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PORTO DAS PIPAS

miguel de sousa azevedo - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel de sousa azevedo - açores

31.Ago.10

Dar…como princípio de festa (crónica)

À porta do Império, ouvindo as deixas do Pezinho...

No início deste mês de Agosto dei por encerrada uma tarefa, que se estendeu por três anos consecutivos, e que considero cumprida com o maior prazer e a possível dedicação: ser mordomo e integrar uma comissão de Império, em prol do culto ao Espírito Santo, e tentando manter vivas tradições muito nossas. Passou-se na Guarita, concretamente no Império dos Inocentes daquela movimentada artéria da nossa cidade, sendo que ao convite inicial para encabeçar uma comissão, que foi “acompanhado” pelo usual repto de que “ao Senhor Espírito Santo não se diz que não”, respondi com algum receio, e mesmo se os meus quatro caros amigos, logo contactados, não viraram a cara à tarefa, aceitando a deixa ao primeiro telefonema. E em poucas horas estava feita a comissão, levantando-se de imediato as inerentes dúvidas sobre como desempenhar o papel, face a uma população onde o culto atrás referido está enraizado e é fortemente sentido. Organizar uma festa de freguesia rural, ou no caso de uma pequena localidade urbana marcada pelo seu Império, dá as mãos a um padrão de tradições que têm de se cumprir, puxando pela imaginação na hora de fazer com que as pessoas participem, e ainda mais quando a “concorrência” está ao pé da porta, suportada por meios e possibilidades de enorme monta. O verão terceirense há muito que deixou as festas e romarias no sentido obrigatório da deslocação diária, e mais pequeno seja o arraial menos povo lá aparece. Já é regra e contra isso valha-nos o convívio com os da casa. Afinal são eles quem pagam a festa, são eles que a ostentam orgulhosamente nas suas memórias, e são eles que abrem as suas portas no dia dos toiros, em toda a parte deste terra o epílogo desejado para cada festejo e a tarde predilecta para ter a conversa em dia e a barriga cheia. Esta gente é assim, e ainda bem! Desviando-me um pouco dos afazeres de mordomo ou ajudante – na Guarita e noutros lados apenas se “serve”, mas há definições que identificam as tarefas… -, achei por bem deixar por escrito que a alegria contida de se ter as luzes da rua acesas e os primeiros acordes de uma cantoria, face a mesas cheias e muito reboliço, é impagável. Para trás têm, obrigatoriamente, de ficar as horas perdidas com a burocracia das festas, os arrufos internos de quem pensa de maneira diferente, ou até os contrastes na maneira de reagir aos problemas. Mas esses serão apenas punhados do dia-a-dia que se transferem para a organização das mesmas, em episódios que se diluem nas recordações de se fazer para os outros com boa vontade, assim aprendendo que dar é uma capacidade que a sociedade actual não quer desenvolvida, pelo que nos vão valendo, nestas terras de gentes francas - e defendendo que pelas minorias não se estraguem as apreciações -, as tradições vincadas e o culto a esta terceira pessoa da Santíssima Trindade como um bem. Um bem que nos indica a mão do próximo como objecto de afago, e as dificuldades alheias como campo de dádiva. Sem falsos altruísmos nem ambições públicas, apenas e só cumprindo uma vontade que devia ser de todos para que, pelo menos por aqueles dias, uma outra minoria os passe de melhor forma. Quer seja a sua carência de ordem económica, social, afectiva ou física. Nas nossas festas, que o princípio vá sendo mesmo o de criar para dividir…

 

30.Ago.10

E o burro é quem, afinal?

Abandonos da selecção devem ou não preocupar a Federação?...

Depois de Simão Sabrosa (na sexta-feira), foi agora a vez de Paulo Ferreira dizer adeus à selecção nacional de futebol. O lateral-direito ao serviço do Chelsea já nem era principal opção para Carlos Queiroz, o que não lhe retira o valor inerente como um dos mais experientes do grupo, e logicamente com um lugar de suplente privilegiado. O caso aqui, penso eu, prende-se com a falta de empatia que o seleccionador conseguiu fazer reinar dentro da equipa lusa, mormente pelo seu feitio, possivelmente por aquela arrogância encapotada que sempre o caracterizou e, caso se confirme algum dia, porque é amiúde irrascível com o próximo, e para isso não deve haver grande pachorra, mesmo se estes e aqueles jogadores recebem uma boa maquia a cada saída com a camisola das quinas. Como nunca "fui muito à bola" com Queiroz, acredito que haja razões para esta e outras reacções por parte dos jogadores, independentemente do comportamento do "onze" português em campo, que na minha opinião tem alternado o sofrível com o surpreendente, e isto também face à inércia do ex-adjunto de Sir Alex Ferguson na hora de mexer nas coisas. Mas esses já serão males endémicos daquele equipamento. E, além disso, o adepto português já está habituado a sofrer, ou pelo menos a esconder as suas amarguras do dia-a-dia durante um jogo de qualificação, fase final ou meramente particular. Entretanto, e com ou sem processos pendentes, o mago das selecções jovens na década de 90, vai assobiando para o lado, rematando entrevistas com umas baboseiras, e enchendo as algibeiras à nossa conta. E o burro é quem, afinal? 

28.Ago.10

Prova de TT lembra Pedro Bretão Rego...

As motos e os quads regressam à competição na Terceira...

É com uma vincada nostalgia que as motos e os quads regressam amanhã à competição fora-de-estrada na Terceira. O troféu local de todo-o-terreno prossegue com as “Rondas da Serreta”, uma prova em formato curto e que se desenvolve toda em torno daquela freguesia da costa oeste, tendo em paralelo o intuito de recordar a memória de Pedro Bretão Rego, o bem conhecido advogado angrense falecido o ano passado, e que foi um real incentivador da prática dos desportos motorizados – concretamente o Motocross – naquela localidade, não só através do acompanhamento entusiasmado que fazia à carreira do seu filho – o talentoso João Rego -, mas também pelos diversos apoios na construção de uma pista permanente, a que actualmente existe na Terceira e onde se desenrolam as provas regionais. Segundo Carlos Costa, o organizador do evento, esta é “uma forma de homenagear um amigo e uma figura muito ligada às motos e ao local onde se vai desenrolar a prova, a Serreta”, revelou-nos. Preparando a reportagem devida do acontecimento desportivo, associo-me à lembrança e também recorda os bons momentos passados com o visado nesta homenagem.

Assim, as “Rondas da Serreta” compõe-se por apenas uma etapa de navegação, com partida na pista de Motocross daquela localidade pelas nove da manhã, tendo a chegada marcada para o mesmo local quando pouco passar das onze horas. Para o habitual público destas manifestações, a organização disponibilizou uma lista de zonas-espectáculo, onde se poderá apreciar o desempenho dos treze concorrentes da navegação, a saber: Furna água (Altares); Mata junto ao miradouro do Raminho; Subida de roca perto da Cova da Serreta, Mata antes da subida para o pico da Serreta; Descida do pico da Serreta; e Descida do carregadouro da Serreta.

Já de tarde, e a partir das 13 horas, será na pista de Motocross que 23 concorrentes vão disputar uma prova especial de velocidade, finda a qual serão entregues os troféus referentes a ambas as especialidades. Ou seja, será esta uma óptima alternativa para o domingo, e com tempo de sobra para um retemperador mergulho após a animação motorizada…

27.Ago.10

Jornalismos.

" Ao mesmo tempo que começamos a sentir um impulso pela nacionalização do outro, pela vontade de extravasarmos o nosso reduto cultural, são as notícias que ditam quem tem valor e quem não tem. Elas são os novos juízes do purgatório. Um africano tem menos valor do que um europeu. Um asiático tem menos valor do que um americano... "

 

Uma opinião fundamentada, esclarecida e directa ao assunto. Excelente esta crónica de Rodrigo Tavares, publicada na "Visão" da semana passada...e ainda tão actual pelas restantes semanas dos anos fora.

25.Ago.10

Menina do OlhO...

O cartaz da exposição que abre amanhã...

"menina do OlhO" é o título genérico de uma pequena mostra - que estará patente a partir de sábado, na freguesia de Santa Bárbara - de recentes fotos do nosso amigo Ricardo Laureano, um fotógrafo mais conhecido pelos instantâneos relativos ao desporto automóvel e pelas decorações criadas em torno dos carros de rali, mas que na sua já longa – de mais de 25 anos… - carreira juntou um notável conjunto de paisagens, momentos, retratos e demais formas de captar as naturezas física e humana.

Muito mais do que simplesmente anunciar o certame, pretende este pequeno post enfatizar as capacidades do nosso fotógrafo e intérprete das coisas do dia-a-dia. Há alguns meses munido da sua nova máquina, o RL – assim o conhecem e tratam os mais próximos… - regressou às hostes com grande força, juntando à criatividade a necessidade diária de eternizar cores e contornos, muitas vezes partindo de perspectivas pouco ortodoxas ou, vá lá, bastante originais. E disso é bem prova a “identificação” pronta que muitos fazem das suas imagens. Agora em exposição, o RL “tá lá”!

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