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PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

PORTO DAS PIPAS

miguel sousa azevedo - terceira - açores

25.Ago.05

5 perguntas "de fogo" sem resposta...

Porque é que o combate aéreo aos incêndios em Portugal é totalmente concessionado a empresas privadas, ao contrário do que acontece noutros países europeus da orla mediterrânica?

Porque é que os testemunhos populares sobre o início de incêndios em várias frentes imediatamente após a passagem de aeronaves continuam sem investigação após tantos anos de ocorrências?

Porque é que o Estado tem 700 milhões de euros para comprar dois submarinos e não tem metade dessa verba para comprar uma dúzia de aviões Cannadair adaptados ao combate a incêndios?

Porque é que há pilotos da Força Aérea formados para combater incêndios e que passam o Verão desocupados nos quartéis?

Porque é que as Forças Armadas encomendaram novos helicópteros sem estarem adaptados ao combate a incêndios? Pode o país dar-se a esse luxo?
23.Ago.05

Informação.

Decididamente acho piada a começar a manhã sem grandes notícias, ou aproveitando os "restos" de ontem, e a estar agora aqui a puxar pela cabeça. Eu sei, às 10 da manhã não há político que queira falar ao telefone. Mesmo nestes tempos de campanha em que a simpatia irradia...
19.Ago.05

...

MicerMarcilio.jpg"Micer Marsilio y su esposa" (1523) - Lorenzo Lotto (1480-1556) - Museo Nacional del Prado (Madrid)


19.Ago.05

Diferenças/semelhanças entre dois Aeroportos...

Áreas:
Aeroporto de Málaga: 320 hectares,
Aeroporto de Lisboa: 520 hectares.

Pistas:
Aeroporto de Málaga: 1 pista,
Aeroporto de Lisboa: 2 pistas.

Tráfego (2004):
Aeroporto de Málaga: 12 milhões de passageiros, taxa de crescimento 7% a 8% ao ano.
Aeroporto de Lisboa: 10,7 milhões de passageiros, taxa de crescimento 4,5% ao ano.

Soluções para o aumento de capacidade:
Málaga: 1 novo terminal. Investimento de 191 milhões de euros. Capacidade de 20 milhões de passageiros/ano. O aeroporto continuará a 8 Km da cidade e a ter uma só pista.
Lisboa: 1 novo aeroporto. Investimento de 3000 a 5000 milhões de euros. Solução faraónica a 40 Km da cidade.

É o que dá sermos ricos com o dinheiro dos outros e pobres com o próprio espírito.
Ou então alguém tem de tirar os dividendos dos terrenos comprados nos últimos anos. Ninguém investiga isto?

18.Ago.05

Crença.

É mesmo preciso tê-la na quase-tourada que é a vida. Numa arena, não tão vistosa e polida como as verdadeiras, a vida dá-nos, sem surpresas, tanto trabalho como a lide de um toiro afamado ao melhor toureiro. Façam-se pois poucas "cambiadas" à cara do toiro. E peguê-mo-la de caras...Assim mesmo!
16.Ago.05

Parança...

Como nunca se pára nesta terra. E a prova é este blog, ávido de conteúdo e chateado com o seu autor que salta de casa em casa, de festa em festa, de tourada em tourada...
Esta terra é uma canseira. Não há parança...
11.Ago.05

De novo juntos...

E como o amanhecer foi visto de outra forma. Pelos mesmos olhos e com o mesmo coração.
Apenas brilhando mais os primeiros e batendo muito mais forte o segundo...
11.Ago.05

Semana taurina.

Começou bem, no largo da Terra-Chã, e revendo amigos e conhecidos que o tempo foi afastando. Isto foi na Segunda-feira e a chuva miúda nem chegou a arrefecer os ânimos. Na Terça foi vez de rumar à nova e airosa Praça de Toiros das Doze Ribeiras. Vista soberba sobre o Mar e com o verde pelas costas. Ambiente de churrasco e aficcion. Tudo com a simplicidade que esta gente (ainda) sabe pôr nas coisas...
09.Ago.05

Climas.

Onde se meteram os chuviscos e o vento de ontem? Por certo, escondidos à passagem deste sol forte e insistente, estão à espera de oportunidade para nos refrescarem vistas e ideias daqui por umas horas...
Ou então é mesmo bom tempo para ti.
Bom tempo, então.
08.Ago.05

Marcha, Susana, marcha...

susanafeitor.jpgFoi em 1990 que vi, pela primeira vez, a Susana Feitor a marchar. Parecia que corria ela enquanto as outras competidoras andavam lentamente. Foi no "Dn Jovem" desse ano, a única competição que disputei pela Selecção dos Açores de Atletismo (Iniciados), e a pista do Estádio Nacional foi devorada literalemente por aquela míuda de boné virado para trás e que, nesse mesmo ano, se viria a sagrar campeã mundial de Juniores. E isto com apenas 15 anos...
Ontem a atleta portuguesa conquistou a medalha de bronze nos 20 quilómetros marcha dos campeonatos do mundo de Helsinquia'2005, prova onde a russa Olimpiada Ivanova arrecadou o ouro e estabeleceu novo recorde mundial. Foi o regresso da marchadora do Clube de Natação de Rio Maior às luzes da ribalta. De onde esteve afastada várias vezes devido a arreliadoras lesões e a algumas desclassificações inacreditáveis em grandes competições. A Susana prevê acabar a carreira nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. Terá, tal como eu, 33 anos. E espero que a imagem da miúda do boné se possa repetir ainda umas vezes.
Parabéns, Susana!
08.Ago.05

Papagaio banido de locais públicos

Papagaio.jpgUm papagaio que tinha sido propriedade de um camionista foi banido das áreas de acesso público por repetidamente embaraçar os trabalhadores num Centro de recolha de animais, na Inglaterra.
Barney, um "Macaw" de cinco anos, está agora guardado num sítio seguro e isolado no Warwickshire Animal Sanctuary, em Nuneaton, Inglaterra, depois de ter insultado os visitantes com palavras desadequadas.
"Ele (o papagaio) disse a uma senhora de idade para se ir f... e a uma freira que a acompanhava disse-lhe 'e tu também te podes ir f...'," relata a funcionária de nome Stacey Clark.
Nem a polícia escapou aos insultos, acrescentou Stacey.
"Vieram dois polícias dar uma volta pelo Centro ele disse-lhes 'e vocês os dois vão-se f... vagabundos'.
Os funcionários acham que o malcriado animal ou aprendeu as frases na televisão (?!!) ou foi ensinado pelo antigo dono que emigrou para Espanha.
"Ele também diz 'olá grandalhão' e 'obrigado' quando lhe damos um biscoito, acrescentou.
"Mas o que é frequente são os palavrões e sempre às pessoas erradas. Estamos a ensiná-lo a não insultar. Os Macaws são pássaros muito inteligentes".
05.Ago.05

Espaço.

Começo a identificá-lo. A humidade faz lentamente as pazes comigo.
Registo os olhares e as reacções. Duplico as energias boas e continuo a saber filtrar as outras. Todas. Onde é que aprendi isto?...

Beijos da terra.
04.Ago.05

Surpresa.

Ontem à noite apanhei o jornal de hoje acabadinho de chegar. E lá estavam as palavras da minha alma-metade que, por dias, me faz suspirar a preceito.
Não consigo esconder um certo sorriso pateta de cada vez que releio algumas partes...
Ou seja estou inchado de orgulho. Não por mim, mas por nós...
03.Ago.05

A Cidade e as Serras.

Não o livro, que já li há muito tempo, mas o casario rendido ao verde em altura que me fez respirar um ar diferente.
Sinto o pulsar da saudade de um sorriso malandro. O mesmo que se esforça em corrigir a minha ânsia de tudo ter e ver. O mesmo que tento retribuir com amor. Pacato ou sereno demais. Mas amor...
01.Ago.05

Até logo, Porto.

PortoFoz.JPGDaqui a umas horas regresso à Terceira. Pela primeira vez com viagem só de ida e com a indefinição do modo de vida como único obstáculo ao reunir de dois mundos.
Para trás deixo a cidade-sombra que aprendi a ter como minha nos últimos sete anos. Passou-se muito tempo e tanto ainda há-de passar. As marcas ficam e o rio enfim, faz como eu, e ruma ao mar. Foi quase por acaso que para aqui vim e isso ainda me faz crer mais na certeza da pena com que se escreve o destino. Neste Porto descobri ligações que apenas o sangue em quente permite sentir. Neste Porto cresci tanto que quase me esqueço da data anterior. Neste Porto aprendi a amar e a dividir como nunca e levo nos lábios a razão de todo esse enlevo…
Da Ribeira até à Foz e das pessoas às palavras. Assim vive esta cidade e assim quis com ela viver. Faz parte de mim assumir os sítios por onde passo como meus. Faz parte de mim encontrar numa pequena pedra ou no mais simples gesto a noção do dia. O pensar da noite. O ressoar da manhã numa realidade que se vai construindo com passos medrosos e olhos de curiosidade. Foi assim que descobri que a vida era mais que só até ali.
Parei várias vezes onde a massa da água entra no mar sem licença. Vinda dos ares das vinhas e repondo a história dos tempos dia a dia. Sentia-me um pouco como ela na busca incessante do horizonte e na confusão presente de não distinguir céu ou terra. Lá longe e na barca da saudade iam-se cruzando odores e as flores renasciam a cada primavera. E de lá vinha o desgosto, o soluço, o grito alegre ou a graça da amizade. E por aqui me ficava em contemplação ao passado, sem perceber que apenas o presente me deixava lúcido e grande para seduzir. E como foi brilhante o caminho que se talhou lado a lado com ferramentas de outros tempos e com valores sem extinção. E como foi bom percorrer outra estrada, paralela a esse caminho, mas povoada de gente e gente e cores e barulhos, e como é bom olhar por cima do ombro e sorrir. Como aquela árvore de uma praça que esqueci, como aquele gato que fugiu pelo muro, como aquele dia de sol que queimou, como aquele anel de três vidas que insiste em ultrapassar o queixume e as barreiras. Localizo neste e naquele instante um marco de afirmação. Uma sentença de paz que só se resolve com a admissão de novas provas. Provas duras e revoltas, forçando a entrada na barra pelo lado contrário. Fazendo ver à maré que não baixou em tempo certo e alargando os olhos ao sol que, expectante, não se decide na hora de cair.
E revêem-se as horas de júbilo azul e branco, cores do céu e das nuvens, com que se pintaram lágrimas e se firmaram apreços. E logo ao lado a memória atira-nos para passados distantes e horas cujo fim é ainda hoje. Correm sempre e atravessam-se às mais novas com o desdém de quem marca posição…
E numa linha de esboço de prosa trauteio os lugares de eleição. Canto as músicas que ensinámos de mansinho e rogo por novas partilhas. Tão fortes como as que fomos aprendendo ao som da tais músicas e com os olhos postos nesse lugar. O lugar do lado sempre com dono e sempre ocupado. O lugar do lado do coração e o espelho da busca que cessou por ser completa.
Fecho os olhos e quase o reflexo de aterrar com os pés levantados se apresenta. Volto ao ninho dos amores e trago comigo o peito cheio. Venho sem pressas e voei sem angústias. Reclamo o meu espaço como quem chora um verso perdido e encontro a tal nota que faltava para compor a estrofe perfeita. Dobro-me para apanhá-la e com ela vem uma flor. Aquela silvestre e teimosa que nunca pára de crescer por onde passas. Junto-a, ao fim da tarde, com o cheiro do mar que voltou da faina. Aponto-lhe as pétalas, duas a duas, à tua estrela de menina. E coro por não saber como se chama. Os olhos rasgados indicam-me que o sorriso foi alcançado.
Apenas porque nos vamos sentar em mais um banco de jardim e rir. Apenas porque vamos contar mais estrelas e porque há as que caem como o sol no mar. Apenas porque um pássaro nos faz despertar a alma ao cantar o anoitecer. Apenas porque há sal e musgo e pedra. Apenas.
Por buscar mais sorrisos e por um ar mais puro. Ou tão só por um egoísmo de não querer ser mais um de muitos. Vem comigo. Diz “Até logo, Porto”…