-de-semana com as niveladoras, espero ter a pista operacional entre os dias 15 e 20 de Fevereiro, até porque nessa altura serão os primeiros reconhecimentos e os testes com a iluminação, podendo já os pilotos ver com o que contam. O atraso não é preocupante, mas precisamos de quatro ou cinco dias de bom tempo para começar a consolidar o piso, pois esse é o grande avanço que falta”, explica Olavo Esteves.

Será, sem sombra de dúvida, um local de referência para o crescimento das modalidades com motores entre nós, numa iniciativa que, “convém referir, é totalmente privada e feita num terreno alugado para o efeito”, esclarece o empresário, relatando que, “temos algum apoio logístico da câmara da Praia da Vitória, e posso já anunciar que a Terauto será o patrocinador oficial do recinto em 2011, isto no ramo automóvel, pois foi decidido que a nossa estratégia comercial vai assentar em apenas um parceiro de cada área, de modo a não haver atritos, até porque a publicidade será disposta uniformemente e sempre bem mantida por nós”, assegurou.

Em termos de actividades, e sabendo-se que “a 25 de Fevereiro será a inauguração do centro, com a pista principal a receber duas super-especiais do 1º Rali Cidade Praia da Vitória”, as expectativas “são as melhores, pois superámos o numero previsto de inscritos no motocross, e ultrapassámos o mínimo exigido para o troféu de quadcross. Para as resistências em TT pensava ter já uma maior adesão, assim como para o Autocross – onde há já uma competição júnior confirmada e que se poderá integrar em formação desportiva -, mas sei que quando as provas começarem os interessados vão aparecer, porque com provas em andamento o apetite vai abrir…”, comenta Olavo Esteves, acrescentando que “essas competições terão inscrições abertas até 10 de Março”.

Para esse mês (dias 18,19 e 20) está agendada a primeira “enchente” com todas as modalidades à disposição, realizando-se “o 1º Festival Motorsport da ilha Terceira, onde a grande novidade serão os Kartcross, com uma inédita corrida entre nós, e que tem já confirmados seis pilotos do continente, três de São Miguel e um piloto local, o primeiro a aderir à modalidade. Além de várias corridas nos três dias e dos já conhecidos karts de aluguer”, revelou. 

Olavo Esteves, orgulhoso de mais esta iniciativa...

O que é o CDM/Praia da Vitória?

 “É uma estrutura idealizada para todo o tipo de competições motorizadas, que são a sua essência, mas já fomos contactados para hipotéticas provas de atletismo (corta-mato) e já houve uma sondagem relativamente ao BTT. Localiza-se atrás do estádio municipal, tem acessos próprios e parques de estacionamento para todo o tipo de assistência (3 para espectadores, comunicação social, viaturas de emergência e organização) sem que estes interfiram com o que se passa em pista. A sinalização exterior estará também assegurada para um fácil acesso”, diz Olavo Esteves.

“A pista em si tem cerca de 1800 metros em piso de terra, com um traçado idealizado para este terreno e a contar com zonas de várias velocidades e dificuldades, o que se conseguiu a ver pelas opiniões de alguns pilotos que já estiveram no local. Tem uma largura máxima de 12 metros, a possibilidade de várias configurações, e penso que na primeira experiência os pilotos vão ficar muito agradados. Há uma outra pista interior, para as motos e os quads, cujo traçado está a ser delineado por um grupo de pilotos locais, de forma a garantir a maior consensualidade, pois temos de contar com todos os concorrentes”, explicou o mentor do projecto.

28.Jan.11

Claridade(s)...

A estabilidade da região, em imagem...

-Claro que a ex-secretária regional da educação não saiu do executivo por causa da polémica em torno de um favorecimento familiar em negócio público. Tão pouco terá abandonado o cargo pela sua inabilidade política e pouca capacidade de expressão, daí os agradecimentos proferidos pelas hostes socialistas ao seu desempenho.

 

-Claro que não estava já preparada esta pequena achega no reformular do executivo, nem ligada a ela esteve a não-ascenção a líder parlamentar da bancada rosa da agora surpreendentemente revelada nova secretária regional da educação.

 

-Claro que o filho da governante que devolveu a bolsa de estudo tinha o dinheirinho guardado num mealheiro, pois o peso na consciência impediu uma rápida ida aos saldos. Até porque, claramente, o dito valor foi devolvido em Dezembro, mas só agora se soube do sucedido para não afectar as promoções em andamento no comércio tradicional.

 

-Claro que não é um acto populista alargar às autarquias açorianas a polémica, mas tão consensual, remuneração compensatória para quem aufere entre 1500 e 2000 euros mensais. Afinal a medida até irá beneficiar sete ou oito dezenas de trabalhadores, deixando na mesma apenas os outros milhares de funcionários das câmaras municipais da região.

 

-Claro que foi sem mágoa ou mau perder que se anunciou a remodelação diminuída da intervenção - e que insistem apelidar de requalificação... - projectada para a Praça Velha, em Angra do Heroísmo. Nem tão pouco se entendeu que, face à vontade popular, o executivo autárquico tenha cedido minimamente de livre vontade e sem qualquer esboço de ressentimento.

28.Jan.11

Entrudo de sala de aula...

A magia de querer saber quem está por trás de cada máscara...

Nos três primeiros dias desta semana participei, naquela que foi a minha entrada inicial na nova Academia da Juventude da ilha Terceira, num workshop, ministrado pelo escritor e poeta Álamo Oliveira, onde se tentou unir o teatro e o nosso carnaval popular, numa hábil mescla entre as origens clássicas das artes de palco e o que hoje assistimos, de salão em salão, sob a forma de danças e bailinhos. Com muitas mais horas para depor e conversar, naturalmente que não vou resumir as sessões, que acabaram com um exercício prático (na quarta-feira, dia 26), desafiando a pouco-mais-que-dezena de participantes fixos a encenar um texto cómico, lembrando o incomparável entrudo terceirense, em jeito de comédia e a “cair” para o bailinho. Antes disso, e no andamento das alocuções, foram-nos pedidas definições pessoais de teatro (segunda-feira, 24) e de teatro popular (terça-feira, 25).

Partilho aqui o que escrevi, deixando à imaginação de quem não esteve presente o exercício de juntar o clássico ao empírico, as cadeiras sumptuosas das grandes salas de espectáculo às pequenas colectividades de freguesia, e daí tirar as suas próprias ilações sobre os modos de actuar e, sempre, o jeito irrepreensível de como o palco nos faz sonhar. Mesmo que estejamos do lado da plateia.

 

Teatro (definição pessoal)

O teatro é uma realidade diferente em que gosto de me deixar envolver. Mesmo se dela guardei sempre a distância necessária para não ser afectado, mas apenas agradado.

Gosto de me vestir para ir ao teatro. Gosto do silêncio quando estou no teatro. Gosto da dualidade do teatro como acção e como espaço físico.

Gosto da fantasia, da cor, dos berros e dos sorrisos do teatro.

Gosto do teatro porque o teatro é mesmo vida. Mesmo se nunca fiz teatro e se abusamos diariamente deste nosso palco.

Não gosto, no teatro, do facto de estar sentado muito tempo. Desconcentra-me.

 

Teatro popular (definição pessoal)

O teatro popular é bom porque pode estar ali ao pé da porta. E é mau porque, só a espaços, satisfaz as elites.

No entanto, e partindo do principio que ser popular pode indicar êxito fácil, esse teatro dito de proximidade pode também cavar um fosso para a audiência.

Caberá a quem o representa e a quem o vê distinguir-lhe as qualidades. Como com todas as outras coisas boas e más é a apreciação global a ditar leis. E essa está sempre longe de ser consensual.

 

Encenação (a minha parte)

 

(Saudação…por uma colega de grupo)

 

Boa noite a toda a gente

Que se encontra aqui presente

Nesta Praia da Vitória

Jornalista me apresento

Na língua não tenho tento

Sou da RTP-Memória

 

Viemos entrevistar

E ajudar a divulgar

O que aqui se aprendeu

Fala em primeiro lugar (fazem-se todos distraídos)

Aquele que quiser começar (fazem de conta, até que um avança…)

 

(…)

 

(participação…eu)

 

O tema era atraente

E já deu trabalho à gente

Que trouxe a papinha feita (aponto outros elementos do grupo)

Eu cá não me adiantei

E tanto deputado escutei

Que a memória ficou estreita

-

Felizmente aqui na mesa (aponto todo o grupo)

Há gente, pois com certeza

Que rima e faz sorrir

E se esteve a trabalhar

Nem se quis atrapalhar

E fez graças de aplaudir

-

Se é outro o meu Carnaval

Que não me levem a mal

Nado e criado na cidade

Mas quando o assunto é rir

Passa o jeito de sair

E isto cresce com a idade

-

Cá viemos ouvir o mestre (aponto o Álamo Oliveira)

A dizer algo que preste

Sobre terra tão inteira

Que se ri sem ver de quê

Sem ser tola ou estar p’ra sê

O carnaval é na Terceira

 

(…)

 

(Despedida…por uma colega de grupo)

 

E agora desce o pano

O resto…fica p´ró ano!

Momento de uma das sessões do workshop...

Foto: António Araújo/DI

27.Jan.11

Monte Carlo bate recordes na TV...

Bryan Bouffier surpreendeu na prova monegasca...

Cerca de 14 milhões de telespectadores assistiram à prova inaugural do campeonato de ralis IRC, o Rali de Monte Carlo, através do canal Eurosport. Comparando com 2010, terão sido mais 2 milhões de pessoas a seguir a prova através da televisão, representando um aumento de 16,5% face aos números de há um ano.

Um dos pontos altos das transmissões foi mesmo a estreia da tecnologia simulcam que permitia comparar diferentes estilos de condução e pontos de travagem. Além disso, a emotividade que o rali ganhou pela "hecatombe" de favoritos provocada por um nevão inesperado contribuiu igualmente para somar mais interesse à competição ganha por Bryan Bouffier, em Peugeot.

O autor deste blogue gravou tudo o que deu sobre a edição que comemorou os cem anos da prova monegasca...mas confessa não ter tido ainda tempo para ver tanto troço. E o pior é que à espera estão ainda duas transmissões da prova de 2010...

25.Jan.11

Dar cavaco à Praça Velha...

A Républica, encimando a central praça de Angra...

O título desta crónica pode pressupor alguma mariscada na sala de visitas da cidade património dos Açores, mas não. Pretendo somente aflorar os dois acontecimentos políticos mais importantes dos últimos dias, e que foram a reeleição de Cavaco Silva como presidente da república e a apresentação (ao público) da requalificação decidida para a Praça Velha. O primeiro facto, pela miserável quantidade de eleitores que, no arquipélago, se dirigiu às urnas, parece nem ter despertado grande interesse, até porque em causa estava apenas escolher o mais alto magistrado do país. Já no que toca ao assunto seguinte, aí a coisa fia mais fino, pois de imediato as vozes populares se levantaram, como se da coerência estética da bonita praça dependesse a felicidade humana.

Vamos por partes e, na corrida a Belém, Cavaco Silva obteve mais ou menos o que se esperava – no meu caso escrevi em Outubro mais ou menos o mesmo que escreveria hoje… -, sendo reencaminhado num cargo, para o qual promete uma nova via institucional nos cinco anos que se seguem. Atrás dele ficaram candidatos de regime, de acusações, de cidadania e de (até) espontânea palhaçada, mas o povo foi soberano e atribuiu à estabilidade e à maior coerência dos apoios consagrados por Cavaco o importante papel de segurar o país, por menos destaque que se queira dar à intervenção presidencial.

Aqui ao pé da porta, onde aliás Cavaco esmagou a concorrência de forma claríssima, o debate da Praça Velha tomou os cafés vizinhos, rumando à sociedade angrense que já se manifestou em petição pública por uma ampla e aberta discussão rumo à consensualidade da intervenção. Intervenção que, aliás, até é de aplaudir, pois a dita praça bem precisada está de uma mexida, sendo só pena que o estado decrépito de todo o piso público do centro angrense não mereça da entidade camarária tal clemência.

Mais do que dar aqui a minha opinião sobre os bancos de betão escolhidos – que até acho feios para o fim em vista… -, sobre o quiosque em causa – que também acho feio… - ou sobre as árvores anunciadas – que espero se coadunem tecnicamente com a regularização esperada para a manta de Mestre Maduro Dias… -, alerto para um facto indesmentível e que, esse sim, criou o alvoroço eminente de se (re)mexer no coração de uma cidade. E logo de uma cidade como Angra.

Munida do mesmo senso democrático com que anuncia à vereação maioritária da oposição muitas das suas acções, a câmara municipal decidiu requalificar a Praça Velha “sem dar cavaco às tropas”. E as tropas, neste caso o povo que resta lúcido na sequência hereditária do velho burgo quinhentista, achou que isso era um abuso. Como abusivas têm sido várias intervenções de monta no nosso concelho. Felizmente o povo ainda é soberano, só que nas tropas vai mandando (mesmo) quem governa…

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