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PORTO DAS PIPAS

miguel de sousa azevedo - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel de sousa azevedo - açores

28.Set.06

Rali da Lagoa'2006 (opinião).

Com as estrelas do além mar açoriano...

Fernando Peres lidera o "Açoriano" de Ralis'2006...

-Miguel de Sousa Azevedo  (Foto: www.maisrallye.com) .

Depois de um período de grande incerteza em relação à lei que proíbe a publicidade ao tabaco, ao qual – me parece – se está a seguir outro em que já ninguém acredita em milagres nesse campo, o Campeonato de Ralis açoriano poderá estar a chegar próximo dos limites em termos de máquinas de topo e estruturas de monta. Tudo, claro está, se relaciona com a possibilidade de não haver tabaqueiras a apoiar o desporto automóvel em 2007, embora o produto já não pudesse ser publicitado este ano…e tenha sido o que se viu…

A um dia de arrancar a penúltima prova da temporada convirá reflectir no incremento de qualidade que a “guerra” do tabaco permitiu aos ralis das nossas ilhas. Isto numa altura em que os clubes fazem todos “contas” à vida para saber como terão meios financeiros que permitam pôr provas na estrada no futuro, e quando se sabe que a entidade que superintende a modalidade no nosso país está apenas preocupada com as suas próprias contas. A vinda de Fernando Peres para o campeonato local, directamente associada à polémica saída de Gustavo Louro do “Team Além Mar”, e sabendo-se que essa polémica foi despoletada por uma atitude menos própria da equipa em questão, veio fazer subir em flecha as necessidades de competitividade do parque automóvel ao nível dos candidatos à vitória. Depois de um título nacional de Produção para Horácio Franco (2002) e de uma tentativa gorada de Gustavo Louro em chegar ao título absoluto no Nacional (2003), os principais actores dos pódios açorianos pareciam ter a vida facilitada, embora se antevisse uma guerra dura entre genro e sogro pelas vitórias, com o regresso de Luís Pimentel a tempo inteiro a anunciar mais um candidato. Afinal o que se viu foi um “escalar” de evoluções, não sendo demais referir que tanto Peres, como Louro, Franco e Pimentel já “subiram” por três vezes o patamar das últimas versões dos Lancer e Impreza, sendo que o portuense e Horácio se mantiveram fieis à marca dos três diamantes, e Gustavo passou a fazer companhia a “Licas” na concorrente Subaru.

         Toda esta introdução/recordação para referir que, e ainda com os Ralis da Lagoa e Ilha Azul por correr, há que aproveitar até ao “tutano” este plantel, enquanto ele ainda dura, e dar graças por haver novamente em vista a disputa pelo título de campeão. Neste último ponto até se poderia referir que a recente atitude federativa, face a um protesto aceite e penalizador, e a um recurso que levantou essa mesma pena, significou um atestado de falta de poder total aos órgãos responsáveis por um determinado rali (no caso os Comissários desportivos do 28º Rali Ilha Lilás…), mas nem vou entrar por aí. O que está feito está feito, e interessa agora seguir com afinco as oito classificativas lagoenses com o espírito aberto e uma cerrada luta em perspectiva. Uma vez mais antecipei a passagem pelo leque de favoritos em alguns dias, guardando estas linhas “pré-rali” para um desabafo e alguns apelos. O desabafo de não gostar da sujeição a que os ralis foram “encostados” pelo órgão que os dirige no nosso país, e apelos à continuação dos anónimos (e não só…) que ainda se cansam a lutar por esta nossa modalidade, assim como a todas as equipas que, com menos euros que um décimo dos maços de tabaco dos pilotos de topo, ainda não perderam o fulgor para passar meses debaixo de um carro, visando um fim-de-semana de acelerações, travagens e emoções fortes. São estes os traços principais do desporto automóvel, e neste caso açoriano, dos ralis…

 

28.Set.06

Projectos.

São tão chatos e cheios de imprevistos. Mesmo na vida, as arestas, alicerces e vidraças nem sempre se constroem ou montam da maneira desejada. Mesmo que comecemos, como se deve, a "fazer" a casa do chão para o telhado...
27.Set.06

Anúncio.

Lido na edição de ontem do D.I.:

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VENDE-SE LOJA

Vende-se loja em Santa Bárbara-Rua do Açougue, nº50,por motivo do proprietário residir longe da mesma. Está disponível para aceitar sócio.

Contactar: Telf. 295 XXX XXX.

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Nota: Presumo que o dito dono tenha mudado de casa já depois de ter a loja. E que o sócio (mas afinal não é para vender?...) pretendido tenha de morar perto da dita...

PS-Achei de muito mau gosto o "Diário Insular" copiar descaradamente o novo formato de pequenos anúncios do jornal "aUNIÃO". É que nem se cansaram a tentar inovar no visual do espaço. Apenas aumentaram um euro ao preço. Foi quase copy-paste...

26.Set.06

Um Poema para o dia 26 de Setembro de 2006.

REGRESSO AO LAR (Guerra Junqueiro)

Ai, há quantos anos que eu parti chorando
Deste meu saudoso, carinhoso lar!...
Foi há vinte?... Há trinta? Nem eu sei já quando!...
Minha velha ama, que me estás fitando,
Canta-me cantigas para me lembrar!

Dei a Volta ao mundo, dei a volta à Vida...
Só achei enganos, decepções, pesar...
Oh! A ingénua alma tão desiludida!...
Minha velha ama, com a voz dorida,
Canta-me cantigas de me adormentar!...

Trago d'amargura o coração desfeito...
Vê que fundas mágoas no embaciado olhar!
Nunca eu saira do meu ninho estreito!...
Minha velha ama que me deste o peito,
Canta-me cantigas para me embalar!

Pôs-me Deus outrora no frouxel do ninho
Pedrarias d'astros, gemas de luar...
Tudo me roubaram, vê, pelo caminho!...
Minha velha ama, sou um pobrezinho...
Canta-me cantigas de fazer chorar!

Como antigamente, no regaço amado,
(Venho morto, morto!...) deixa-me deitar!
Ai, o teu menino como está mudado!
Minha velha ama, como está mudado!
Canta-lhe cantigas de dormir, sonhar!...

Canta-me cantigas, manso, muito manso...
Tristes, muito tristes, como à noite o mar...
Canta-me cantigas para ver se alcanço
Que a minh'alma tenha paz, descanso,
Quanto a Morte, em breve, me vier buscar!...

26.Set.06

Cumplicidade quê?...

O líder dos PSD/Açores, Costa Neves, acusou ontem o Governo Regional de Carlos César de "cumplicidade partidária" com o Governo da República de José Sócrates, em detrimento da "defesa intransigente" dos interesses dos Açores...

Desculpe-me, caro amigo, mas há na política portuguesa (e açoriana, claro está...) alguma coisa que se faça sem ser por "cumplicidade partidária"...? É que eu me lembre agora...

26.Set.06

Os pilotos da jaqueta enramada (Reportagem).

Toni Ortins, Roberto Pires, Jorge Ortins e Marco Sousa... os Forcados dos ralis!

Texto: Miguel de Sousa Azevedo Foto: RL Photo.

Sendo a Terceira uma terra de aficionados da Festa Brava por natureza, e sendo também um sítio onde todos os movimentos populares (e os ralis são dos mais intensos…) são vividos de modo fervoroso, é natural que, amiúde, se tracem paralelos entre as duas actividades. Ambas requerem paixão, gosto, e, de algum modo, coragem, qualquer que seja a forma de as desenvolver. Recuando uns anos, e desde os primórdios dos ralis “pirata”, das Rampas e dos Circuitos do Cabrito (local, por excelência, de estadia das mais bravas manadas da ilha…), é fácil associar nomes à magia do redondel e às emoções das classificativas ao cronómetro. Ao nível do toureio apeado não é possível falar de ralis na Terceira sem referir os nomes de José Eduardo Silva ou de “Bertinho” Pacheco…pois ambos foram valorosos toureiros amadores de capote e arte. E o primeiro, que é pai do agora Matador de toiros Mário Miguel, manteve até há alguns anos atrás a sua própria ganadaria. Dos primeiros anos do Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, dois nomes sobressaem dos restantes na ligação aos automóveis: Joaquim do Carmo e João Hermínio, que viriam a ser (em 1991) a primeira dupla oriunda da ilha Lilás a vencer o então “Regional” de Ralis. Mas dessa época de pegas difíceis na velhinha Praça de São João há mais dois pilotos de ralis (mesmo que apenas de “passagem”). José Manuel Santos, o “Zé Manel da Fiat”, terceiro da geral no 1ª Ilha Lilás, e João Miranda que veio a ser também cavaleiro de alternativa. E mais nomes há que, além de envergar a jaqueta da Tertúlia, se guindaram às classificativas: António Baldaya (o anterior Cabo do Grupo) fez dupla com Paulo Raulino (“Toné”), outro forcado; António Ponte chegou a ser navegador de José Luís Coelho; Berto Lima andou de Dyane com Manuel Moura; em dupla de forcados Luís Armando estreou-se com Rui Cota no final dos anos 80; João Paulo Rocha navegou Carlos Costa “filho” no Ascona 400; e João Simões navegou algumas vezes o cunhado Paulo Pires. Poderão faltar alguns, mas a lista serviu de mote para a conversa com actuais praticantes de ralis que, agora ou até há uns tempos, fizeram parte do “8” titular que pegou toiros em nome da Terceira. Do mais velho para o mais novo: António “Toni” Ortins, Roberto Pires, Jorge Ortins e Marco Sousa. As perguntas foram simples e referiam-se às duas paixões em simultâneo: Os Forcados e os Ralis, como começaram ambas as ligações?...

         António Ortins, “Toni” para quase todos, 41 anos, é o responsável pela adesão de muitos jovens à arte da forcadagem. Começou, segundo diz, já “um pouco tarde nos toiros…tinha 21 anos e inscrevi-me na Tourada dos Estudantes, Tinha um primo (Ildebrando) que já era Forcado, e era uma coisa que desde sempre tivera vontade de experimentar. O gosto já era antigo e fui depois escolhido – pelo João Hermínio – para integrar o Grupo sénior, e por lá continuei durante largos anos”. Uma faceta importante da sua carreira como Forcado foi “a criação de um Grupo Juvenil, ideia que partiu do Américo Cunha, que depois se foi embora para a América. Fiquei então com essa responsabilidade e foi uma coisa que me deu grande gosto de fazer. Muitos dos miúdos que vi começarem são hoje grandes Forcados, ou já o foram. Foi um trabalho que deu e, agora com outros, continua a dar frutos”. “Toni” Ortins despiu a jaqueta nas “Sanjoaninas” de 1997 e deixou a sua marca de valentia nos Forcados locais. Quanto aos ralis a história é simples: “Sempre disse que havia de fazer um rali, nem que fosse com um carro alugado…Um dia apareceu-me no T.A.C. o Raul Ventura, com o Paulo Mariano, a dizer-me que tinham um carro para me alugar, e me davam assistência. Era um Peugeot 106 e fiquei em segundo da classe. Depois adquiri um Toyota Starlet, passando depois para o actual Yaris…e agora se o conseguir vender, talvez dê um saltinho maior…se não fica assim que é um bom carro e muito fiável. Era também um gosto de juventude e que, agora, posso concretizar…”

         Roberto Pires, 34 anos, é o navegador do rápido Alexandre Melo (“Maúrça”), piloto que impressiona com o pequeno Renault Clio 1200 e que venceu a primeira edição do Troféu dedicado ao modelo francês. Agora fora dessa luta continuam a fazer provas em bom ritmo e são sempre candidatos em termos da Classe 5. Roberto esteve “quase a entrar para os Forcados ainda muito novo mas, azar dos azares, a altura coincidiu – em 1989 – com uma Corrida em que faleceu um forcado continental na Praça Ilha Terceira”…e o sonho de criança foi adiado. Mais tarde, já com 22 anos “decidi que era altura de entrar para o Grupo e fardei-me pela primeira vez numa Tourada dos Estudantes, mas sem dizer nada em casa. Tinha a família toda na bancada e calhou-me em sorte pegar um novilho. Ainda ninguém me tinha reconhecido na trincheira, mas estranharam que não os tivesse acompanhado. Vi as coisas mal paradas quando, na altura de citar, o meu Pai se levantou na bancada…mas felizmente ele entendeu o meu gosto e apoiou sempre a minha actividade como Forcado.”. Nos ralis Roberto Pires seguiu uma paixão que alimentava desde miúdo: “Tudo que tivesse rodas, motor, e fizesse barulho, me prendia a atenção. Sempre segui todos os ralis, cá na ilha e fora dela, e também gostei sempre de Formula 1. Quando surgiu a oportunidade de acompanhar o “Maúrça” nem pensei duas vezes. E agora cá estamos sempre a tentar dar o nosso melhor e enquanto for possível faremos ralis…”

         Jorge Ortins, 28 anos, entrou para os forcados por influência directa do tio (“Toni”), e com ele disputou, no banco do lado direito, todos os ralis da sua carreira. Da mesma forma que aos dez anos se fardou pela primeira vez no grupo Juvenil, para pegar entre rapazes bem mais velhos e corpulentos, foi sob essa influência que vestiu o fato de competição e começou a “cantar” notas: “O Toni foi sempre para mim como um ídolo e, naturalmente, segui os passos dele na carreira de forcado. Entrei muito novo e isso, felizmente, fez-me ganhar bastante experiência, que já foi útil em alturas difíceis.” Sendo Forcado há já 18 anos (é um dos mais antigos em actividade e fardou-se aos 16 anos com os séniores), Jorge é – juntamente com Marco Sousa – um dos responsáveis do grupo Juvenil da Tertúlia, actividade que cresce a olhos vistos, e agora com jovens de palmo e meio, já de faixa apertada e a aprenderem o cite correcto. Nos ralis foi também a “mãozinha” familiar a concretizar a estreia como navegador: “O Toni era Comissário de estrada e eu acompanhava-o sempre nos ralis…tal como com os toiros ia com ele para todo o lado e, quando apareceu a oportunidade de fazer um rali, logicamente que aproveitei. Só fiz ralis com ele, e espero que continuemos juntos mais uns bons anos…”

         Marco Sousa, 29 anos, é um dos mais tecnicistas “caras” da Tertúlia Terceirense. Fardou-se, ainda pelos juvenis em 1995, passando na época seguinte ao Grupo sénior. Desde então muitos foram os bons momentos de uma ligação que está para durar: “Sempre gostei muito de toiros e, até por motivos familiares, a paixão já era grande. Embora ligeiramente mais tarde que o desejado, cumpri um dia o desejo de ser Forcado. Foi o “Toni”, na altura o Cabo do Grupo juvenil, que me incentivou a começar, e hoje em dia mantenho-me no Grupo, onde continuarei enquanto achar que me sinto bem”. Paralelamente divide com Jorge Ortins – no Grupo juvenil da Tertúlia - a difícil tarefa de incutir nos mais jovens os conhecimentos e a vontade desta antiga tradição. Quanto aos ralis, Marco Sousa, que já passou pelas motos e pelo Karting, apenas seguiu uma vontade também com alguns anos…e “apadrinhada” pela mesma pessoa: “Tudo começou numa brincadeira de amigos em que surgiu (assim de repente…) a oportunidade de alugar o Yaris do Toni no Ilha Lilás do ano passado, que ele não ia fazer…logo percebi que não ia ser fácil deixar de correr. Depois, juntamente com o meu navegador (Miguel Bendito), conseguimos comprar um carro que, embora não sendo uma grande máquina, vai dando muito bem para matar o gosto e para nos divertirmos…”

         Com este lote de Forcados “motorizados”, que são quatro, ou seja metade da formação necessária para pegar um toiro, facilmente se percebem as ligações que as actividades que envolvem algum risco…e até alguma visibilidade (a que se associam as bonitas imagens que acabam sempre por criar…) podem ter umas com as outras. Neste(s) caso(s) concreto(s) ganas e muita vontade são traços comuns em todos eles. E até para quem achar merecedor, experimente a soltar - à passagem de um certo Toyota Yaris, de um certo Renault Clio 1200, ou de um certo Fiat Uno Turbo – um valente Olé! Não vai é haver volta à Praça!...

Nota: Texto publicado nas edições de Setembro da "Rotações Magazine" e da "FACTOS". E n' "aUNIÃO" de ontem...

 

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