Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

PORTO DAS PIPAS

miguel de sousa azevedo - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel de sousa azevedo - açores

29.Fev.08

O Chico da Anica.

Hoje morreu o "Ti Chico". Há já dois dias que sabíamos que uma operação de rotina tinha revelado um problema inesperado que, infelizmente, se mostrou sem solução.

Sendo sabido que os pais dos nossos amigos se tornam igualmente pessoas de quem gostamos e com quem o convívio se torna natural, afianço que, neste caso, até foi ao contrário pois lembro-me do Sr. Francisco ainda antes das primeiras memórias com os filhos Frank e Steven. Lembro-me da pequena mercearia na Guarita, onde ia às compras com o meu avô e onde, com a rapaziada da escola, lá se deixavam umas "gamas" ou rebuçados na conta mensal do pai de um deles. Mas sempre coisa pouca para não dar chatices. Daí até à inauguração do seu "Americano" os anos já andavam depressa.

E passaram-se e criei com o meu querido companheiro Steven uma ligação forte, como acho que têm quase todos os que o conhecem. O ar bonacheirão e amigo de rir do pai estava sempre ali ao lado e, pelos vistos, bem sucedido geneticamente pelos dois "rapazes", como ele dizia. Revelando sempre que o seu Steven era "mais à sua maneira", o "Ti Chico" foi uma figura que nos acompanhou na vida, semana após semana, sempre com a sua graça e a resposta carismática:

-Ti Chico, está tudo bem?

-É um jovem...é um jovem! -dizia-nos sempre.

Mais do que recordar os muitos momentos de conversas breves e a sua atenção para com a minha Anita, a quem tratava sempre por "aquela pequena do continente", estas linhas são apenas de tristeza. Riscada algures por uma gargalhada de quando ele andava no meio da "canalha" e nos dizia que no seu tempo "é que que tinha sido"...

E o tempo do "Ti Chico" refugiou-se agora nessas lembranças. Fica uma lágrima e, acima de tudo, um abraço muito forte. A quem foi e a quem fica. Descansa, "Ti Chico"...

29.Fev.08

Olimpismo.

Quando faltam exactamente 160 dias para a abertura dos Jogos, e após a recente vitória de Ana Dias na Maratona de Sevilha (obtendo o respectivo mínimo olímpico...), são já 47 os atletas portugueses que compõem a delegação nacional para Pequim'2008:

 


 

Atletismo (23):
200 m: Arnaldo Abrantes e Francis Obikwelu
5.000 m: Jessica Augusto
Maratona: Hélder Ornelas, Paulo Gomes, Ana Dias, Leonor Carneiro e Marisa Barros
400 metros barreiras: Edivaldo Monteiro
3.000 metros: Sara Moreira
20 km marcha: João Vieira, Sérgio Veira, Susana Feitor, Inês Henriques e Vera Santos
50 km marcha: António Pereira e Augusto Cardoso
Salto em comprimento: Naide Gomes
Triplo Salto: Nelson Évora
Salto com vara: Elisabete Tavares ou Sandra Helena Tavares
Lançamento do peso: Marcos Fortes
Lançamento do martelo: Vânia Silva
Lançamento do dardo: Sílvia Cruz

Ciclismo (3):
Três atletas a nomear (fundo) e um atleta a nomear (contra-relógio individual), que será um dos três que participam em estrada

Judo (1):
Telma Monteiro (-52 kg)

Natação (7):
Tiago Venâncio (100 e 200 livres), Fernando Costa (1.500 livres), Pedro Oliveira (200 costas), Diogo Carvalho (200 estilos), Carlos Almeida (200 bruços), Diana Gomes (200 bruços) e Sara Oliveira (100 e 200 mariposa)

Tiro (1): João Costa (Pistola Livre)

Tiro com armas de Caça (1): Manuel Vieira da Silva (Trap-Fosso Olímpico)

Taekwondo (1): Pedro Póvoa (-58kg)

Trampolins (2): Ana Rente (feminino), Diogo Ganchinho (masculino)

Vela (8): Afonso Domingos/Bernardo Santos (Star), Álvaro Marinho/Miguel Nunes (470), Jorge Lima/Francisco Andrade (49er), Gustavo Lima (Laser) e João Rodrigues (Prancha radial)

29.Fev.08

Parabéns, Sofia!

Pelo segundo ano consecutivo a atleta terceirense Sofia Pires sagrou-se Campeã nacional de provas combinadas em pista coberta.
Agora, a ambição da Sofia é a presença na Taça da Europa de Atletismo. Numa altura em que a modalidade está resumida nos Açores a poucas individualidades que se destacam, e bem longe das dezenas de miúdos que enchiam as pistas há uma década e meia atrás, a Sofia é um exemplo de trabalho, humildade e persistência. Força!

 



 

28.Fev.08

Mar: É possível fazer muito mais!

Os intervenientes Jorge Vieira, João Rodeia, Paulo Ribeiro e João Monjardino.

 

Ontem à noite prosseguiu a série de encontros “Ideias & Debates”, tendo sido o mar, na sua vertente lúdica e de conhecimento, o mote dado pela organização para mais uma sessão aberta ao público e cujo objectivo é simplesmente pôr a sociedade açoriana, e particularmente a terceirense, a discutir as temáticas actuais que mais a afectam.

“Porque andamos de costas voltadas para o mar?”, foi a questão fulcral da introdução feita por Paulo Ribeiro, à qual reagiram de forma própria cada um dos três oradores convidados. João Monjardino, arquitecto de profissão e praticante de surf, começou por contextualizar a orla costeira da ilha Terceira, referindo os 90 quilómetros de perímetro, dos quais “apenas” 3,5 (3,88%) estão disponíveis para uso social, e alertando para o facto de “nas últimas duas décadas” se terem perdido 1800 metros de frente costeira.

De seguida lamentou alguma “falta de imaginação” nas actividades marítimas que se praticam entre nós na dita época baixa, fazendo um “repto” para inovar, aproveitando o potencial “imenso” que o mar proporciona. Relembrando que a responsabilidade do “bom uso” da costa marítima cabe a todos, João Monjardino não deixou de focar o lamentável estado da orla na zona do cabo da Praia onde “à custa da inovação e do desenvolvimento, que são ferramentas essenciais” o mar está poluído e a situação tarda em resolver-se.

Citando uma conhecida publicação mundial de surf, mostrou como se pode passar uma imagem “triste e terceiro-mundista” de um local aprazível como a nossa região e as nossas águas. E não deixou de apontar a má “infra-estruturação” da zona industrial praiense como a causadora dos problemas. Mas sempre com uma visão “futurista e optimista, ciente de que a realidade pode e deve mudar para melhor”, concluiu.

Jorge Vieira, responsável pelo Angra Iate Clube, foi o segundo a falar, e começou versando a “cultura náutica” das nossas gentes como estando em “baixa”, dando como certo que apenas a “aposta” nos escalões de formação pode sustentar uma “mudança de atitude” das pessoas face ao mar, isto numa clara alusão às dificuldades da prática desportiva para as actividades marítimas.

Alertando que “as autoridades responsáveis” devem contribuir para essa mudança de atitude, lamentou a “falta de exigência” dos terceirenses nas condições que lhes são oferecidas para aproveitar as valências do mar, exemplificando a afirmação com as “obras de remodelação do Porto das Pipas, que não trouxeram sequer as condições mínimas para a prática das actividades náuticas”, referiu.

Falou também da realidade actual de quem investiu no âmbito da acção marítimo-turística, realçando o incremento de “qualidade” que tem sido levado a cabo nos últimos anos, altura em que não se entendem as dificuldades sentidas para “a formação de navegadores de recreio”, e deixando ainda um repto no sentido de dar “mais vida” às marinas da ilha, cujos picos de utilização se prendem com as provas de vela de cruzeiro que se vão organizando entre nós.

João Rodeia, da Universidade dos Açores, foi o responsável por uma abordagem científica da nossa visão do mar, isto na vertente do conhecimento que se propunha aos presentes. Lamentou, desde logo, “erros crassos” que se vão cometendo nas obras feitas pela orla costeira, deixando no ar que o conhecimento “existe, mas por demasiadas vezes, não se aplica”, isto também numa menção clara ao areal da Praia da Vitória e ao “uso e abuso” comercial dado à areia, um elemento “fulcral para se manterem as características do lugar, o que parece descurado gravemente”. João Rodeia alertou para o contra-senso das exigências feitas a quem “tem ligações ao mar”, que vão impedindo o acesso do cidadão comum ao mar, assim como dos mais novos.

Referindo que a “motivação” tem de ser criada e o papel da “investigação como caminho mais curto para atingir fins”, João Rodeia disse “não compreender” uma certa aculturação marítima que é emergente, sendo que “os miúdos são o nosso futuro e é urgente dar-lhes um contacto vivo com o mar”, referiu como um repto às próprias instituições e estabelecimentos de ensino que “pecam” pela ausência nessa vertente.

O espaço dedicado ao debate foi animado e permitiu diversas intervenções, a maioria em aberta interacção com o painel de convidados, e onde se denotou uma certa “frustração” generalizada pela forma como são geridas as nossas ligações com o mar. Em termos de infra-estruturas básicas foi feito um “alerta” para obras futuras; em termos de promoção turística foi visível que haverá muito mais a fazer e que é até patente uma certa “asfixia” em relação aos investidores e face às necessidades que se apresentam nos Açores. Na parte da formação humana e educacional foi deixada uma palavra para os desportistas náuticos que, numa região atlântica e incompreensivelmente, têm “poucos apoios e escassas oportunidades de singrar no exterior”.

“Uma legislação complexa e um sem-número de entraves” foram as causas apontadas para a actual escassez de actividades marítimas “diárias e corriqueiras”, a que a nossa realidade geográfica e histórica nos devia “obrigar” Foi também reforçado o factor “misticismo” que o mar encerra como preponderante na dinamização que pode ser dada em diversas frentes, deixando-se claro que as próprias denominações das duas cidades terceirenses (Angra do Heroísmo e Praia da Vitória) são, intrinsecamente, causas do sua forte ligação ao mar, qualidade que, no entender de muitos dos presentes, “tem caído no esquecimento dos decisores políticos”, mas sempre com um sentido de que “no horizonte” haverá “mais e mais a fazer”.

 

IDEIAS            

 

&    

             

DEBATES     

28.Fev.08

De passagem...

Decididamente ir ao café a meio da tarde, de preferência quando a clientela é em maior número, pode proporcionar um acréscimo ao nosso conhecimento empírico. Refiro-me, naturalmente, às "bocas" e piadas que por lá passam...

Esta é "fresquinha" de há uns dez minutos atrás:

-"Qualquer dia a reforma é aos 100 anos...que é para eles terem mesmo a certeza que não pagam nada a ninguém... "

28.Fev.08

Capicua(s)...

Um número é capicua quando se lê da mesma maneira nos dois sentidos...

 

Lembro-me perfeitamente de ter 11 anos. Estava no Ciclo e era, à altura, um rapaz ligeiramente baixo (tirara o B.I. no ano anterior com 1m45...) e bastante magro. Adorava andar de bicicleta e, no final do 2º período, lembro-me de ter tido quatro "5" e seis "4" como notas escolares. Não estudava nada e gozava ainda do "andamento" precoce da escola primária...

Os 22 anos terão sido (talvez) a idade mais intensa que passei. Ansiava por sair da Terceira, o que só fiz um ano mais tarde, já trabalhava como jornalista no Rádio Clube de Angra e fui adjunto da Comissão da Tourada dos Estudantes. Estudava à noite, na área de letras, depois de perder três vezes Matemática do 11º nas aulas diurnas. E a vida nocturna era o mais activa possível...

Já tenho 33 anos. Fiz há cerca de uma hora e nem sei o que se vai passar nos tempos mais próximos. Felizmente sou casado com quem gosto há sete anos e meio e só me falta mais espaço. Para nós e para aguardar pelo sol e pelos sorrisos. Continuo a escrever e a acreditar que há mais gente boa do que má e que os valores da sociedade não estão, de facto, invertidos. Mas, a cada 11 anos passados, essa minha noção vai perdendo imensa credibilidade...

27.Fev.08

Euro "passa" de dólar-e-meio...

No comments...

 

O euro ultrapassou, pela primeira vez na sua história, a marca de 1,5 dólares, aproveitando os menores sinais de resistência da economia europeia, face à acumulação de maus indicadores norte-americanos....

A moeda única europeia subiu ontem até 1,5047 dólares, um novo recorde histórico que anula a sua anterior marca de referência, a 23 de Novembro do ano passado, de 1,4967 dólares.

27.Fev.08

Discutir o Mar...

IDEIAS            

 

&    

             

DEBATES     

Prossegue hoje a série de encontros “Ideias & Debates”, eventos abertos ao público e cujo mote é simplesmente pôr a sociedade açoriana, e particularmente a terceirense, a discutir as temáticas actuais que mais a afectam.

O Mar, na sua vertente lúdica e de conhecimento, foi o tema escolhido para a segunda sessão, que terá lugar no “Riviera Café”, na Praia da Vitória. Segundo uma nota da organização “quando olhamos à nossa volta os sentidos inebriam-se de azul”, e para quem nasceu “nestes torrões de lava perdidos entre o Velho e o Novo Mundo” o Mar é um elemento fulcral, com o qual nos “habituamos a conviver, estando rodeados pela imensidão do azul oceânico”. Os oradores convidados são o arquitecto João Monjardino, Jorge Vieira e o Professor João Rodeia.

Mas, e porque “o Mar é como o ar que respiramos – não o vemos nem o sentimos”, o grupo que dinamizou a iniciativa quer pôr os terceirenses a “pensar no mar”. Visível no texto que antecede mais este encontro é a ideia de que “andamos de costas voltadas para o Mar, não aproveitando todo o seu potencial nem todos os seus recursos”. Considerando o Mar como “o nosso maior património e o nosso maior bem”, com esta segunda edição do “Ideias & Debates” pretende-se encarar o nosso mar “de frente”, tentando ver as razões de só estarmos “com ele de Junho a Setembro, estando ele ali todo o ano”… 

Há dez anos, Lisboa e Portugal convidavam o mundo a mergulhar no futuro. Os Açores associaram-se a essa que foi uma das maiores iniciativas mundiais de homenagem aos Oceanos – a Expo '98. Passada uma década ficam no ar algumas dúvidas: “Como estamos? Continuamos a amar o Oceano como em 1998? Cumprimos os nossos desejos de então? Soubemos viver o Mar?”. Tal como há dez anos, o “convite repete-se: Venha mergulhar no futuro”, é este o mote para o “Ideias & Debates” desta noite.

 

Pág. 1/7